Existe um vídeo na internet que faz uma provocação ao internauta e o convida a pensar em um carro de 1950 e em um atual, e também a rememorar como era um telefone da mesma década e como é um smartphone moderno. Poderíamos incluir também um aparelho de televisão antigo e uma Smart TV. Em resumo, as diferenças entre o mundo do século passado e o de agora são gritantes.
Agora pense em uma sala de aula nos anos 50. Era um local com várias carteiras enfileiradas, alunos sentados e um professor em frente a um quadro, falando, enquanto os alunos escutavam e tomavam notas. Sobre isso, aos olhares do psiquiatra William Glasser, os estudantes localizavam-se no mais baixo nível da pirâmide do aprendizado, baseado em atividades passivas como ler, escutar, assistir e anotar. Parece que ainda não saímos dessas atividades, não é mesmo? Isso evidencia a falta de inovação em um meio tão importante, a Educação.
Essa mesma pirâmide diz que os maiores níveis de aprendizado são representados pelo estudo ativo: debater, fazer e ensinar. Então, por que manter o modelo onde o professor fica no centro da sala apenas ditando matérias enquanto os alunos só apresentam cada vez mais dificuldades na hora de fazer seus deveres de casa?

Imagine uma sala de aula ideal para atender a esta defasagem. Sem abandonar os cadernos, mas incluindo o uso dos computadores no dia a dia. Dessa forma, os alunos desenvolveriam o aprendizado de maneira ativa dentro da sala de aula, com o professor ao lado para auxiliar. Já em casa, os alunos receberiam conteúdos e apenas neste momento os consomem de forma passiva, para aplicar e tirar suas dúvidas em classe no dia seguinte.
Seria um cenário ideal para a Educação no Brasil, não é? Essa abordagem foi criada por três professores da universidade de Miami, que notaram uma melhoria no processo de aprendizagem quando as dúvidas eram geradas em casa, ao fazer o dever, longe da classe. Porém, quando o professor aplicava uma nova teoria, as dificuldades na absorção das informações ficavam mais acentuadas. Sendo assim, os mestres decidiram pedir que os estudantes lessem a teoria em casa e, depois, a aplicassem de forma dinâmica ao lado do professor em sala.
Esse ajuste na dinâmica é caracterizado, basicamente, por colocar o aluno como centro das atenções em sala e o professor como facilitador.
Aqui em Guarulhos, há uma instituição de ensino que utiliza essa metodologia ativa. No ENIAC, por exemplo, o COMATEC, curso de Comunicação, Matemática e Tecnologia, foi todo pensado com base nessas novas metodologias de aprendizagem. Nele, o professor utiliza as metodologias como o Peer Instruction, que faz o aprendizado em pares; o Problem Based Learning, no qual os alunos resolvem problemas dentro do tema estudado e são mediados pelo professor. “Quando olhamos os números do PISA, vemos que a Educação brasileira não tem funcionado. Neste ranking educacional, estamos avaliados como nível 2 em leitura e interpretação de textos e nível 1 em matemática”, diz o coordenador Pedagógico do Colégio ENIAC, Caio Oliveira.
O Pisa é um exame sobre a qualidade de ensino do país, que acontece em mais de 70 países ao redor do mundo. Ele avalia os conhecimentos dos alunos em leitura e interpretação de texto, matemática e ciências. As notas vão de um a seis, e países proficientes em algumas das áreas, ficam com nota seis.
“Aqui, no ENIAC, acreditamos que as pessoas querem ser protagonistas das suas histórias, e nosso papel é inspirar e conectar essas pessoas com um propósito de impacto positivo, para elas e para a sociedade”, complementa Oliveira.
Não se trata apenas de utilizar a tecnologia em sala de aula, e sim de fomentar um contexto que insira as ferramentas tecnológicas de forma a maximizar o potencial de cada ser humano inserido no ambiente de aprendizagem, e atualmente, uma escola que não esteja pensando nisso está deixando seus alunos para trás.

