Professor do Curso Pré-Vestibular da Oficina do Estudante de Campinas (SP) Mário Ferandes, afirma que uma das questões de matemática do segundo dia do Exame Nacional do Exame Médio (Enem), realizado neste domingo (28), não tem resposta certa. A questão pode ser anulada.
A pergunta é sobre análise combinatória e abordava os times campeões da Copa do Brasil até a edição de 2018. A resposta encontrada pelos professores, não confere com nenhuma das alternativas apresentadas na questão 157 da prova rosa (138 da prova azul, 155 da prova cinza e 178 da prova amarela).
Durante a coletiva de imprensa nesta segunda (29), Danilo Dupas, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e ministro da Educação Milton Ribeiro não comentaram sobre possíveis anulações.
Só será possível saber se haverá cancelamento quando o gabarito oficial do Inep for divulgado – até quarta-feira (1º), segundo o edital do Enem.

Como foi o exame?
No domingo foram aplicadas 90 questões múltipla escolha com cinco opções de resposta de Ciências da Natureza e Matemática. As provas contêm as mesmas 90 questões para todos os candidatos, mas a ordem varia conforme a cor do caderno de questões.
Para Daniel Cecílio, diretor pedagógico do Curso Pré-Vestibular da Oficina do Estudante de Campinas (SP), a equipe não considerou que houve questões polêmicas. Mas, algumas questões valem destaque, seja por nível de dificuldade ou por serem conteúdos diferentes do que o Enem costuma cobrar. De uma forma geral, a prova teve temas abrangentes e nível mediano. O que chamou a atenção também foi que a prova não foi atualizada e contextualizada com assuntos relacionados a vacinação, pandemia ou saúde. “O Enem ignorou o momento atual que estamos atravessando. Não houve também citações classificadas como ‘pop’, diferente do que encontramos em 2020 com a citação do MC Fioti. Pra fechar, foi uma prova estilo Enem, com nível mediano que privilegiou o candidato bem preparado”, diz.
“Fazendo um balanço geral do Enem 2021, considerando os dois dias de prova, a grande surpresa foi o fato de não termos sido surpreendidos pelos comentários feitos anteriormente pelo presidente Jair Bolsonaro, enfim, o candidato que se preparou fazendo provas dos anos anteriores, não teve grande surpresas”, comenta.
Ainda de acordo com Mário Fernandes, professor de Matemática, a prova exigiu bastante cuidado na leitura e interpretação dos dados, gráficos e tabelas. “Alguns conceitos tradicionais apareceram como estatística básica, probabilidade, análise combinatória, razão e proporção, áreas e volumes. Destaque para questões de conceito menos tradicionais, como volume de tronco de cone e lei de formação de funções trigonométricas”, avalia.
Duas questões chamaram a atenção dos educadores: a primeira o cálculo de um volume de tronco de cone, algo raro de aparecer, e uma de determinação de expressão de uma função trigonométrica dado o gráfico da função.
Não houve nenhum tema popular na prova, apenas contextos diversos e tradicionais como consumo médio.
A prova foi equilibrada dentre os três níveis de dificuldades trabalhados pela teoria de resposta ao item.
Vejamos a análise das outras disciplinas de acordo com os professores do Curso Pré-Vestibular da Oficina do Estudante de Campinas (SP):
Biologia
Praticamente todos os temas de Biologia foram contemplados com um nível de dificuldade mediano. “As ausências observadas estão relacionadas aos temas da atualidade, como questões sobre o Covid-19, pandemia ou vacina. Uma questão que chamou a atenção da nossa banca foi a 118, da prova Rosa, que aborda a Ebola e Dengue ao discutir a adaptação à condição de parasita”, considera Fábio Vilar de Menezes, professor de Biologia.
Física
Arnaldo Bom Nobre e Marcos César, professores de Física e Química, respectivamente, destacam com estranheza que em suas disciplinas não houve assuntos relacionados à pandemia e à vacinação.
Para Arnaldo Bom Nobre as questões de física exigiram a realização de várias operações numéricas (contas) e análises lógicas das questões.
A questão 108, da prova Rosa, foi uma questão mal formulada de gravitação. Por isso, mereceu um destaque negativo. Já a questão 103 (lançamento oblíquo) mereceu destaque pelo seu grau de dificuldade. A questão 134, cujo assunto foi dipolo, chamou atenção por ser um assunto não usual no Enem, enquanto as questões 92 e 112, ambas sobre propagação de calor, mereceram destaque por serem assuntos muitos específicos.
“Nossa banca de física encontrou 4 questões fáceis, 7 médias e 3 difíceis. Portanto, avaliamos a prova, em geral, como de nível médio”, salienta.
Química
Para Marcos César, professor de Química, a prova de química foi bastante abrangente como normalmente acontece no Enem e abordou muitos tópicos normalmente trabalhados em sala de aula, portanto, os alunos não encontraram grande dificuldade para resolução das questões.
A questão 117, da prova Rosa, mereceu um destaque pela nossa banca de química. Pois, aborda eletroquímica, associação em série aplicada a equipamentos eletrônicos do dia a dia. Portanto, uma questão contextualizada para os alunos.
“A prova foi considerada de nível médio, com questões diretas e clássicas, como reações orgânicas, eletroquímica e cálculo estequiométrico. Apenas um destaque para a quantidade de questões de química orgânica acima do normalmente cobrado no Enem”, diz.

