InícioARTEA crítica social na obra criativa de Roberto Faria

A crítica social na obra criativa de Roberto Faria

O repórter-fotográfico Antonio Roberto Faria, que atuou na revista Siga e no jornal Tribuna de Guarulhos, após aposentar-se vem se dedicando a uma arte na qual busca expressar sua indignação perante as injustiças sociais e ao déficit habitacional do Brasil.

Faria utiliza material reciclado, como palitos de sorvetes e de pirulitos, papelão de embalagens, retalhos de compensados de madeira, cola branca e muita imaginação, produzindo maquetes de edifícios conhecidos e também de construções que são frutos de sua mente. Sempre acrescenta ambientes de favelas em torno de prédios públicos e usa essa metáfora como crítica social.

Ele conta que quando trabalhava como repórter-fotográfico fazia editoria de polícia, entrava em favelas diariamente e tinha contato com os moradores, uma vida sofrida com a qual nunca se conformou.

“Esse povo é abandonado pelo poder público. Na minha opinião, enquanto as ONGs estiverem distribuindo sopa e cobertores, nossos governantes continuarão empurrando com a barriga esse problema habitacional absurdo. Quem se inscreve no programa Minha casa, minha vida, leva mais ou menos cinco anos pra ser chamado. Em decorrência desse abandono do pobre sem moradia, em alguns anos teremos sem-tetos morando em todos os lugares”, desabafa.

Roberto Faria cita locais como o Centro de São Paulo, embaixo do Minhocão (elevado) e outros, onde muitas pessoas estão morando, por falta de opção.

“As estatística não conseguem medir a realidade, pois são nômades. É absurda a quantidade de gente que não tem onde morar. Em minhas pequenas maquetes, faço uma caricatura da cidade, mostrando às autoridades que, se não fizerem nada, teremos verdadeiros conglomerados de gente pobre morando nas ruas”, comenta.

Menciona que começou a fazer as maquetes como uma distração para os netos. “Com uma simples casa da bruxa malvada – brinca. E logo depois me animei e comecei a fazer mais e mais e não consigo parar. Virou um hábito saudável, pois estou com 71 anos e é um grande passatempo”, diz.

Após as primeiras maquetes, alguns amigos começaram a pedir e comprar.

“Não faço pelo dinheiro. Mas ele é bem-vindo. Comecei a negociar em São Paulo, na praça Benedito Calixto, onde existe uma feira de artesanatos com uma frequência muito boa de turistas. Consigo vender algumas e levar meu trabalho para fora. Já existem favelinhas feitas por mim no Canadá, em Portugal, Alemanha, Irlanda e nos Estados Unidos. Mas, meu objetivo maior é que um dia esse povo possa ser ajudado a sair dessa situação de rua”, conclui.

Para encomendar uma maquete ou fazer contato com Roberto Faria, o WhatsApp é (11) 97235-5683.

Catedral de Nossa Senhora da Conceição, Guarulhos
Cena típica de favela
Uma das primeiras criações de Faria
Maquetes também podem ter luzes internas e servirem como abajur
Miniatura dentro de uma lâmpada
Roberto Faria quando trabalhava como repórter-fotográfico

Compartilhe

PUBLICIDADE
Redes Sociais
32,279SeguidoresCurtir
11,922SeguidoresSeguir
1,308InscritosInscrever

Últimas Publicações

PUBLICIDADE