O pré-candidato à Presidência da República Aldo Rebelo (Democracia Cristã) concedeu, na tarde desta quinta-feira (14), uma entrevista ao vivo ao Consórcio Jornalismo Guarulhos, na TBL Comunicação, em Guarulhos, tendo como apresentadores os jornalistas Roberto Samuel e Jéssica Silva e transmissão no YouTube e na COM Brasil TV, para as TVs comunitárias de todo o Brasil. Todos os demais pré-candidatos à Presidência serão convidados a serem sabatinados.
Participaram os jornalistas Valdir Carleto (Click Guarulhos), Renée de Oliveira (Rede Cidade Live), Wellington Alves (GRU Diário) e Juliano Ricco (Câmera Esportiva). O portal Guarulhos Todo Dia, a Rede Alto Tietê e a Folha Metropolitana também fazem parte do Consórcio.

Durante o encontro, o ex-ministro e ex-deputado detalhou suas propostas para o país e justificou os atuais rumos de sua trajetória política. Explicou sua migração do PCdoB para o Democracia Cristã (DC) como um movimento natural diante das mudanças do mundo. Segundo ele, suas convicções de nacionalista e democrata permanecem, mas houve um distanciamento em relação à agenda atual de parte da esquerda. O pré-candidato criticou a substituição da luta pela igualdade por pautas que, em sua visão, dividem a sociedade.
“A luta pela igualdade passou a adotar uma agenda da diferença. Importa muito mais dividir a sociedade em pretos e brancos, em homens e mulheres, dividir pela orientação sexual de cada um que luta por um projeto comum que possa unir todo o mundo”, disse.
Rebelo afirmou que, embora respeite a luta contra o racismo e pelos direitos das mulheres, considera que o país precisa de uma agenda que promova a união. Comentou que o afastamento de seu antigo partido ocorreu de forma pacífica, motivado pelo fato de as ideias não serem mais coincidentes.
Eleições 2026 e a primeira via
Questionado sobre como enfrentar a polarização entre os nomes que lideram as pesquisas, Aldo Rebelo rejeitou o rótulo de terceira via. “O meu objetivo não é a terceira via, é a primeira via. Certo? Esse é o meu objetivo, com o meu programa, com as minhas ideias sobre o Brasil. A eleição ainda nem começou, as candidaturas não foram registradas, são pré-candidaturas. O Brasil já conheceu eleições onde os candidatos mais improváveis, que saíram quase do zero, venceram as eleições”, relembrou o pré-candidato, que citou Fernando Collor de Mello e Jair Bolsonaro como “azarões” que se elegeram.
Para o pré-candidato, sua diferença em relação aos adversários está na agenda clara de transformação e na biografia limpa. “O meu trabalho é apresentar a minha biografia, que é uma biografia limpa, de quem nunca teve uma conta rejeitada pelo Tribunal de Contas, de quem nunca sofreu uma ação do Ministério Público e de quem nunca teve processo no Supremo Tribunal Federal”.
Diagnóstico do Brasil e relação com o STF
Aldo Rebelo defendeu que o Brasil possui riquezas imensas em setores como agropecuária, mineração e energia, mas que está “bloqueado institucionalmente”. Ele atribuiu esse entrave a interesses internacionais e à atuação de ONGs e órgãos governamentais, como Ibama, Funai e Ministério do Meio Ambiente, “que paralisam projetos estratégicos”. Também criticou, em diferentes momentos, a atuação do Ministério Público.
Sobre o Poder Judiciário, o pré-candidato defendeu a necessidade de uma reforma que limite as interferências do Supremo Tribunal Federal (STF) em questões que deveriam ser decididas pelo Legislativo ou Executivo. Ele propõe mandatos para os ministros da Corte e a limitação de decisões monocráticas, visando restaurar o equilíbrio entre os poderes.
