InícioCIDADENão nasceu quem possa me chamar de mau caráter!

Não nasceu quem possa me chamar de mau caráter!

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Acho muito difícil que alguém possa fazer uma cobertura mais isenta do que estamos procurando fazer no Click Guarulhos, a respeito da ocupação das escolas estaduais pelo movimento contrário à reorganização determinada pelo governo estadual.

Na ocupação da EE Conselheiro Crispiniano, noticiamos o fato, ouvimos a diretora e seus argumentos, postamos fotos de alunos de mãos dadas no pátio da escola e de outros limpando a unidade.

Quando a EE Profa. Alice Chuery foi ocupada, lá estive poucos minutos depois e vi de perto o embate entre professores favoráveis e outros contrários à ocupação.

Estive na porta da EE Frederico Barros Brotero e testemunhei mães preocupadas com a integridade física e emocional de seus filhos, muitos deles com necessidades especiais, diante da possibilidade de a escola ser ocupada, ou invadida, na linguagem de alguns pais e professores.

Agora à tarde, fui à EE Vereador Antonio de Ré, onde já estive várias vezes fazendo palestras ou participando de saraus e outras atividades culturais. Lá, presenciei professores da unidade determinados a não permitir que a escola seja ocupada, enquanto professores e outras pessoas estranhas à escola insistiam em dizer que já estava ocupada.

Ouvi a presidente do Grêmio e outra aluna afirmando que são contra a reorganização, mas entendem que a ocupação irá ser prejudicial, principalmente a alunos do terceiro ano do nível médio.

Circulando entre membros do movimento da ocupação, ouvi uma militante dizer que acabara de pedir reforço de segurança ao Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Guarulhos – Sincoverg, presidido pelo vereador Maurício Brinquinho (PT).

Indaguei por que um sindicato estranho à Educação iria se envolver em uma questão que nada tem a ver com à categoria. Foi o bastante para começarem a me insultar. Reclamaram porque o Click publicou a entrevista com a diretora do Conselheiro. Argumentei que também postamos a posição dos ocupantes, de que tudo estaria transcorrendo em paz.

Um dos militantes disse, em tom de ironia, que “a imprensa é livre”. Respondi que, sim, a imprensa é livre, mesmo que alguns sejam contra a liberdade de imprensa. Argumentei que minha esposa leciona na rede estadual e eles duvidaram. Acusaram-se me não saber nada sobre Educação porque meus filhos estudaram em escola particular. Acertaram em parte, pois dois de meus filhos foram alunos da EE Francisco Antunes Filho, no Parque Cecap, e na Escola Técnica Industrial de São Paulo, ambas estaduais.

Outra militante afirmou que a imprensa é vendida e mau caráter. Respondi que não admitia que dissesse isso a meu respeito. Outros acusaram-me de “coxinha”, “vendido” e “agente infiltrado do Alckmin”. Afirmei que nossos veículos de comunicação, sejam as revistas ou o Click Guarulhos, jamais receberam um centavo sequer de verba de publicidade do Estado. Riram na minha cara e insistiram que a imprensa é mau caráter. Se há quem seja mau caráter na Imprensa, não me compete dizer, negar ou defender. Mas reagi, afirmando que ainda não nasceu quem tenha direito de dizer isso de mim, que eu estava ali cumprindo o dever de cobrir o que estava acontecendo. Eu estava com os braços cruzados e quando disse isso à militante, ela gritou que eu a estava agredindo e que iria me enquadrar na Lei Maria da Penha. Retruquei, dizendo que ela é que estava me ofendendo e que eu estava com os braços cruzados, portanto não a estava agredindo. Nesse momento, diversos membros do movimento cercaram-me, determinando que eu me retirasse dali.

Foi quando gravei o áudio que foi postado aqui no Click há pouco, enquanto caminhava em direção ao portão. Fui alcançado por uma professora da EE Antonio de Ré, que me reconheceu, e que me levou de volta para dentro da escola, mostrando-me os militantes que estavam no pátio interno e que tinham a seu favor alguns jovens alunos.

Presenciei alunas discutindo com professoras, afirmando que estão exercendo um direito de cidadania que seus pais lhes ensinaram. Perguntei a uma das meninas o que aconteceria com os alunos do terceiro ano do ensino médio que passarem no vestibular e não tiverem podido receber o histórico escolar para matricular-se. Ela respondeu: “Eu tô pouco se lixando com eles. Cada um cada um. Nossa luta é muito maior. É pela Educação”.

