Em 16 de novembro é celebrado o Dia Nacional dos Ostomizados. Mas, afinal, o que são ostomizados? Uma pessoa ostomizada é aquela com um estoma, isto é, um paciente que passou por intervenção cirúrgica para abrir no corpo uma saída alternativa de fezes ou urina, ou algum caminho para auxiliar na respiração e na alimentação. Essa abertura é chamada de “estoma”. Segundo a Associação Brasileira de Ostomizados (Abraso), estima-se que existam cerca de 50 mil pessoas no Brasil que estejam nesta condição. É aceita também a grafia “estomizado”, palavra derivada de estoma.
Em Guarulhos, há a Associação Guarulhense dos Estomizados, que visa a defender os direitos e interesses das pessoas que se submeteram a uma intervenção cirúrgica que necessitou o uso de um estoma. Podem ser resultados de Colostomia (abertura no intestino grosso para saída de fezes ou urina e fezes), Ileostomia (abertura no intestino delgado – fino – para saída de fezes) ou Urostomia (um pedaço do intestino delgado é ligado ao ureter para saída de urina).
A AGE tem como presidente Célia Regina S. Cassiano, que é colostomizada há 20 anos. A entidade atende e acolhe as pessoas estomizadas, dando apoio social, psicológico e tudo que está relacionado ao novo modo de viver de muitas pessoas, que passam a essa condição devido a acidentes com veículos, na construção civil, vítimas de atropelamentos ou mesmo decorrentes de fatalidades em ambiente hospitalar.
“Na associação dizemos que a ostomia é a cirurgia da vida”, diz Célia. O procedimento pode salvar vidas em situações graves, tanto em adultos, como crianças e bebês, podendo ser temporário ou permanente. Alguns exemplos de uso de ostomia em tratamentos são:
- Problemas de nascença
- Doenças crônico-degenerativas (Doença de Chagas)
- Doenças inflamatórias (Retocolite Ulcerativa Inespecífica e Doença de Crohn)
- Malformações congênitas
- Traumas abdomino-perineais
- Doenças neurológicas
- Diverticulite complicada
- Trauma abdominal ou pélvico grave
- Incontinência
É importante a conscientização em relação às doenças, tratamentos e diagnóstico precoce, sobretudo quando se verifica uma alta no número de casos, como a Doença de Crohn. Um estudo publicado na Revista The Lancet Regional Health – Americas mostrou um aumento de 12,1% no total de casos da enfermidade entre 2012 e 2020 no país, sendo mais frequente nas regiões Sudeste e Sul. A condição ainda é desconhecida e existe pouca informação disseminada.
Segundo informe do Hospital Nipo-Brasileiro, nem todas as ostomias são iguais. Elas variam de acordo com a localização da abertura e de seu objetivo. Com o caminho aberto, o paciente precisará de um coletor para usar na nova saída das fezes ou urina, quando esse for o caso, pois não terá como controlar as necessidades do corpo. Assim, no estoma é acoplada uma bolsa coletora e o paciente fica responsável por encaixar, esvaziar e limpar por conta própria, o que exige cuidados específicos que respeitem os períodos ideais de esvaziamento e troca do coletor. A pele ao redor do estoma também necessita de cuidados especiais e limpezas delicadas. O paciente ostomizado pode precisar de auxílio no início do processo. No entanto, com o tempo ele se acostuma com os cuidados da ostomia.
Existe um programa de atendimento ao ostomizado do SUS. São os Polos de Atendimento, que fazem a distribuição gratuita de bolsas a toda população. Em Guarulhos e municípios vizinhos, essa distribuição é feita no Hospital Padre Bento, sendo um serviço do Estado. Porém muitas vezes o material não chega, ocorrendo uma falta nesses polos e então surgiram as Associações de Estomizados, também distribuídas em todo o território nacional. As informações são passadas a todos os ostomizados e parentes gratuitamente, com atendimento de enfermeiras estomaterapeutas das empresas fabricantes de bolsas de estomias que têm parcerias com as associações, sendo um serviço paralelo com os Polos de Atendimento do SUS, porém sem nenhum vínculo entre a Polo e Associação.
As associações se mantêm com doações espontâneas e recebem doação de material de ostomia de pacientes que reverteram a ostomia, e esse material e doado a quem os procura necessitando dele além de toda informação.