“No primeiro dia como presidente da República, eu vou apresentar aquilo que eu chamo de “Emendão”. O que seria esse Emendão? Reunir, em uma única Emenda Constitucional, uma mudança, uma referência ou uma nova redação para todos os artigos que permitem ao Supremo Tribunal Federal sair da sua caixinha de poder de tribunal constitucional para ser o tribunal de tudo. O Tribunal hoje legisla sobre matéria tributária, sobre o Orçamento, que é uma atribuição do Legislativo e do Executivo, na escolha de ministros e na escolha de delegados. Em tudo o Supremo se mete, com grandes prejuízos para o país”, defendeu.
A entrevista completa pode ser assistida pelo YouTube da TBL Comunicação, clicando neste link. Durante a transmissão ao vivo, internautas de várias partes do Brasil enviaram mensagens e alguns sugeriram temas a serem abordados pelos jornalistas.
Resumo dos principais pontos defendidos
- Desinterdição da economia: O candidato defende o fim dos bloqueios burocráticos e ideológicos que impedem o crescimento da infraestrutura, energia e exploração mineral no Brasil.
- Educação e autoridade: Rebelo propõe restaurar a autoridade e o comando do professor em sala de aula. “Ou você restabelece a autoridade dentro da escola, e a autoridade é do professor, ou nada funciona”. Ele defende a escola pública como principal instrumento de redução da desigualdade.
- Esporte como ferramenta educacional: Ex-ministro do Esporte, ele acredita que a prática esportiva e o ensino de música devem ser obrigatórios e integrados ao cotidiano escolar, para formar cidadãos disciplinados.
- Meio ambiente e desenvolvimento: O pré-candidato propõe conciliar a proteção ambiental com o crescimento econômico, especialmente na Amazônia. Ele critica o que chama de “mitos sobre a região” e afirma que a população local não pode ser penalizada pela falta de infraestrutura e renda em nome de interesses externos.
- Segurança e combate ao crime: Rebelo defende que o governo federal deve assumir a responsabilidade direta pelo combate ao crime organizado. “Nós temos Forças Armadas com recursos humanos muito preparados, mas sem equipamento”.

TRANSCRIÇÃO DAS PERGUNTAS E RESPOSTAS

Valdir Carleto, Click Guarulhos
– O que mudou na sua visão política para essa migração tão radical, de um partido considerado por muitos de extrema esquerda, como o PC do B, para partido tão conservador como o Democracia Cristã?
Aldo Rebelo – Eu digo como poeta: ‘mudam-se os tempos, mudam-se as vontades’. Por quê? Porque o mundo é feito de mudanças. Eu acho que, no caso, as minhas convicções, que sempre foram convicções de um nacionalista, de um democrata, de um homem que luta para reduzir as desigualdades, essa foi a minha trajetória no PC do B. E uma parte da esquerda foi se afastando dessa agenda, a agenda da ideologia foi sendo substituída pela agenda da biologia. No lugar, a luta pela igualdade passou a adotar uma agenda da diferença. Importa muito mais dividir a sociedade em pretos e brancos, em homens e mulheres, dividir pela orientação sexual de cada um que luta por um projeto comum que possa unir todo o mundo. Os problemas unem o país, por que é que as soluções não podem unir? Mas eu acho que talvez pelo desencanto do fim do socialismo ou da luta pela utopia da igualdade, uma parte da esquerda mirou para essa agenda da diferença, onde a biologia importa mais do que a ideologia. Eu não me identifico com essa agenda, acho que é importante você lutar contra o racismo, pelo direito das mulheres e pra que a orientação sexual de cada um seja respeitada, mas eu acho que essa não é a agenda mais importante da sociedade. A agenda mais importante da sociedade é aquela que pode unir e que pode unir, e não a que pode dividir, como infelizmente tem acontecido. Isso levou ao meu afastamento pacífico. Recebi uma carta de agradecimentos, pois, nos 40 anos que vivi no PC do B, honrei o partido, nunca votei contra a orientação, nunca tive o meu nome envolvido em nada que fosse irregular, então honrei a minha trajetória, lá mantenho bons amigos, mas me afastei porque as ideias já não eram mais coincidentes.

