Guarulhos celebrou nesta quinta-feira, 15 de maio, os 117 anos da Corporação Musical Banda Lira de Guarulhos — uma das instituições culturais mais tradicionais da cidade. A tradicional instituição cultural convidou autoridades e a Imprensa para mostrar sua sede, a Casa da Lira, situada na rua Corina, 94, Centro de Guarulhos.
O evento contou com a presença do secretário municipal de Cultura, João Márcio Vaz; da diretora de Atividades Culturais, Solange Cristiane Gonçalves, a Sol; do maestro Marcelo Mendonça, diretor do Conservatório Municipal de Guarulhos; do ativista cultural Auriel Filho, representando o vereador Guto Tavares; Paulo Afonso, presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico; vários comunicadores, admiradores e membros da Banda Lira.

“Para a Prefeitura de Guarulhos é muito importante valorizar e exaltar o trabalho artístico de grupos como a Banda Lira, cuja trajetória se confunde com a história da cidade”, enfatizou o secretário de Cultura, João Vaz.
O presidente da Banda Lira relatou dificuldades que a Corporação teve de superar, principalmente no período após 2017. Apresentou o maestro Américo Testai, que por vários anos regeu a Banda, como exemplo da persistência e tenacidade que permitiram a sobrevivência da entidade. Citou também o empenho da ex-presidente Lola Testai, que, enquanto teve condições, levou adiante o legado que recebeu. “Esta instituição só sobreviveu porque teve gente que deu o sangue para que ela se mantivesse”, afirmou. Lembrou que nos últimos anos foi fundamental contar com verbas de editais de fomento de programas federais.
Disse que a Banda está com nova formação, com músicos profissionais, mas que ele não abre mão da participação dos veteranos, que há décadas dedicam-se à Corporação. Estavam presentes seu pai, Wilson Abbud, que começou a tocar na Banda aos 16 anos, e João Roberto. Da nova safra, chamou à frente Nayara Testai, filha do maestro Américo Testai. Mencionou o quanto tem sido importante o empenho do atual maestro, Paulo Serino, que não pode comparecer devido a problemas de saúde em família.

Gilmar Abbud também apresentou representantes da Apae e do Pensionato São Francisco de Assis, entidades com as quais a Banda Lira mantém parceria, cumprindo o papel de responsabilidade social além da parte cultural. William Barbosa, relações públicas da Apae, relatou que a importância que tem sido para as pessoas com necessidades especiais lá atendidas. Wladimir Maciel Belarmino, gerente do Pensionato, deu testemunho de quanto foi importante na vida dele passar a atuar na instituição e sentir-se útil na vida dos idosos que lá residem. Contou que é impressionante a reação positiva das pessoas quando a Banda Lira se apresenta, parecendo que elas até rejuvenescem.
O advogado Eduardo Luz, diretor da Sociedade Numismática Brasileira, entregou ao presidente Gilmar Abbud uma placa de metal comemorativa dos 117 anos da Banda Lira em prol da difusão da Cultura. Luz também é assessor jurídico da entidade, vice-presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e suplente no Conselho Municipal de Política Cultural.


O presidente da Banda Lira ressaltou o quanto é imprescindível que a população de Guarulhos tenha pela entidade o sentimento de pertencimento. “A Banda Lira não é minha, não é dos músicos que a compõem. Ela é da cidade. É um patrimônio de Guarulhos e espero que a cidade a abrace como algo seu. E assim, que eu possa vê-la mantendo sua jornada quando eu tiver a idade do meu pai, por exemplo. Que a Banda Lira esteja presente na cidade de Guarulhos por muitas décadas ainda”, concluiu.
Após a parte cerimonial e o café, os convidados que ainda não conheciam a sede puderam apreciar o acervo de fotos, documentos e registros sonoros que contam parte da história de Guarulhos por meio da música.

UM POUCO DE HISTÓRIA
A fundação da Corporação Musical Banda Lira de Guarulhos, em 1908, remonta a um documento oficial enviado à Câmara Municipal, solicitando apoio para a compra de instrumentos musicais. Os vereadores, ao atenderem aquele pedido, iniciaram sem saber uma trajetória que se tornaria a trilha sonora da cidade.
Desde então, a Banda Lira tem sido presença constante na vida comunitária guarulhense. Do antigo coreto em frente à Igreja Matriz até a participação em inaugurações, cerimônias públicas e eventos festivos, a banda consolidou seu papel como símbolo de pertencimento e memória coletiva. Há ruas e espaços públicos em Guarulhos cuja história se confunde com os sons e passos da Lira.
Ao longo de suas décadas de existência, a banda soube se reinventar. Nos anos 1960, passou a dialogar com o recém-criado Conservatório Municipal. A cada geração, enfrentou o desafio de atualizar-se sem perder sua essência. No centenário, sob a liderança de Lola Testai, foram criados os marcantes “Bailes da Saudade”, com foco na valorização dos músicos veteranos.
Hoje, sob a presidência de Gilmar Abbud, a Banda encara novos desafios: o envelhecimento do seu corpo artístico e da plateia. A resposta está na renovação do repertório e na formação de um grupo no estilo Big Band, que dialoga com públicos diversos e atualiza sua proposta artística.
Em 2024, a Casa da Lira, sede da instituição, foi reconhecida como Ponto de Cultura, e passou a abrigar cursos de produção cultural, reuniões de coletivos como AAPAH e MCLME, gravações do podcast Sotaque Guarulhense, exposições e atividades integradas ao World Creativity Day Guarulhos. No encerramento do Festival da Criatividade, no Sesc Guarulhos, a Banda apresentou sua nova formação e o repertório eclético que marca essa nova fase.
Após longo trâmite nos anos recentes, com idas e vindas de documentos comprobatórios, inclusive no âmbito da Secretaria de Justiça da Prefeitura, o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico aprovou a inclusão da Banda Lira como Patrimônio Imaterial da Cidade de Guarulhos. O processo passou neste mês pela Secretaria de Cultura e está na mesa do prefeito Lucas Sanches para ser assinado e efetuada a publicação no Diário Oficial do Município.
