O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, após passar mal.
Ele foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), próximo de onde morava, em Alphaville. Segundo a Prefeitura de Santana de Parnaíba, “foi encaminhado ao hospital pelo serviço de resgate, já em parada cardiorrespiratória (PCR), chegando à unidade sem vida”. Às 19h, foi divulgada a informação de que a causa da morte teria sido um infarto.
Em nota, a família de Oscar lamentou a morte e lembrou sua trajetória. O velório e enterro serão restritos à família e amigos.
“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo. Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida.
Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo. A despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento.
Os familiares agradecem, sensibilizados, todas as manifestações de carinho, respeito e solidariedade recebidas, e solicitam a compreensão de todos quanto à necessidade de privacidade neste momento de luto. Seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na história do esporte, assim como no coração de todos que foram tocados por sua trajetória.”
Carreira de Oscar Schmidt
Nascido em Natal, o “Mão Santa”, o eterno camisa 14 da seleção brasileira, construiu números impressionantes ao longo de 25 temporadas como profissional. Ele é o maior pontuador da história do basquete, com 49.703 pontos, além de deter o recorde de maior pontuador da história dos Jogos Olímpicos, com 1.093.
Nas Olimpíadas, onde participou de cinco edições consecutivas (Moscou 1980, Los Angeles 1984, Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996), Oscar também acumulou marcas históricas: foi diversas vezes cestinha e protagonizou atuações memoráveis, como os 55 pontos anotados contra a Espanha em Jogos Olímpicos de Seul 1988 – recorde em uma única partida no torneio.
Oscar foi considerado um dos melhores da história, integrando também o Hall da Fama da Federação Internacional da modalidade (Fiba) e o Hall da Fama da NBA, mesmo sem nunca ter atuado oficialmente na liga americana.
Pela Seleção Brasileira, o momento mais emblemático veio no ouro dos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Na decisão, liderou o Brasil na vitória por 120 a 115 sobre os Estados Unidos, marcando a primeira derrota dos norte-americanos em casa na história da competição. Oscar também conquistou o bronze no Mundial de 1978, nas Filipinas, e encerrou sua trajetória com 7.693 pontos em 326 partidas oficiais pela seleção, entre 1977 e 1996.
O sonho de Oscar era ser jogador de futebol, mas, por causa da altura, migrou para o basquete. Em Brasília, começou no Colégio Salesiano, sob orientação do técnico Zezão, e depois seguiu para o Clube Unidade Vizinhança, onde foi treinado por Laurindo Miura.
Em 1974, aos 16 anos, mudou-se para São Paulo e passou a atuar no time infantojuvenil do Palmeiras. Após se destacar, foi convocado para a seleção brasileira de base e, posteriormente, para a principal.
Carreira profissional
Chamou a atenção do técnico Cláudio Mortari, que o levou para o Sírio. Em 1979, conquistou o Mundial de Clubes de Basquete, seu primeiro título de grande expressão. No ano seguinte, disputou os Jogos Olímpicos de Moscou com a seleção brasileira, que terminou na quinta colocação.
No início dos anos 1980, transferiu-se para o JuveCaserta, da Itália, a pedido do técnico Bogdan Tanjevic. Permaneceu por 11 temporadas na liga italiana, considerada à época a segunda mais forte do mundo, atrás apenas da NBA.
Olimpíadas
Apesar de não ter conquistado medalhas olímpicas, acumulou recordes nos Jogos:
- Participou de cinco edições consecutivas e é recordista ao lado de Teófilo Cruz (Porto Rico) e Andrew Gaze (Austrália);
- Foi cestinha em três edições: Seul 1988 (338 pontos, sendo 55 em um jogo), Barcelona 1992 (198) e Atlanta 1996 (219);
- Em Seul 1988, estabeleceu marcas como melhor média de pontos, mais pontos em uma edição e recordes em cestas de dois e três pontos e lances livres.
Recusa à NBA
Oscar teve duas oportunidades de jogar na NBA. A primeira foi em 1984, quando foi escolhido no draft pelo New Jersey Nets, mas recusou devido à regra da FIBA que impedia jogadores da liga de defenderem seleções nacionais.
Três anos depois, conquistou o ouro no Pan de Indianápolis com a seleção brasileira. Em 1992, já com quase 35 anos, recebeu novos convites, mas recusou novamente.
Hall da Fama
Em 2013, foi introduzido no Hall da Fama da NBA, em reconhecimento à carreira e à contribuição ao basquete mundial. No discurso, relembrou momentos da trajetória e agradeceu às pessoas que fizeram parte da sua história.
Curiosidades
- Oscar é irmão do apresentador Tadeu Schmidt e tio de Bruno Schmidt.
- É o maior cestinha da história da seleção brasileira, com 7.693 pontos, e o único jogador a ultrapassar 1.000 pontos em Olimpíadas.
- Foi incluído na lista dos 100 maiores jogadores de basquete de todos os tempos em livro organizado por Alex Sachare e teve a carreira retratada em obras publicadas na Europa.
Luta contra o câncer
Em 2010, o atleta foi diagnosticado com um tumor benigno de sete centímetros no cérebro, retirado após oito horas de cirurgia. Três anos depois, uma ressonância magnética detectou novo tumor, desta vez maligno, que foi removido cirurgicamente, além de ter sido submetido a tratamento espiritual e recebido uma bênção do Papa Francisco em 25 de julho de 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio.

*Com Informações do Lance!, portal g1 e portais de notícias