Renée de Oliveira, Rede Cidade Live
– O senhor se coloca como alternativa à polarização. Gostaria de saber do senhor qual é a diferença do seu projeto referente ao lulismo e ao bolsonarismo.
Aldo Rebelo – A diferença é que eu tenho uma agenda muito clara. Qual é a minha agenda? O meu diagnóstico é que o Brasil é um país rico, mas é um país interditado, é um país bloqueado institucionalmente. O Brasil tem a maior fronteira de agropecuária de agroindústria do planeta. O Brasil tem a maior fronteira mineral do mundo. No século das terras raras, o Brasil é o país das terras raras. O Brasil tem a maior fronteira de energia do mundo, tem petróleo da bacia de Pelotas, no Rio Grande Do Sul, até a fronteira com o Amapá, até a fronteira com o Peru. O Brasil pode dobrar a geração de energia hidrelétrica, com mais cinco ou seis hidrelétricas na Amazônia. O Brasil tem a maior fronteira de biodiversidade do mundo. Agora, tudo isso está bloqueado, interditado por interesses internacionais, organizações não governamentais financiadas do exterior, ações do Ministério Público, do Ibama, da Funai, do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério das Populações Indígenas, essas corporações param o país. Portanto, quando eu digo que O Brasil é um país interditado, a solução já está acompanhando o diagnóstico. A solução é desinterditar o Brasil. E eu penso dos outros dois pré-candidatos, que lideram as pesquisas. O presidente Lula é o responsável por esse bloqueio, ele que acolheu essas ONGs, ele que deu poderes a essas organizações que param o país, então ele não é solução. E o outro pré-candidato diz que não pode falar sobre o que pensa pra isso não ser usado contra ele. Ou seja, são duas agendas pelo poder. A minha agenda é para transformar o Brasil. Essa é a minha diferença entre a minha alternativa clara pra mudar o país e as outras que lutam pra chegar ao poder sabe-se e sabe lá Deus pra quê.

Wellington Alves, GRU Diário
– Hoje as pesquisas indicam uma forte polarização entre Flávio Bolsonaro e Lula, na faixa dos 40 pontos percentuais. Como fazer o diálogo com a população para se tornar uma terceira via, para ter sucesso nessas eleições?
Aldo Rebelo – O meu objetivo não é a terceira via, é a primeira via. Certo? Esse é o meu objetivo, com o meu programa, com as minhas ideias sobre o Brasil. A eleição ainda nem começou, as candidaturas não foram registradas, são pré-candidaturas. O Brasil já conheceu eleições onde os candidatos mais improváveis, que saíram quase do zero, venceram as eleições. Os mais antigos devem lembrar a eleição do presidente Fernando Collor, não era o favorito, sequer era conhecido. Era governador de Alagoas, era homem que ninguém sabia quem era e na polarização entre aqueles que representavam o regime anterior, que era o militar, e a oposição ao regime militar, surgiu a figura de Fernando Collor ganhou a eleição. O Bolsonaro também, aliás esse filme está dando essa confusão de financiamento. O título em inglês Dark Horse aqui é o Azarão, ele era o Azarão da eleição, os favoritos eram outros. O candidato Geraldo Alckmin tinha grande apoio, grande legenda, pra concorrer às eleições. O Fernando Haddad tinha o apoio do presidente Lula, mas o Bolsonaro terminou ganhando uma eleição improvável. Então a eleição ainda está muito distante de ser definida, mas acho que, no meu caso, o meu trabalho é apresentar a minha biografia, que é uma biografia limpa, de quem nunca teve uma conta rejeitada pelo tribunal de contas, de quem nunca sofreu uma ação do Ministério Público e de quem nunca teve processo no Supremo Tribunal Federal. Está certo? Isso não é uma coisa simples na política de hoje. Em segundo lugar, uma experiência administrativa que eu tive em quatro ministérios diferentes, na Casa Civil do Governo de São Paulo, na Secretaria Municipal de São Paulo, também fui vereador em São Paulo, então eu trago reunido na minha pré-candidatura a minha experiência no Legislativo e no Executivo uma biografia respeitável, em meio a tantos escândalos que estamos aí de caso Master, de INSS e outros que quem sabe ainda surgirão.

