A professora Grace Gonçalves relata em artigo a sensação que os funcionários tiveram quando da ocupação da Diretoria Regional de Ensino – Guarulhos/Sul, no Gopoúva, vila Tijuco, na sexta-feira, 6.
“Que falta faz a leitura que liberta! A ocupação estava anunciada, mas eu não queria acreditar. Meia dúzia de adolescentes apavonados circulavam pelos corredores do prédio anunciando a ocupação e dando-nos ordem para que se não quiséssemos ficar aprisionados teríamos de sair do local do modo e momento em que eles estabelecessem. Ouvi de um colega: Levem apenas seus pertences pessoais. Às pressas e indignada por ter de fazer aquilo que não queria, tinha de decidir que pertences levaria. Decidi por aquilo que me é mais caro: meus livros. Aqueles que me permitem pensar e tomar uma posição segundo minhas convicções. Aqueles que me libertam. Mas, infelizmente, aqueles jovens que estavam nos coagindo a fazer aquilo que não queríamos não sabem que a prática de leitura é libertadora. E os adultos professores, aqueles que estão liderando os jovens invasores (e excluo aqui os meus colegas que estão arduamente em sala de aula, dia após dia, trabalhando por uma educação de qualidade) sabem e tiram proveito desta frágil condição em que se encontram, manipulando-os com seus discursos vazios, inconsistentes, infundados e facilmente contestáveis. Mas os jovens não percebem a fragilidade e inconsistência desses discursos, porque a leitura dos livros e a do mundo que fazem ainda não é crítica. Não percebem que seus líderes gritam palavras de ordem para justificar a desordem que causam. Não percebem que estão sendo usados como escudos em defesa de uma causa que é somente daqueles que os lideram. Pobre do jovem que não percebe que está se prestando a isso.”

