O biomédico Roberto Martins Figueiredo, conhecido como Dr. Bactéria, desfaz alguns mitos sobre limpeza e higiene e dá dicas importantes para manter a higiene em um ambiente fundamental na vida das famílias: a cozinha.
Ele alerta que, quando se pensa em bactérias, o primeiro local que se imagina em uma casa é o banheiro. “Mas não existe local que é mais limpo que o banheiro, pois constantemente estamos limpando e usando desinfetantes”, comenta.
Segundo o especialista, o local mais contaminado em uma casa é a cozinha, pois é nesse local que são utilizadas hortaliças, carnes, caixas e embalagens vindas de supermercados e feiras livres, que trazem consigo vários microrganismos provenientes de adubos, terra, granjas e matadouros. “E o local mais contaminado dentro de uma cozinha é uma esponja de louça, porque nela encontramos água, alimento e esconderijo, isto é, tudo que o germe pediu nos seus sonhos para se estabelecer e procriar à vontade”, afirma.
Ele informa que apenas um mililitro de líquido proveniente de uma esponja torcida contém 10 milhões de bactérias. “Se uma esponja for mantida úmida, o número de microrganismos vivos não diminui por duas semanas. As bactérias podem sobreviver por pelo menos 2 dias em uma esponja seca no ar. O máximo de tempo que uma esponja deveria estar presente em sua cozinha é de uma semana, isto é, sendo desinfetada diariamente”.
O biomédico sugere um passo a passo para a higienização da esponja:
Toda noite:
- Lavar a esponja e enxaguar bem.
- Imergir em uma solução de duas colheres de sopa de água sanitária por 1 litro de água por 5 minutos.
- Torcer e manter em um local seco, nunca sobre o sabão.
Pano de louça
O costume de usar panos de algodão para secar louças e outros utensílios pode representar perigos de contaminação chamada “cruzada”, isto é, bactérias presentes em carnes cruas ou hortaliças podem ser transportadas para utensílios limpos e irem parar nos alimentos prontos.
Um paninho de louça deve ser trocado (colocado para lavar) assim que estiver úmido, nunca deve ser deixado para secar sobre a pia, fogão, escorredor de pratos ou atrás da geladeira. Um pano úmido contém cerca de 1 milhão de bactérias a mais do que o tampo de vaso sanitário de um banheiro.
“Podemos usar também panos descartáveis ou toalhas de papel”, sugere.
Tábuas de corte
Sem dúvida nenhuma, as placas de corte plásticas são mais fáceis de higienizar do que as tábuas de madeira. Aliás, não existe um modo adequado para lavar e desinfetar as de madeira. Por isso, elas estão sendo totalmente contra-indicadas. Todos os utensílios de cozinha que eram de madeira já existem feitos de plástico. Estudos recentes demonstraram que microrganismos se fixam em superfícies de madeira, sendo difíceis de se desalojar através de enxague. Uma vez fixadas, as bactérias sobrevivem em uma fase dormente, por longos períodos de tempo. Na próxima vez que a tábua for utilizada, as bactérias podem contaminar outros alimentos, causando potencialmente doenças veiculadas por alimentos.
Em contrapartida, os microrganismos presentes em tábuas plásticas são facilmente eliminados por intermédio de lavagens.
No entanto, não podemos esquecer que as placas de plástico não devem ser usadas indefinidamente. Quando elas estiverem muito riscadas, cortadas, com a coloração modificada (amareladas ou esverdeadas), devem ser substituídas.
Para higienizar as placas de plástico. Anote:
- Lavar com água e detergente, não use palha de aço ou abrasivos, pois riscam a placa.
- Enxaguar bem.
- Inundar a placa com uma solução de duas colheres de sopa de água sanitária diluídas em 1 litro de água, por 5 a 10 minutos.
- Deixar escorrer. Não é necessário enxaguar.
Lixeirinhas de pia
Dr. Bactéria brinca ao citar a lixeira de pia: “Acredito que quem inventou a lixeirinha de pia deve ser alguém participante de alguma sociedade protetora de bactérias patogênicas (que causam doenças). Pois, seria a mesma coisa que você cozinhasse ao lado do lixo”.
O recipiente de lixo deve estar no chão, com um saco próprio trocado diariamente, com abertura por pedal e limpo pelo menos uma vez ao dia. Estes recipientes podem atrair pragas e vetores como formigas, baratas e moscas, entre outros.
Alimentos quentes na geladeira
Um grande mito existente é que não se pode colocar alimentos quentes na geladeira, pois estraga o eletrodoméstico.
“Quem nos falou isso foi nossa mãe e quem falou para ela foi a mãe dela e parou por aí, pois na época de nossa bisavó não existia geladeira. Realmente, é um mito”, afirma.
O biomédico afirma que os alimentos quentes não estragam geladeira. O que acontece é que pode haver um maior consumo de energia, mas nada drástico. “Trata-se de risco/benefício e eu prefiro gastar um pouco mais de energia, que não é tanto assim, do que colocar em risco meus parentes ou clientes”, recomenda, acrescentando: “Deixar por um máximo de duas horas a comida em temperatura ambiente, no máximo mesmo, e refrigere quente, se possível”.
Outro mito que o especialista desfaz é que os alimentos deveriam ser tampados ao serem colocados na geladeira: “O segredo é sempre colocar os alimentos descobertos. Exatamente, não vai pegar odor de tudo não. A geladeira funciona como uma fábrica de vento gelado e a função deste vento é roubar o calor dos alimentos. Coloque descoberto e, após duas horas, aí sim, tampe”, ensina.
Ovos não devem ser colocados na porta da geladeira
Dr. Bactéria diz que s ovos são perecíveis e deveriam ser vendidos sob refrigeração. “Sendo comercializados erradamente a temperatura ambiente, pelo menos nós devemos fazer a coisa certa: devemos colocar na geladeira, nunca na porta, pois neste local existe uma grande variação de temperatura, todos abrem demasiadamente a porta da geladeira. Porta é local somente para alimentos de baixa perecibilidade, como catchup, mostarda, pimenta, vinagre, bebidas. Sim, vinagre também. Não é lugar para meio limão, meia batata, meia cenoura, nem meia cebola. Como também não é lugar para colas”, garante.