Entre outras atividades em benefício dos estomizados, principalmente os de baixa renda, a AGE atua no sentido de obter insumos, que incluem produtos de higiene e hidratantes, para aliviar o atrito da bolsa com a pele. Atua também como Centro de Estomia, na orientação aos novos estomizados. Há diversos tipos de bolsas e é preciso verificar qual se adapta melhor às necessidades e circunstâncias de cada paciente. Os órgãos públicos fornecem materiais, mas em quantidade insuficiente. A Associação funciona graças ao trabalho de voluntários e obtém insumos de fabricantes. Aceita todo tipo de ajuda para manter e ampliar suas atividades.

Lei federal define ostomizado como deficiente físico
O ostomizado é um deficiente físico, conforme Lei federal 5.296/2004, tendo por isso que assim ser considerado em todos os locais. Existe um símbolo de Estomia que não é divulgado em quase nenhum estabelecimento público. Onde tem um símbolo de deficiente, deveria ter também esse símbolo de ostomia, mas não há divulgação. Ele foi criado pela Lei 13.031, de 24 de setembro de 2014, que dispõe sobre a caracterização de símbolo que permita a identificação de local ou serviço habilitado ao uso por pessoas com ostomia, denominado Símbolo Nacional de Pessoa Ostomizada.

Atendimento da Associação
“A AGE atende às terças, quartas e quintas-feiras, das 14 às 16 h, e tem reuniões mensais todas as últimas quintas-feiras do mês, com assuntos relevantes à qualidade de vida do ostomizado, sempre trazendo novidades e informações que são trazidas pelos palestrantes especialistas em áreas especificas de apoio ao ostomizado”, diz a presidente.
Serviço
AGE – Associação Guarulhense dos Estomizados
- Travessa Batuíra, 20-A (travessa da rua Cabo Antonio Pereira da Silva), Jardim Tranquilidade
- Contatos através dos telefones (11) 2600-2139 ou (11) 99845-7641 (WhatsApp)
- E-mails: age.guarulhos@yahoo.com.br / age.guarulhos@gmail.com
- Facebook: age.estomizados
Estomaterapia – uma alternativa para o cuidado
A estomaterapia é uma especialidade da enfermagem que ajuda a prevenir a perda de integridade da pele em casos de lesões, feridas e estomias e oferece um cuidado personalizado para cada situação. O ramo atua em três vertentes: incontinências, lesões e estomias. Normalmente, são pacientes acima de 50 anos que são atendidos pela especialidade, por conta de tumores e neoplasias. No entanto, pacientes mais jovens podem necessitar da prática.
Nos ostomizados, a estomaterapia trabalha para ajudar o paciente a lidar com o estoma e controlar os órgãos envolvidos no processo, como o intestino. Nicole Hannes Caldeira, estomaterapeuta e enfermeira líder dos ambulatórios do Hospital Nipo-Brasileiro, traz mais informações.
“Os estomaterapeutas oferecem assistência desde o momento pós-operatório, em que o estoma é feito, até o paciente adquirir autonomia para conseguir se cuidar sem a necessidade de um terceiro”.
“Por um lado, ajudamos na adaptação do paciente, mostrando que o estoma não deve atrapalhar no dia a dia e auxiliamos nas trocas de bolsas e no cuidado com a abertura. Por outro, trabalhamos com o apoio psicológico para todas as mudanças que o procedimento gera no corpo e até na sexualidade do ostomizado”, explica.
Ela comenta que ainda existem muitos estigmas em torno da ostomia.
“Os pacientes sentem medo de a bolsa liberar algum cheiro, mesmo explicando que isso não acontece. Os ostomizados podem viver uma rotina regular e os equipamentos são cada vez mais adaptáveis para cada caso, não causando dores”, complementa a especialista.
Os estomas contam com várias novas tecnologias e materiais coletores para proporcionar melhor adaptação ao corpo.
Nicole finaliza dizendo que “no início do processo é bem comum que os pacientes se queixem que o estoma atrapalha a sua rotina, por conta das trocas e esvaziamentos da bolsa coletora e dos cuidados específicos. Nós fazemos todo o trabalho de explicar que isto não precisa prejudicar; na realidade é o que está salvando a vida dele e o procedimento ajuda o corpo a se recuperar da melhor forma. A ostomia não deve ser tratada como algo negativo e com preconceitos”.
Sobre o HNipo
O Hospital Nipo-Brasileiro, localizado no Parque Novo Mundo, foi construído em 1988 para atender, principalmente, a comunidade oriental no Brasil. Sua inauguração ocorreu no aniversário de 80 anos da imigração japonesa. Atualmente o hospital conta com mais de 240 leitos, entre apartamentos, enfermaria, UTI (neonatal e coronariana), além do Centro Cirúrgico e do Pronto Atendimento 24 horas, recebendo pacientes de todas as etnias e regiões da cidade.