Juliano Ricco, Câmera Esportiva
– O senhor foi ministro dos Esportes, de 2011 a 2014, no período da Copa do Mundo, quando o Brasil sofreu uma transformação nos estádios de futebol. A Constituição diz que é dever do estado fomentar o esporte, mas muitos candidatos, quando nós olhamos o plano de governo, praticamente não tem nada ou muito um pouco. O que o pré-candidato pensa sobre isso?
Aldo Rebelo – O esporte deve ser tratado em seus diversos níveis: o educacional, o esporte como lazer, o esporte como alto rendimento e o esporte como negócio. Enfim, o esporte em todos os seus níveis. Essa era a minha concepção lá no Ministério. Nós tínhamos a Copa do Mundo, que era um grande evento internacional, o mais importante. Recebemos mais de 20 mil jornalistas estrangeiros; só a China enviou mil jornalistas credenciados. Era um grande evento, mas eu disse: “Não pode ficar só nisso”. Você tem que ter o esporte de alto rendimento, por isso criamos o Bolsa Medalha para contemplar esses atletas. Criamos também os Centros de Iniciação ao Esporte, que é um complexo que reunia pista, ginásio para prática de esportes individuais, de esportes coletivos e de outras modalidades.
Cuidamos também do esporte de lazer, que é o esporte para quem não vai competir, mas vai se divertir. Quando você coloca uma criança em um ginásio esportivo, você está tirando ela do descaminho da droga e do vício. É assim que eu vejo o esporte. Investir em esporte é investir em educação também, porque o esporte educa. Praticando esporte, você aprende a perder mantendo a sua dignidade e aprende a ganhar respeitando o seu adversário. Você aprende que, no esporte, você perde e você ganha, que a disciplina e o respeito são importantes. O esporte também educa.
Como política pública de esporte, você tem que reunir todos esses domínios e todas essas responsabilidades. Aqui no Brasil, infelizmente, nós negligenciamos. Eu te digo com muita tristeza: no Brasil, as escolas eram construídas sem destinar espaço para a prática de esporte. Mesmo que o Estado não tivesse dinheiro para fazer uma piscina, um ginásio ou uma pista de atletismo, tinha que pelo menos destinar o local para isso, para que, no dia em que o recurso existisse, pudesse dotar a escola de uma área para a prática esportiva. Isso é parte da educação. Infelizmente, ao fazer um exame nessas escolas no Brasil, nota-se que elas não destinavam nenhuma área para o esporte. Então a criança ficava o tempo inteiro sem ter uma alternativa de lazer ou de prática esportiva, que é onde a iniciação deveria se dar: na escola.

Roberto Samuel, TBL Comunicação
– O senhor tem um projeto de país e, principalmente, com relação à educação? Eu acredito muito e concordo com o senhor que toda escola deveria juntar educação com cultura e esporte, para ser quase a mesma coisa. O senhor tem um projeto de país e um projeto de governo viável, caso chegue à Presidência? Sobre essa questão da educação, gostaria que o senhor falasse um pouco mais.
Aldo Rebelo – Comecemos pela educação. Eu conheço bem o meu país, conheço bem porque também fui estudante e fui professor de cursinho. Fui alfabetizado numa escola rural, depois estudei numa escola técnica agrícola em regime de internato, lá no interior de Alagoas.
E qual é a realidade do Brasil? Você tem, em uma cidade como São Paulo, escolas que custam R$ 15 mil de mensalidade, escolas trilíngues, de alto nível, onde a criança sai alfabetizada em português, inglês, francês ou alemão. E você tem escolas na Amazônia, que eu visitei e frequentei que não têm água e não têm luz; onde o professor dorme em um colchão no chão, cheio de tocos de vela, que são as velas que ele usa à noite para acertar as provas. São milhares dessas escolas no Brasil, escolas que eles chamam de multiclasse, porque o professor alfabetiza e dá toda a primeira parte do Ensino Fundamental.
