O governo vê com alguma simpatia a ideia vinda dos bancos de acabar com o rotativo do cartão de crédito, parcelando diretamente o montante não pago no vencimento, mas não é suficiente para resolver o problema dos altos juros nessas operações. A iniciativa ainda está em estudo, porém, na leitura da equipe econômica, tem potencial de reduzir substancialmente as taxas de financiamento.
Segundo o JOTA apurou, o governo entende que a medida não pode ser isolada porque o nível de juros, mesmo à metade, seguiria muito alto, provocando inadimplência, que já é excessiva no segmento.
De acordo com os dados mais recentes do Banco Central, o juro médio do rotativo do cartão é de 455% ao ano, enquanto o parcelado no cartão é de 194,3%. Para se ter uma ideia, esse custo do parcelado é mais de 60 pontos superior ao do cheque especial, atualmente em cerca de 130% anuais e que tem um tabelamento em vigor.
A estratégia para tentar melhorar a situação do cartão de crédito passa por maior transparência nessas taxas, durante a operação do cliente, tentando deixar mais clara as consequências “desastrosas” de se financiar com juros tão altos.
Também visa desestimular a análise de curto prazo para uma visão de médio e longo prazo. E buscar incentivar pagamentos maiores à vista e com prazos mais alongados à medida que se amplia o nível de quitação da fatura no vencimento.
No rotativo os calotes chegam a 54%, enquanto no parcelado caem para 8,7%, aponta os dados do BC. Essa segunda perde apenas para a inadimplência de 13,2% do cheque especial. Na visão do governo, esse quadro acaba levando a situações até de prejuízo em alguns operadores do setor, mesmo com as tarifas cobradas dos lojistas e os serviços associados.

