InícioABASTECIMENTOCâmara aprova unidade de tratamento de água na Ponte Grande

Câmara aprova unidade de tratamento de água na Ponte Grande

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Em sessão extraordinária realizada na tarde desta sexta-feira, 3/12, a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei 3606/2021, de autoria do Poder Executivo, autorizando a desafetação de área pública que faz parte do terreno do Estádio Arnaldo José Celeste, na Ponte Grande, para que a Sabesp construa ali uma URQ – Unidade de Recuperação da Qualidade da Água oriunda do canal de circunvalação que passa por detrás do bairro, desde o trecho conhecido como Porto da Igreja.

A sessão foi transmitida ao vivo pela TV Câmara. O jornalista Pedro Notaro, ouvidor da Câmara Municipal, divulgou em suas redes sociais o resultado da votação. Foram 24 votos a favor, 8 contrários e duas ausências. O presidente Martello (PDT) votou contra o projeto.

Reunião explicativa

Na quinta-feira foi realizada uma reunião aberta, também transmitida pela TV Câmara, com a participação do gerente de departamento da Sabesp Guarulhos, Valdemir Viana de Freitas, e de Samuel Camargo Neto, analista de gestão. Diversos populares enviaram questões, que foram respondidas pelos dois representantes da empresa estadual.

A principal resistência da população é em relação à suposta desativação do Estádio da Ponte Grande, alardeada por setores da Oposição. Entretanto, durante a apresentação do projeto, os técnicos da Sabesp asseguraram que o local do estádio não será afetado. Os atletas que praticam as modalidades esportivas de alto rendimento continuarão a treinar no mesmo espaço; apenas o campo de futebol improvisado atrás do campo de atletismo será transferido para outro local. Cogita-se que para a área da antiga favela San Remo, próximo ao Jardim Munhoz e ao condomínio Único.

A Sabesp assumiu o compromisso de implantar uma cerca verde em volta de todo o equipamento, para isolar completamente o local. “Nossa missão não é criar problemas, mas apresentar soluções”, garantiu o gerente de departamento da UGR Guarulhos, Valdemir Viana de Freitas.

Segundo Freitas, a estação será seis vezes menor que as tradicionais, construída em aço inoxidável, pré-moldada na indústria, com alta tecnologia, garantindo zero por cento de impacto no trânsito e nas residências do entorno, muito diferente da construção de um edifício, por exemplo.  

“A escolha da localização não é política, mas técnica”, afirmou Freitas. “Todo o esgoto da região central converge exatamente para o canal de circunvalação da Ponte Grande.” O técnico explicou que a tentativa de fazer a mesma intervenção no Centro de Guarulhos geraria um caos viário, que afetaria a população de todo o município, sem alcançar os mesmos índices de tratamento.  

Ainda segundo ele, outros terrenos foram estudados, mas o Ministério Público não autorizou a instalação do equipamento, por causa de demandas do Parque Ecológico do Tietê. Questionado sobre a desvalorização dos imóveis em função das obras, o técnico garantiu que os impactos serão positivos, pois o equipamento terá baixo ruído e haverá neutralização dos odores.  

De acordo com o analista de gestão da UGR Guarulhos, Samuel Camargo Neto, as estações de tratamento de esgoto de Guarulhos, subutilizadas até 2018, passaram a operar com eficiência, após a instalação de troncos coletores; a taxa de tratamento, em um ano e meio, teve um aumento exponencial, de 2% para 20%. As obras da nova estação de tratamento na Ponte Grande devem aumentar em 30% esse percentual.  

A iniciativa de Guarulhos não é isolada; municípios de todo o Brasil devem se adequar às exigências do novo marco legal de universalização do saneamento até 2033, sob pena de sofrerem restrições fiscais. A apresentação do projeto de implantação da estação de tratamento está disponível, na íntegra, no link a seguir: https://www.guarulhos.sp.leg.br/apresentacao-reuniao-publica-tecnica/view 

Nesta sexta-feira, o jornalista Maurício Siqueira e o cinegrafista Douglas Aguado, do Guarulhos Hoje TV, estiveram no Parque do Ibirapuera, para conhecer de perto uma URQ lá instalada. Segundo o gerente Valdemir Freitas, eles puderam comprovar que a unidade opera sem exalar mau cheiro.

Participantes de movimentos de preservação do Patrimônio Histórico defendem que, tendo havido pedido de tombamento do Estádio, nenhuma alteração poderia ali ser efetivada, mesmo que o pleito ainda não tenha sido analisado.

Como os moradores do entorno do Estádio posicionam-se fortemente contrários à instalação da URQ, é previsto que a aprovação pelo Legislativo terá desdobramentos, como a busca do Judiciário para tentar barrar a obra, que Valdemir Freitas reputa como urgente, tendo em vista a necessidade de Guarulhos cumprir Termo de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público quanto ao aumento significativo do percentual de esgoto da cidade que seja tratado.

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