Escolher uma nova escola na qual os filhos vão estudar não é tarefa fácil, pois a oferta de locais é muito grande. Por se tratar de uma decisão importante, há muita insegurança e dúvidas que giram ao redor dessa seleção. Além disso, tem outra questão: os pais que estão procurando a primeira escola para os filhos, seja no berçário ou na educação infantil, e não sabem nem por onde começar. Para a assessora pedagógica do Colégio Presbiteriano Mackenzie Brasília (CPMB), Sandra Ferrari, é necessário uma análise cautelosa, pois a instituição de ensino vai ser decisiva para o desenvolvimento da criança, por isso diversos fatores devem ser observados desde a parte pedagógica à estrutura física.
“Toda escola segue uma proposta pedagógica específica, ela é como um guia da vida escolar do aluno. Sendo assim, ela vai mostrar o que o estudante vai aprender fazendo uma ligação com o estilo de educação que a escola permeia. Portanto, os pais devem estar atentos a essa questão”, comenta a assessora pedagógica do CPMB, Sandra Ferrari. Contudo, essa não é uma decisão fácil, e uma escolha mal avaliada pode afetar o desempenho das crianças e jovens significativamente.
“Iniciar um novo ciclo já é um desafio para todo estudante. É fundamental que ele tenha todas as ferramentas necessárias para se desenvolver com profundidade”, aponta Arthur Buzatto, presidente e mantenedor da Escola Vereda. Segundo ele, há uma série de fatores práticos e pedagógicos que devem ser levados em consideração no momento da matrícula — tanto para a família quanto para o aluno.
Veja cinco dos principais critérios para avaliação de uma boa escola. São eles:
1- Modelo de ensino
Um dos maiores fatores decisivos atualmente é se o ensino será integral. Essa tem sido a preferência de muitos, e não é à toa — uma pesquisa realizada pelo Lepes (Laboratório de Estudos e Pesquisas em Educação e Economia Social) no ano passado diagnosticou um aumento de 35% no aprendizado de matemática e de 26% no de língua portuguesa dos alunos do 6º a 9º ano da rede pública de São Paulo que estudam em período integral.
“O próprio Plano Nacional de Educação (PNE) estabeleceu uma meta de 25% de taxa de matrículas no ensino integral no país. Esse é um avanço importante na educação brasileira e não pode ser ignorado”, comenta o presidente.
2- Proposta pedagógica
Não tenha receio de solicitar e analisar com cuidado a grade curricular da escola do seu filho: é aí que estão listados os benefícios e os gaps de cada instituição. Ainda que parte do currículo seja obrigatório em todas as escolas, há bastante espaço para oportunidades de desenvolvimento, especialmente no ensino integral.
Arthur ressalta: “A orientação é conferir se as metodologias de ensino oferecidas são adequadas para cada faixa etária, se são humanizadas, se envolvem inovação e tecnologia e se há atenção tanto para teoria quanto prática. Desde os anos iniciais até os últimos, os estudantes podem se beneficiar extensamente de projetos educacionais e de programas de habilidades variados”.
3- Infraestrutura
Nem mesmo o melhor plano educacional pode se tornar realidade sem espaços apropriados. Checar pessoalmente a infraestrutura é fundamental: “Veja se as salas de aula são espaçosas, confortáveis e seguras, e não esqueça de também verificar outros locais de convivência e recreação. Se a instituição promete processos de ensino estimulantes, é preciso confirmar que há capacidade física de fazer isso acontecer”, complementa o especialista.
4- Corpo docente
Os educadores — até mesmo os que não são professores — influenciam diretamente no desempenho dos alunos e se tornam parte constante da vida de cada um. De acordo com Arthur, os pais podem não apenas pedir referências para descobrir a experiência dos profissionais, como também podem conversar com a comunidade local e ouvir, na prática, o impacto que cada educador causou em seus estudantes.
5- Custo-benefício
Quando se trata de escolas particulares, cada família deve considerar seu orçamento sem abrir mão de critérios como qualidade de ensino e estrutura. No caso do ensino integral, indicado como a proposta ideal, é importante optar por escolas que incluam alimentação e material didático nos pacotes. Isso evita custos adicionais e facilita a rotina, já que os alunos passam longas horas na escola, proporcionando mais praticidade para as famílias.
“É possível encontrar escolas que trabalham de maneira inteligente e inovadora, onde a mensalidade não é cara e ainda é possível contar com uma boa estrutura, metodologia e corpo docente. Portanto, o custo-benefício deve ser levado em conta, e pode ser exatamente o que vai resultar na escolha ideal”, conclui Buzatto.
Novo idioma
Com a globalização, mais um tema se tornou importante: a escola que oferece outro idioma traz um grande benefício para o aprendizado da criança, tendo em vista que o cérebro infantil e do jovem tem facilidade no estudo da língua, por ser uma tarefa cognitiva e também psicológica. Além disso, quando se estuda outro idioma, é possível vivenciar a cultura de outro país, ou seja, é uma forma de enriquecer o aprendizado do estudante.
Ainda de acordo com Sandra, outros pontos a serem observados são a localização e a segurança do local. “Durante todo o ano, a escola vai fazer parte da rotina da família, então a sua localização tem que ser levada em conta. É perto de casa? É contramão do trabalho dos pais? A escola é segura? Há controle de acesso aos alunos? As respostas devem ser analisadas com bastante critério, pois assim serão evitadas algumas situações desconfortáveis que poderiam ser evitadas.
Atividades extracurriculares
Atividades extracurriculares também precisam ser um ponto de atenção, pois a escola, além de um local para desenvolver a área cognitiva, precisa ser um espaço para desenvolvimento de práticas esportivas, promoção da saúde e formação da ética e moral, assim os alunos vão conseguir aprender a como lidar com diversas questões de grupo.
“A escola precisa trabalhar a capacidade ética e moral para que o aluno possa desenvolver uma mente empreendedora e criativa. Isso é uma questão para os pais pensarem, pois esse estudante vai poder aprender também a ser um ser humano e a se desenvolver dentro do ambiente, como também fora dele”, disse Sandra.
Outro ponto muito importante é falar para a criança ou jovem sobre a escola. Após esse passo é fundamental levá-lo para conhecer o espaço. Esse primeiro contato é essencial para construir uma relação com a instituição. Após todas essas dicas, o importante é que os pais analisem com calma todos os pontos e não se esqueçam o seguinte: a educação ultrapassa os muros escolares e essa decisão vai ajudar a moldar o futuro do seu filho.

