Na sexta-feira (24), a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (SEDS) entregou para Guarulhos e região, uma nova unidade do Programa Casas Terapêuticas, voltada para dependentes químicos com longa vivência em cenas abertas de uso. O investimento total no equipamento será de mais de R$ 2 milhões/ano. Situada na Vila Rosália, região de Vila Galvão, esta é a segunda unidade no estado de SP, com capacidade de até 45 vagas rotativas. A primeira unidade foi inaugurada em janeiro deste ano na capital paulista. O objetivo, inicialmente, é auxiliar homens em situação de dependência química e seus grupos de convívio a abandonarem o uso de substâncias e retornarem à sociedade de uma forma saudável e com acompanhamento.

A iniciativa é feita em parceria com a Prefeitura de Guarulhos, que trabalhará para diminuir o problema de drogadição na cidade. “Nossa meta é levar esse serviço inovador para todo o estado. A cidade de Guarulhos é o segundo município a recebê-lo pelo porte e demanda. É um aliado importantíssimo no tratamento e recuperação de pessoas com longa vivência de rua, que não têm mais apoio da família e que precisam reaprender o autocuidado, o que é um lar, além da autonomia para manter moradia e emprego”, explicou o secretário Estadual de Desenvolvimento Social, Gilberto Nascimento.
“Essa casa terapêutica vem justamente para que a gente possa fazer esse atendimento da melhor forma possível e tirar esse projeto do papel é uma felicidade sem tamanho. É um dos pilares para a retaguarda no atendimento da população em situação de rua e nós precisávamos disso na cidade”, afirmou o prefeito Guti.

Indagado pelo Click Guarulhos sobre qual o motivo da escolha da região de Vila Galvão, que é uma das mais nobres da cidade, para essas instalações, o secretário Gilberto Nascimento respondeu que essa escolha é fundamental para o bom funcionamento do modelo: “Nós estamos reconstruindo essas pessoas como cidadãos. É importante eles terem essa ambientação de estar num bairro, de estar numa casa, de estar já com um número grande de profissionais. Pontuamos também a necessidade de ter as casas próximas. Não é fácil numa cidade como Guarulhos identificar três ou quatro casas que tenham a estrutura, exatamente também para que profissionais possam trabalhar. Não é só um quarto, uma cozinha e um banheiro. Temos salas de atendimento, acompanhamento terapêutico e todos os cuidados. Encontramos aqui pontos fundamentais, imóveis muito bons para resgatar essas pessoas. Estamos pensando no ser humano”.
Como funcionam as etapas de estruturação

Além de terapia social semanalmente, os atendidos assinarão um termo, comprometendo-se a realizar o exame toxicológico sempre que solicitado. O serviço possui quatro etapas de tratamento que, ao todo, terão duração de dois anos. Os imóveis são situados em locais próximos um do outro.
A primeira etapa é a Casa Acolher, com dez vagas, onde o atendido permanecerá de 30 a 60 dias e que tem como focos a adaptação e a conscientização. A equipe técnica atuará de forma individualizada, tendo como foco principal a saúde nesse primeiro momento.
O segundo passo é a Casa Despertar, com 20 vagas. Nesse momento tem início o processo da construção do projeto de vida do participante, que envolverá as secretarias municipais de Educação, Cultura e Esporte e Lazer, como forma de envolver os atendidos em outras atividades e responsabilidades. O período de permanência nessa residência será de 60 a 90 dias.
A Casa Transformar, com 16 vagas, é o terceiro movimento. Nesse local o atendido terá como foco a sua autonomia. Nessa etapa, a Secretaria do Trabalho de Guarulhos terá o papel principal para a inserção ou a recolocação do atendido no mercado de trabalho, por meio de cursos de qualificação e busca por vagas de emprego. Nessa residência a permanência será de até 180 dias.
Na quarta etapa, denominada Caminhar, os atendidos estarão em fase de acompanhamento pela equipe para o processo de desligamento da casa. O período desse acompanhamento também será de 180 dias e, nessa fase, a Secretaria de Habitação já deverá fornecer ao atendido um espaço para moradia, pois esse é o momento primordial para sua autonomia e desligamento da residência.

Sensibilização
Para o secretário estadual de Desenvolvimento Social, o projeto pode ser resumido em uma palavra: renovação. “Tudo aqui foi pensado para os homens que já estão em situação de rua e em drogadição há algum tempo. Nos relatos eles dizem que faz muito tempo que não moram em uma casa, não dormem em uma cama, que não têm a chave de um portão e ninguém confia neles mais. Trazer a renovação de esperança na vida dessas pessoas é o fundamental”, disse.
O secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Fábio Cavalcante, explicou que os atendidos no espaço serão encaminhados por meio dos acolhimentos municipais para pessoas em situação de rua e também pelo Centros de Atenção Psicossocial (Caps). “São os nossos equipamentos que têm contato diariamente com esse público e vamos trabalhar na sensibilização da questão para que eles entendam que existe sim uma saída, outra vida”, afirmou.
Para Anderson Salu, psicólogo técnico e gerente de casa, o modelo de trabalho atualmente em diversos programas tende a afastar o público que mais precisa de ajuda. “Entendemos que, além do conhecimento técnico, trabalhar com o coração, amor e carinho é fundamental para que tenhamos sucesso”, contou.
O secretário municipal de Saúde, Ricardo Rui, relatou os atendimentos que Guarulhos já oferece no sentido de recuperar drogaditos
Programa sob medida
O novo programa de Casas Terapêuticas é a resposta do Governo do Estado de São Paulo para o enfrentamento da dependência química, concebido sob medida para o tratamento de pessoas em situação de rua advindas de cenas abertas de uso.
A Coordenadoria de Políticas sobre Drogas (COED), da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, estruturou o programa a partir de extensa pesquisa entre dependentes químicos. A partir dos dados coletados, a equipe técnica da COED desenhou a nova metodologia.
“Identificamos que, realmente, os dependentes químicos em situação de rua não permaneciam nos serviços existentes. Paramos para ouvi-los e assim nasceu o programa de Casas Terapêuticas, que promove uma ótima interlocução entre o Plano Nacional para Pessoas em Situação de Rua e a Política Estadual sobre Drogas. Hoje, é estratégico, pois endereça, ao mesmo tempo, dois grandes desafios: a dependência química e a situação de rua”, analisou Eliana Borges, coordenadora de Políticas sobre Drogas da Pasta.
Como acessar o serviço
Os encaminhamentos para a Casa Terapêutica de Guarulhos serão feitos através dos Cras, Creas, Centros Pop, Caps, entre outros e é totalmente gratuito.




