O encenador Gabriel Villela apresenta “Henrique IV”, obra adaptada de texto de Luigi Pirandello. O espetáculo, que estreou em 28 de abril de 2022 no Teatro Antunes Filho, no Sesc Vila Mariana, narra a história de um nobre que acredita (ou finge acreditar) ser um imperador de oito séculos antes, depois de sofrer um acidente.
Chico Carvalho interpreta Henrique IV, Rosana Stavis é a Marquesa Matilde da Toscana, seu amor não mais correspondido, Hélio Cícero, o Doutor Genoni, que tenta trazer Henrique IV de volta à sanidade e André Hendges, o Barão Tito Belcredi, amante da Marquesa. Acompanhando Chico Carvalho em cena, seus dois camareiros-cantores Artur Volpi, o Oração, e Breno Manfredini, o Sonho. Todo o elenco compõe o quadro de espelhamento disforme do protagonista, que toma distância da própria existência e vê a si mesmo ridicularizado pelo olhar dos outros.
O elenco tem ainda: Regina França (como Frida), Rogerio Romera (como Carlo Di Nolli), além do músico Jonatan Harold, que toca piano ao vivo para acompanhar o elenco e é responsável pela direção musical, juntamente à Babaya Morais.
A peça, em três atos sem intervalo, tem cenário de J.C. Serroni. Para essa nova parceria com Villela, o cenógrafo escolheu ressaltar os aspectos circenses e homenagear o encenador mineiro, com direito a picadeiro e arena.
“E Gabriel Villela joga a encenação num circo teatro, não de cores vivas como de costume, já que ali habitam os fantasmas que rondam a cabeça do nosso Henrique, o que me traz um caminho claro para a encenação: um circo em desconstrução de uma trupe itinerante com sua carroça encenando por castelos medievais”, conta Serroni.
Os figurinos são de Gabriel Villela e trazem tecidos das mais variadas origens, muitos bordados, adamascados da igreja ortodoxa grega e muito colorido. A iluminação é de Caetano Vilela.
Elementos cênicos
Mestre na crítica ao mundo, às suas aparências e convenções, Pirandello monta em Henrique IV um cômico e revelador jogo de espelhos. Um jovem fantasiado de Henrique IV perde a razão a caminho de uma festa de Carnaval, passando a acreditar que é de fato o imperador. Nesta versão dirigida por Villela, a história é contada por uma companhia de circo mambembe (e fictícia) italiana chamada “Francisco Eugydio do Calvário”, que apresenta o drama de circo-teatro “Enrico IV” ao público.
Além disso, fazem parte da montagem várias menções contemporâneas — as canções cantadas ao vivo pelos atores, figurino e maquiagem fellinianos, numa lembrança feita ao cinema, entre outras. A escolha das músicas levou em consideração alguns fatores como o diálogo das letras com o texto e com a ação da peça, e são cantadas em italiano e em inglês (os dois idiomas que referenciam o texto em cena). No repertório estão “The Logical Song”, do Supertramp, “Bang Bang (My Baby Shot Me Down)”, da Nancy Sinatra, “Canzone Arrabbiata”, do Nino Rota, “I Started a Joke”, dos Bee Gees, e “Lascia Ch’io Pianga”, de Georg F. Händel.
“Pobre daquele que não sabe usar a sua máscara“
Henrique IV trata sobre a psicologia dos loucos e como a loucura é uma forma de representação e de simulação também. Henrique IV parece ser louco aos olhos de seus companheiros, mas finge estar louco porque só aos loucos é dado o direito de dizer certas verdades.
O drama Henrique IV foi escrito por Pirandello em 1922 e estreou um ano depois do sucesso de Seis Personagens em Busca de Autor, que já tratava sobre os desdobramentos de personalidades (e de personagens). A narrativa se desenvolve em Úmbria, no centro da Itália (Perugia), na época em que foi escrita. O nobre que dá nome à peça viveu nos anos 1500, e, ao cair do cavalo, considera ser o imperador da Alemanha (que reinou por volta de 1050) — por isso há saltos temporais no texto.
A peça faz um jogo imbricado e permite à plateia uma série de possíveis leituras, sempre mostrando que todos representam papéis — seja na sociedade, na vida e até mesmo os atores, nos palcos. A linguagem circense ainda possibilita a leitura segundo a qual a trupe em cena brinca de ser ou parecer louca.
Villela optou por combinar atores de diferentes idades e experiências, apesar de voltar a trabalhar com parte do elenco de Estado de Sítio, como Chico Carvalho, Rosana Stavis, André Hendges e Rogerio Romera.
A ideia é que a dicotomia do texto de Pirandello (entre lucidez e loucura, sinceridade e fingimento, clareza e obscurantismo, ser e parecer e entre o dia e a noite) possibilite o jogo cênico. O autor italiano em seus textos aproximava o relativismo existencial de seus personagens à teoria da relatividade de Einstein (documentos da época mostram um encontro dos dois, Einstein e Pirandello, em um camarim de teatro na Itália).
Ficha Técnica
- Autor: Luigi Pirandello
- Tradução: Claudio Fontana
- Direção e Figurinos: Gabriel Villela
- Elenco: Chico Carvalho, Rosana Stavis, Hélio Cícero, André Hendges, Regina França, Rogerio Romera, Jonatan Harold, Breno Manfredini e Artur Volpi.
- Cenografia: J C Serroni
- Iluminação: Caetano Vilela
- Diretores Assistentes: Ivan Andrade e Douglas Novais
- Direção Musical, canto e arranjos vocais e instrumentais: Babaya e Jonatan Harold
- Assistente de Figurinos: José Rosa
- Adereços de arte: Jair Soares Jr
- Costureira: Zilda Peres
- Maquiagem: Claudinei Hidalgo
- Fotografia: João Caldas Filho
- Assistência de Fotografia: Andréia Machado
- Diretor de Palco: Tinho Viana
- Operador de luz: PH Moreira
- Camareiras: Ana Lucia Laurino e Maria Helena Arruda
- Produção Executiva: Augusto Vieira
- Direção de Produção: Claudio Fontana
- Apoio: Só Dança
Henrique IV
De 26 a 28 de agosto. Sexta e sábado às 20h. Domingo às 18h.
- 14 anos
- Teatro. 356 lugares.
- Ingressos: R$ 40,00 (inteira); R$ 20,00 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência); R$ 12,00 credencial plena (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).
- Ingressos à venda em sescsp.org.br, e nas bilheterias das unidades.
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- guarulhos-2/)