Então esse país é muito desigual. O que é que você tem que fazer com a educação? Transformá-la no principal instrumento da democracia. Não existe democracia verdadeira se você não oferece oportunidades iguais para os desiguais. Tudo bem, uns serão mais ricos, outros serão de classe média, outros vão ser pobres; mas se a escola nivelar todos eles, você está prometendo àquele menino que sai da pobreza que, amanhã, ele vai poder encontrar seu lugar ao sol porque teve uma educação de qualidade.
Nós não temos isso. Então, o compromisso, em primeiro lugar, é elevar a educação no Brasil como a principal promessa de democracia. Ou seja, a promessa de democracia é verdadeira quando você tem uma escola de boa qualidade para todo mundo, o que não temos hoje. Hoje, na escola, nós perdemos a noção de disciplina, perdemos a noção de hierarquia. É aluno querendo bater em professor, pai e mãe de aluno querendo bater em professor… professor que tem que viver metade do tempo em psiquiatras ou psicólogos porque não tem mais a sua autoridade respeitada.
Ou você restabelece a autoridade dentro da escola, e a autoridade é do professor, ou nada funciona. O professor tem que ter comando dentro da escola. Não é o passageiro que vai mandar dentro do avião; ele é passageiro, o comandante é quem vai determinar o que precisa ser feito numa situação de emergência. Na escola, não. Acabaram com a autoridade do professor porque diziam que era autoritarismo, que a disciplina era coisa de militar. Como se você pudesse ter na vida, em qualquer lugar, uma atividade que não tivesse hierarquia e disciplina. Tem posição e disciplina na redação do jornal, no quartel, dentro de casa, na empresa… nada no mundo funciona se não tiver disciplina e hierarquia.
Isso precisa ser restabelecido na educação, elevando a qualidade para que todos tenham acesso. Vai ter escola trilíngue para quem for muito rico? Tudo bem, tenha lá sua escola. Mas a escola pública vai garantir, ao menos, que o menino saia do Ensino Fundamental dominando um idioma além do português. Hoje, na nossa escola, o menino nem o português aprende direito, quanto mais uma outra língua. Também é preciso restabelecer a obrigatoriedade do ensino de música, para que uma criança pobre também possa ter a chance de aprender a noção da música, que alguém que pode pagar conservatório ou professor particular alcança. Essa é a escola que nós precisamos reconstruir no nosso país.
Valdir Carleto, Click Guarulhos – O senhor se referiu a um bloqueio ao desenvolvimento devido a um certo excesso de controle da questão ambiental, pelo menos foi o que eu entendi, com ONGs que dominam essa questão. A gente vê destruição da natureza por onde quer que se passe por esse Brasil afora, inclusive da Floresta Amazônica. Seria a sua proposta para destravar esse bloqueio não ter tanta regra ambiental? Vamos deixar destruir as matas?

Aldo Rebelo: Não, Carleto. É para combinar o direito ao desenvolvimento com a proteção do meio ambiente. Esse mito, essa mentira de que a Amazônia está num processo de savanização ou de desertificação, isso é uma fraude. Isso é vendido para se ganhar dinheiro na Europa. Os chefes dessas ONGs nem aparecem lá, vivem aqui em São Paulo, em Barcelona ou em Paris.
Vou citar só um caso. Recentemente, eu desci toda a Transamazônica de carro. Eu conheço os rios da Amazônia: ando no Rio Solimões, no Rio Amazonas, no Rio Tapajós, no Rio Purus, no Rio Negro… conheço tudo ali, inclusive o Rio Xingu. O estado do Amazonas tem três vezes o tamanho da França, com um milhão e quinhentos e poucos mil quilômetros quadrados. Tudo o que o estado do Amazonas tem de agricultura, de pecuária, de cidades e de infraestrutura, tudo reunido de ocupação humana, não chega a 5%. 95% é de vegetação nativa, da forma que Deus deixou e que está lá intacta.
