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Dia Nacional do Diabetes acende alerta para sintomas em crianças e riscos na gravidez

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O diabetes avança de forma acelerada no Brasil, exigindo atenção redobrada da população. Dados recentes do sistema de monitoramento Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, divulgados em janeiro de 2026, apontam que a porcentagem de adultos que convivem com a doença saltou de 5,5% para 12,9%, esse crescimento significa que, hoje, aproximadamente 20 milhões de brasileiros têm o diagnóstico.

O tema ganha força em duas frentes principais no calendário da saúde: hoje, dia 26 de junho, quando se marca o Dia Nacional do Diabetes, e em 14 de novembro, data em que ocorre o Dia Mundial do Diabetes. Ambas as ocasiões funcionam como movimentos para a conscientização de uma doença que raramente surge sozinha.

Os dados do governo acendem o alerta para um ‘efeito dominó’ na saúde dos brasileiros: entre 2006 e 2024, a obesidade cresceu 118%, o excesso de peso subiu 47% e a hipertensão avançou 31%. Esse combo de fatores de risco sobrecarrega diretamente o pâncreas. Sem dar conta da demanda, o órgão falha na produção da insulina, hormônio que regula as taxas de açúcar no sangue. 

De acordo com a endocrinologista do Hospital Nipo-Brasileiro (HNIPO), Vera Nakamura, entender que o diabetes se manifesta de formas muito diferentes é o primeiro passo para se prevenir e evitar complicações graves que afetam desde a visão até a saúde dos rins e do coração.

Os 3 Tipos de Diabetes: o que você precisa saber?

  • Diabetes Tipo 1 (Atenção com crianças e jovens): é uma doença autoimune, ou seja, o próprio corpo destrói as células do pâncreas, fazendo com que ele pare de fabricar insulina de repente. Representa de 5% a 10% dos casos e não tem nenhuma relação com o estilo de vida. Em crianças e adolescentes, o quadro evolui muito rápido. Pais e professores devem ficar atentos aos quatro sinais clássicos: sede excessiva, aumento da fome, perda de peso sem motivo aparente e vontade frequente de urinar. O diagnóstico rápido é crucial para evitar o agravamento da doença e o surgimento de sequelas neurológicas graves.
  • Diabetes Tipo 2 (Ligado aos hábitos do dia a dia): é o tipo mais comum, respondendo por cerca de 90% dos casos. Ele acontece quando o corpo cria uma resistência à ação da insulina. Está diretamente ligado ao sedentarismo, à obesidade, à má alimentação e a fatores genéticos. A boa notícia é que, ao contrário do Tipo 1, o Tipo 2 pode ser prevenido com a mudança de hábitos.
  • Diabetes Gestacional (Atenção na gravidez): desenvolve-se temporariamente durante a gestação devido às mudanças hormonais causadas pela placenta, que reduzem a eficácia da insulina. Para compensar, o pâncreas da mãe precisa trabalhar em dobro. Quando o órgão não consegue dar conta, o açúcar no sangue sobe. Se não for controlado, o bebê recebe glicose em excesso, o que eleva o risco de crescimento exagerado da criança (macrossomia), partos traumáticos, quedas bruscas de açúcar no recém-nascido (hipoglicemia neonatal) e maior risco de o filho desenvolver obesidade e diabetes na vida adulta.

O perigo das complicações ocultas

Quando o açúcar no sangue permanece alto por muito tempo, os danos ao corpo podem ser severos. Os especialistas do HNIPO listam algumas das principais complicações geradas pela falta de controle da glicemia.

  • Alteração de sensibilidade e circulação: a neuropatia afeta os nervos das pernas e braços, podendo causar o “pé diabético” que, se ignorado, evolui para necrose e amputação. Problemas circulatórios também aumentam o risco de perda auditiva.
  • Visão e Rins: o diabetes lesiona os vasos dos olhos (retinopatia), podendo levar à cegueira, e sobrecarrega os rins (nefropatia), o que pode causar insuficiência renal crônica e dependência de diálise.
  • Bem-estar e imunidade: pacientes têm maior risco de infecções na pele e sepse (infecção geral grave). Além disso, a condição pode afetar diretamente a vida íntima de homens e mulheres, provocando disfunção erétil e perda de libido.

Prevenção na prática

Para barrar o avanço do Diabetes Tipo 2 e proteger o organismo, o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam três metas simples para incluir na rotina:

  1. Movimente-se: pratique pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana (apenas 30 minutos por dia, 5 vezes por semana). Embora o número de brasileiros que se exercitam seja de 42%, de acordo com o levantamento da Bain Inteligência e Estratégia, 58% continuam sedentários.
  2. Abra menos embalagens, descasque mais: reduza drasticamente o consumo de alimentos ultraprocessados, açúcares simples e carboidratos refinados (como farinha branca). Priorizar uma alimentação saudável ajuda a controlar o peso, o colesterol e os triglicérides.
  3. Durma bem: mantenha uma rotina de sono de 7 a 9 horas por noite. O descanso de qualidade ajuda a regular os hormônios que controlam o apetite e o metabolismo.

Tanto o Dia Nacional quanto o Dia Mundial do Diabetes reforçam que o cuidado com a saúde não deve acontecer apenas diante de um sintoma, mas sim todos os dias, por meio de escolhas conscientes no prato, na rotina de exercícios e no monitoramento preventivo.

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