Uma das professoras argumentou com ela: “Como eu olharei nos seus olhos no ano que vem, se você fala comigo nesse tom? O amor, o carinho que sempre dediquei a vocês, alunos, não vale nada? Vamos ver amanhã na Assembleia a opinião da maioria, com a presença dos pais.” A jovem respondeu que os pais trabalham, mas que ela, mesmo sendo menor, sabe se defender e definir o que é melhor para o futuro delas, pois os pais a ensinaram a não aceitar imposições.

Percebo que há jovens que têm noção do que dizem, enquanto outros vão na onde de outros e do discurso de grupos organizados.

Nos anos 1980, quando o PT tinha apenas dois vereadores em Guarulhos, Elói Pietá e Antonio Batista Gonçalves, o Jornal Olho Vivo, que fundei e dirigi por 28 anos, era a única trincheira que eles tinham para fazer denúncias do que acontecia de errado na cidade. E o prefeito de então, De Carlos, havia sido eleito pelo PMDB, partido pelo qual eu fora candidato a vereador em 1982. Mesmo assim, ele nunca foi poupado pelo jornal. Em 1983, o jornalista Castelo Hanssen foi demitido da Folha Metropolitana, por ter publicado pequena matéria na qual Elói defendia que fossem autorizadas lotações em Guarulhos. O dono do jornal era também de empresas de ônibus. Castelo foi admitido pelo Olho Vivo e sua presença foi de suma importância para o gradativo mas constante crescimento do jornal.

Se Elói se reelegeu em 1988, e em 1990 elegeu-se deputado, em parte foi graças às publicações que fiz das denúncias que ele formulou.

O Olho Vivo nunca se calou diante de todos os desmandos, quaisquer que fossem os partidos que estivessem no poder. Lógico que teve influência no desgaste das gestões de Paschoal Thomeu e Vicentino Papotto. Nunca tive nada contra eles, mas a população sempre busca os órgãos de Imprensa para queixar-se das autoridades, nunca para elogiá-las. Assim, quando houve o segundo turno entre Thomeu e Néfi Tales em 1996 e Néfi obteve ampla vitória, poderiam esperar que o Olho Vivo se aliasse a ele.

Ledo engano. O Olho Vivo foi o primeiro a publicar denúncias contra a gestão de Tales, tive papel preponderante na apuração das denúncias de compra de fazendas e outras propriedades pela família dele. Integrei a Associação Guarulhense para Defesa da Cidadania, presidida por Luis Roberto Mesquita, e que teve papel fundamental no afastamento judicial de Tales, sua cassação e prisão.

Assumindo o vice, Jovino Cândido, ele esperava que o Olho Vivo o apoiasse. Mas, não! Mesmo tendo por 3 meses a publicação do Boletim Oficial da Prefeitura, o jornal manteve sua linha de atuação, publicando tudo que surgia contra a gestão de Jovino.

Em 2000, Elói Pietá (PT) venceu as eleições e em 2001 assumiu como prefeito. Em poucos meses, ele já se queixava da linha de conduta do Olho Vivo, porque publicava denúncias de irregularidades em sua administração, algumas das quais depois lhe renderam condenações na Justiça e que, segundo o denunciante, Waldomiro Ramos, pode até impedi-lo de candidatar-se a prefeito em 2016.

A própria Apeoesp, cujos membros hoje me atacam, foi muito beneficiada pela linha editorial isenta do Olho Vivo. Uma de suas líderes, Ozani Martiniano, viu publicadas inúmeras acusações e queixas que fazia, no decorrer de mandatos de prefeitos anteriores e mesmo depois que o PT assumiu à Prefeitura. Que o diga a então secretária municipal de Educação e vice-prefeita, professora Eneide Moreira, alvo de muitas denúncias feitas por Ozani e pessoas ligadas a ela.

Enfim, em quase 35 anos de exercício da profissão de jornalista, jamais abdiquei da minha independência e nunca auferi alguma vantagem financeira para me calar ou para tomar determinada posição.

Nunca admiti, não admito e nunca admitirei que ninguém levante dúvidas quanto à minha idoneidade moral e ética. Ainda não nasceu quem poderia se arvorar esse direito.

 

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