Qual é o processo de destruição que temos? Se você for ao Amapá, é a mesma coisa: 90% já está tudo protegido em unidades de conservação e terras indígenas. Se for a Roraima, é a mesma coisa. Claro que tem uma pequena área ocupada pela agricultura e pela pecuária de trezentos anos, porque as pessoas precisam comer. E a pessoa não pode comer uma seringueira, não pode comer uma árvore; elas têm que comer bicho lá, uma vaca que se cria, um carneiro, ou plantar uma roça de milho, de feijão, de cacau. É isso o que as pessoas precisam levar em conta.
A Amazônia não pode ser a região mais rica do planeta com a população mais pobre. Se você examinar no Brasil onde está a área com o maior índice de mortalidade infantil, é na Amazônia. O maior índice de analfabetismo está na Amazônia. O pior indicador de saneamento básico está na Amazônia. E dentro da Amazônia, sabe onde, Carleto? Entre as populações indígenas. Se você olhar no IBGE, a cidade do Brasil que tem o maior volume de analfabetos é a cidade que tem a maior estatística de população indígena, que é Uiramutã, em Roraima. É onde tem mais analfabetos e onde 90% da população é indígena. O prefeito é índio, o secretário é índio, o vereador é índio, e é uma cidade campeã de analfabetismo, o que mostra que essas ONGs não protegem o interesse de ninguém, a não ser os seus próprios interesses.
Então, você tem que combinar a proteção do meio ambiente com o direito ao desenvolvimento, como o mundo inteiro fez, como a Europa fez e como os Estados Unidos fizeram. Nós precisamos resolver esse dilema. Não é sacrificar o meio ambiente em nome do desenvolvimento, e nem sacrificar a vida das pessoas em nome do meio ambiente. Podemos levar as duas coisas; não precisa ter rio podre e poluído como tem em São Paulo. Não tem nenhuma ONG preocupada com o Tietê. Os rios mais puros do mundo estão na Amazônia e elas estão lá. Aqui não; ninguém quer saber da poluição, mesmo aqui em Guarulhos, com problemas graves de poluição, de tráfego, de pobreza, de tudo. Mas todas as ONGs estão na Amazônia, porque lá é onde elas conseguem dinheiro vendendo a ideia da destruição.
Existem problemas de desmatamento? Existe o ilegal e criminoso, e isso tem que ser combatido, mas isso não pode significar a condenação da população da Amazônia a não ter uma vida digna, como infelizmente é o que aconteceu.
Renée de Oliveira – Rede Cidade Live: Candidato, eu gostaria de saber a posição do senhor referente à Reforma Tributária. Ela foi suficiente ou o país vai precisar de uma segunda etapa?

Aldo Rebelo: O Brasil, Renée, vai precisar de muitas etapas para resolver a questão tributária. Nós mergulhamos o país em um labirinto. A questão tributária no Brasil faz o país perder investimentos, há uma fuga de capital para a China ou para o Paraguai, e fuga de domicílios fiscais.
Eu era ministro e chegava um embaixador dizendo: “Ministro, a nossa empresa está se mudando do Brasil para a Argentina”. Eu perguntava: “Por que, embaixador?”. E ele respondia: “Porque nós somos uma empresa de engenharia, mas só conseguimos contratar advogados. A legislação dos senhores é muito complicada: a legislação ambiental é complicada, a tributária é complicada e a trabalhista é complicada”.
Para você conseguir no Brasil o licenciamento para uma obra, você não sabe se vai conseguir em cinco anos, em cinquenta ou em quinhentos anos. Porque qualquer um pode interditar uma obra no Brasil: o juiz de primeiro grau pode, o promotor também pode, a ONG também pode, o Ibama, a Funai… a Câmara de Vereadores pode e o prefeito também. Ou seja, que segurança jurídica nós temos no nosso país para quem quer investir?
