InícioCIDADEVereadora promete recorrer contra shows no Parque Cecap

Vereadora promete recorrer contra shows no Parque Cecap

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Em uma reunião aberta na praça Mamonas Assassinas, moradores do Parque Cecap receberam neste domingo, 30.11, informações acerca das ações movidas contra a realização do Fest Show em uma área ao lado do conjunto residencial.

A vereadora Fernanda Curti (PT) citou parte da sentença judicial que negou a concessão de medida liminar que poderia impedir a realização da festa programada pela Prefeitura de 5 a 8 de dezembro. Conforme noticiado pelo Click Guarulhos, o juiz da 2a. Vara da Fazenda Pública de Guarulhos, Alex Freitas Lima, o magistrado aceitou o argumento do prefeito de que a paralisação das obras poderia vir a causar inundações no local, ao contrário do que entendem os moradores de que as obras é que, tendo aterrado área de acomodação das águas das chuvas, podem provocar enchentes nas ruas que circundam os condomínios. Na decisão, o magistrado afirmou que “frustrar a programação oficial geraria prejuízos contratuais e à imagem da Administração Pública”.

Ela afirmou que só desiste de lutar quando não há mais nenhuma chance de vencer e que sua assessoria jurídica irá recorrer a instância superior, fundamentalmente por duas razões: o parecer do Ministério Público contrário ao evento e o teor da sentença judicial, que considera absurda: “O juiz não está preocupado com o meio ambiente, nem com os transtornos que vocês moradores estão tendo com as obras e que terão com o show. Ele está preocupado com a imagem do prefeito”, concluiu. Curti disse também que setores ligados à Administração buscam atribuir que ela e outros que estão se mobilizando são contra shows e cultura. “Muito pelo contrário! Somos a favor de cultura, mas feita com planejamento, em locais adequados, sem desrespeitar as leis e os direitos das pessoas”.

A ex-vereadora Luíza Cordeiro, moradora do conjunto desde o fim da década de 1970, chamou para falar duas mães que citaram problemas que já estão tendo com seus filhos devido à movimentação no local da obra e que tendem a se agravar com a realização dos shows.

Uma delas tem bebê de dois meses, que se assusta com a passagem dos caminhões. Ela é da área da saúde e frisou que vários problemas podem afetar idosos e pessoas que tenham quaisquer comorbidades. Outra mãe tem um filho de dez anos, com Transtorno do Espectro Autista. Relatou que, mesmo sendo de grau 1 e gostando de música, ele fica incontrolável diante de ruídos muito altos. Disse que o menino já demonstra preocupação com o que irá acontecer se os shows forem mesmo feitos ali. Sendo o local aberto, sem nenhum tratamento acústico, ela até cogitou fazer uma viagem nos dias dos shows, para evitar problemas ao garoto, mas os planos não deram certo e família não poderá viajar.

Luíza disse que o movimento contrário aos shows manteve contatos com a Polícia Militar, sendo informado que até dias atrás a Corporação não havia recebido nenhuma solicitação das autoridades municipais para policiamento do evento. Na Polícia Civil, ouviram que não tem estrutura para oferecer segurança ao local. Apenas a Guarda Civil Municipal garantiu que atuará na segurança do evento, que tem público previsto de 70 mil pessoas por dia.

Vários moradores manifestaram-se ao Click Guarulhos, citando estranhar as declarações do prefeito de que a Prefeitura não terá custos com o evento. “Como não, se há inúmeros caminhões com logotipo da Prefeitura trabalhando na obra?”. Outro argumentou que há máquinas e caminhões pertencentes a empresas que prestam serviços à Prefeitura. “Se elas não cobrarão diretamente pelo serviço que estão fazendo aqui, certamente incluirão o custo em outro trabalho prestado ao município. Não existe almoço grátis”, reforçou outro morador. Um terceiro disse não acreditar que consigam impedir os shows, mas que o transtorno será tal que os responsáveis terão de responder por isso de alguma forma. “Isso não pode ficar assim. É um desrespeito aos moradores. Por que não fazem naquele terreno aterrado ao lado da Dutra que já causou polêmica no passado? Lá, entre as duas rodovias, não incomodariam moradores. Podem argumentar que lá será um centro logístico. E daí? Não dizem que é só provisório e que a estrutura será retirada após os shows? O local foi muito mal escolhido. Acho que esses shows são só pretexto: eles queriam mesmo aterrar essa área e encontraram um jeito de iludir a opinião pública, que gosta de pão e circo. Quem irá recuperar as nascentes?”, concluiu deixando no ar a pergunta.

A vereadora Janete Pietá (Rede) e o ex-prefeito Elói Pietá (Solidariedade) também compareceram à reunião.

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