Nos dias 5 e 6 de novembro a Cia Barca dos Corações Partidos apresenta o espetáculo Museu Nacional (Todas as vozes do fogo) no Sesc Guarulhos. O espetáculo foi criado por Vinícius Calderoni a partir da tragédia ocorrida no Museu Nacional, que perdeu grande parte de seu acervo em incêndio ocorrido em 2018.
Os ingressos para as apresentações estão disponíveis em sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades.
Museu Nacional [todas as vozes do fogo]
Destruído por um incêndio de grandes proporções em setembro de 2018, ano de seu bicentenário, o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, perdeu grande parte do seu impressionante acervo de cerca de 20 milhões de itens. A tragédia – em todo o seu valor real e simbólico –, foi o ponto de partida para a criação do espetáculo. Com texto e músicas originais, Museu Nacional [todas as vozes do fogo], foi escrito e dirigido por Vinicius Calderoni e tem direção musical de Alfredo Del-Penho e Beto Lemos. O musical estreou na mesma época em que o Museu dá os primeiros sinais de sua recuperação ao reinaugurar sua fachada e jardins, e marca também os dez anos da premiada Cia Barca dos Corações Partidos e os 30 anos da Sarau Cultura Brasileira, parceira do grupo em toda a sua trajetória, dirigida pela produtora artística Andréa Alves. Após estreia nacional, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, o musical será apresentado no Sesc Guarulhos, nos dias 5 e 6 de novembro.
“Entendo esse espetáculo como a conclusão de uma trilogia não planejada com a Sarau. Escrevi Elza, a história de uma pessoa; depois escrevi e dirigi Sísifo, a recriação livre de um mito, e agora, em Museu Nacional [todos as vozes do fogo], falo sobre a história de um lugar, que representa a fundação de um país e abrigou uma série de eventos históricos: foi a casa do Império; foi onde Leopoldina assinou a declaração de independência do Brasil; onde foi assinada a primeira Constituição do país; onde se deu o início da República; e originalmente foi a casa de um mercador de escravizados. E ao mesmo tempo é esse lugar que passou a reunir um patrimônio gigantesco, que encerra todas essas contradições. Por isso o incêndio de uma maneira é o fim de uma ideia de Brasil. Tem essa carga simbólica”, analisa Vinicius Calderoni.
“Todas as Vozes do Fogo é um estudo de como um país cultiva, armazena e conserva sua memória – e
todas as suas implicações simbólicas e concretas. É um mergulho imaginativo e lírico em múltiplas
camadas de passado para pensar de maneira urgente nosso presente imediato e o futuro que estamos
construindo”, resume Andréa Alves, diretora de produção e idealizadora do espetáculo.
Em meio aos escombros do museu, peças do acervo estão sendo resgatadas e recuperadas, em um longo e minucioso processo. Uma das mais emblemáticas é o esqueleto humano de mais de 11 mil anos descoberto em Lagoa Santa (MG), em 1975. O mais antigo remanescente humano encontrado no país – a mulher de traços afro-indígenas batizada de Luzia –, cujo crânio resistiu ao incêndio no Museu, ganha vida e assume o papel de narradora atemporal do espetáculo, criando pontes entre diferentes momentos da história, na pele da atriz Ana Carbatti. Luzia, ela própria uma ‘sobrevivente’ do incêndio, faz uma espécie de visita guiada pelo edifício interditado pelo fogo, pelos setores do museu e suas peças, no primeiro dos três atos do espetáculo.
No segundo ato, os limites do prédio são extrapolados e o Museu Nacional se transforma em uma metáfora da memória do Brasil, começando pela origem escravocrata, as oligarquias brancas, os povos originários e os povos negros. O terceiro e último ato trata do momento atual, a devastação do museu e do próprio país, de forma mais sóbria e realista. “Cada ato tem vetores de linguagem bem distintos: o primeiro mais lírico, o segundo com um tom mais paródico, cáustico, e o terceiro mais realista, sóbrio, sem artifícios. Não há personagens fixos e o elenco se alterna em dezenas de personagens, sejam pessoas ou objetos. E a música ajuda a amalgamar esses três momentos, criando uma unidade para essas intensidades tão diferentes”, detalha Calderoni.
As cerca de 20 canções inéditas do espetáculo passeiam por diversos ritmos brasileiros e foram
compostas por Alfredo Del-Penho e Beto Lemos – que assinam a direção musical – por Vinicius
Calderoni e pelos atores, músicos e compositores Adrén Alves, Lucas dos Prazeres e Ricca Barros, e são cantadas e tocadas por todo o elenco. Além de cinco integrantes da Barca – os atores e multi-
instrumentistas Adrén Alves, Alfredo Del-Penho, Beto Lemos, Eduardo Rios e Ricca Barros – o musical
conta com mais sete artistas convidados: Adassa Martins, Aline Gonçalves, Ana Carbatti, Felipe Frazão, Lucas dos Prazeres, Luiza Loroza e Rosa Peixoto.
Cia Barca dos Corações Partidos
A Barca dos Corações Partidos nasceu em 2012, no espetáculo Gonzagão – A lenda. Ao longo de dez
anos, levou mais de 700 mil espectadores a teatros de todo o Brasil, praças públicas e ao palco digital. Ao lado da produtora artística e idealizadora Andréa Alves, apresenta aqui seu sétimo espetáculo, selando cada vez mais uma digital de originalidade na dramaturgia do texto e nas músicas. Em 2014, o espetáculo Gonzagão – A lenda foi convidado especial da abertura do Festival Ibero-americano de Teatro de Bogotá́ (Colômbia). Composta por seis atores-bailarinos e multi-instrumentistas, a formação híbrida de seus integrantes dá o tom do grupo. Seus espetáculos são prestigiados por críticos como Mauro Ferreira e Zuza Homem de Mello e já contaram com a participação de criadores como João Falcão, Duda Maia, Luiz Carlos Vasconcellos, Bia Lessa, Chico César e Bráulio Tavares. Museu Nacional [todas as vozes do fogo]
Cia Barca dos Corações Partidos
- Dias 5 e 6 de novembro. Sábado às 20h. Domingo às 18h.
- 12 anos
- Teatro. 356 lugares.
- Ingressos: R$ 40,00 (inteira); R$ 20,00 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos,
- aposentados e pessoas com deficiência); R$ 12,00 credencial plena (trabalhador do comércio de bens,
- serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).
Sesc Guarulhos
- Rua Guilherme Lino dos Santos, nº 1.200, Jardim Flor do Campo, Guarulhos. SP
- Telefone: (11) 2475-5550
- Horário de funcionamento
- De terça a sexta, das 9h às 21h30. Sábados das 9h às 20h. Domingos e feriados das 9h às 18h.
- Estacionamento
- Capacidade limitada. Respeite sempre as vagas preferenciais.
- Valores: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2 por hora adicional (Credencial Plena) R$ 12 a primeira hora e R$ 3 por hora adicional (Outros)