Então o cidadão diz: “Não, vou para a China, para o Paraguai ou para os Estados Unidos, porque lá você pode obter a licença”. Agora é para a Guiana que estão indo. Eu era Secretário de Relações Internacionais da Prefeitura e empresários de São Paulo me pediam: “O senhor pode conseguir uma audiência com o embaixador da Guiana?”. Eu perguntava para quê, e eles diziam: “Porque nós vamos abrir uma fábrica de fertilizantes lá”. Quando eu questionava por que não abriam no Brasil, eles respondiam: “Se o senhor me der no Brasil a carga tributária da Guiana, a lei de licenciamento deles, a legislação de fiscalização do Ministério Público do Trabalho e o imposto sobre exportação que eles têm, nós ficamos no Brasil. Senão, vamos para a Guiana, pois já está tudo certo, inclusive a logística para tirar o produto”.
Isso está acontecendo o tempo inteiro. O Ministério do Planejamento do Paraguai funciona em São Paulo, encarregado de levar investimentos que seriam do nosso país para o Paraguai por causa dessa legislação tributária, que é uma coisa completamente maluca porque nós tínhamos, agora conseguiram acertar, o ICMS para cada estado; eram 27 normas fiscais, cada estado com uma regulamentação. Aí você tem os impostos municipais e esse cipó de leis que elevam a carga tributária no Brasil, que é a única forma que o governo encontrou para cobrir o aumento de despesas em ano eleitoral.
Não é com a ampliação da base de arrecadação ou colocando atividade econômica para mais gente pagar; são os mesmos de sempre pagando mais imposto porque o país parou de crescer. O país tem o chamado “voo de galinha”, que é como os economistas chamam: um voo curto e um voo baixo. É o que tem presidido a economia do nosso país. Então, tem que mudar a legislação tributária no Brasil para apoiar o investimento, o nosso e o que possa vir do exterior para investir aqui também.
Wellington Alves – GRU Diário: Aldo, no ano passado o senhor foi ameaçado de prisão por desacato pelo ministro Alexandre de Moraes. Há uma crise hoje no STF; tem a questão dos presos do 8 de janeiro, a questão do Banco Master, e a não previsão da indicação do Messias, aparentemente por uma articulação dentro do próprio Supremo. Como o senhor vê hoje a atuação do STF? O senhor, ocupando a Presidência da República, pensa em dialogar ou fazer alguma alteração de alguma forma no STF?

Aldo Rebelo: Wellington, no primeiro dia como Presidente da República, eu vou apresentar aquilo que eu chamo de “Emendão”. O que seria esse Emendão? Reunir, em uma única Emenda Constitucional, uma mudança, uma referência ou uma nova redação para todos os artigos que permitem ao Supremo Tribunal Federal sair da sua caixinha de poder de tribunal constitucional para ser o tribunal de tudo.
O tribunal hoje legisla sobre matéria tributária, sobre o Orçamento, que é uma atribuição do Legislativo e do Executivo, na escolha de ministros e na escolha de delegados. Em tudo o Supremo se mete, com grandes prejuízos para o país. Esse ministro de São Paulo [Alexandre de Moraes], com o qual eu tive um problema no meu depoimento e que me ameaçou de prisão, parou a Ferrogrão, que é uma obra de infraestrutura essencial para a área mais dinâmica da economia brasileira, que é o Centro-Oeste. Há seis anos ele a parou por uma decisão monocrática, e está parada. Em quinze anos, a China construiu 50 milhões de milhas de ferrovias, 38 mil em quatro anos, e o Brasil está parado por uma decisão do Supremo.
A primeira medida é enfrentar o Supremo. Não é enfrentar com bravata, com ameaça ou com adjetivos; é enfrentar com uma norma que dê novo equilíbrio na relação entre os poderes. Essa é a primeira medida. Sobre esse episódio, eu fui testemunha voluntária; não sou réu no Supremo. Eu não entrei no Supremo como réu, entrei como testemunha de um homem que eu conhecia, que foi meu assessor militar no Ministério da Defesa, que é o Almirante Garnier. um servidor exemplar, competente, e que foi acusado de ser um dos líderes de um golpe que não existia, que foi uma coisa criada para fins políticos e eleitorais.
Lá, a primeira pergunta foi sobre uma frase que o Almirante teria pronunciado, de estar “à disposição” do Presidente da República, e que o Supremo interpretou como “disposição para o golpe”. Eu disse: “Olha, ‘estar à disposição’ é força de expressão”. Nós não podemos levar um termo, uma força de expressão, ao pé da letra. Como se diz na língua portuguesa: quando você diz que alguém está sendo frito, ou que alguém está na frigideira, ou quando você diz que alguém está apertado, ele não está amarrado de corda. É uma força de relatividade.
Ele achou que era uma ofensa e disse: “Olha, se o senhor não se comportar…”. Eu disse que não aceitava aquilo, e ele retrucou: “Se o senhor não se comportar… porque o senhor não estava lá na reunião”. Percebi que ele estava querendo criar problema e disse: “Ministro, eu não aceito censura, em primeiro lugar. E a interpretação da língua portuguesa é minha, da língua portuguesa como eu aprendi com as minhas professoras”. Aí ele achou que isso era desacato e ameaçou. O Procurador-Geral da República ainda perguntou se a Marinha não tinha dado o golpe porque não tinha meios eficazes para isso. Eu disse: “Isso não é uma pergunta, isso é uma afirmação”. Ele disse que eu tinha que responder sim ou não, e eu disse que não respondia. Criou-se lá uma situação.
Naturalmente, ele não tinha como efetivar prisão nenhuma, porque não houve esse tal desacato, mas era a expressão desse Supremo Tribunal Federal que nós temos: com muita arrogância, muita pretensão de ser um poder acima dos demais poderes, e que está pagando o preço por isso. Hoje, eles têm o poder que é concedido por uma norma, a Constituição concede o poder, mas a autoridade é concedida por uma biografia e pelo comportamento. Você ter poder não significa que você tenha autoridade. Autoridade é você poder circular, entrar em um aeroporto… e hoje as autoridades no Brasil, na minha opinião, têm o poder concedido pela lei, pela Constituição, mas a autoridade hoje é uma matéria escassa em quem tem poder no Brasil, no Judiciário, no Executivo e no Legislativo.
Agora, acabaram de aprovar uma norma lá no Supremo de que o Judiciário pode ter um teto de R$ 76 mil, acumulando quinquênio e isso ou aquilo. Claro que as pessoas olham — num país onde 90% ganha até um salário mínimo e meio, e perguntam: que história é essa? Quanto ganha um piloto? Quanto ganha um oficial do Exército? Quanto ganha um jornalista? Quanto ganha um médico? Por que o Judiciário tem que ter teto de setenta e seis mil? As pessoas olham e dizem: “Não, isso não está certo. Não é correto, não tem sentido”, principalmente quando é pago pela população. Se é pago pela iniciativa privada, a sua empresa pode pagar um salário de cinco, dez, cinquenta ou duzentos mil, o que quiser. O poder público tem que ter limite, e esse limite, na minha opinião, o Judiciário perdeu.

Jéssica Silva – TBL Comunicação:
O senhor falou, candidato, que o senhor foi professor também. Eu, como uma mãe atípica de uma criança de quatro anos, autista, vejo a grande dificuldade de muitas mães que eu acompanho em relação ao atendimento da saúde no SUS para conseguir o laudo. Hoje, a maior luta que se encontra é essa renovação, por não existir um decreto ou uma lei que nos garanta o laudo vitalício, até porque não existe uma cura para o autismo. Como mãe atípica, me preocupo com isso porque, segundo dados do IBGE de 2022, cerca de dois milhões e quatrocentas mil pessoas são autistas aqui no Brasil. Eu queria que o senhor passasse para a gente se há algum trabalho que o senhor pense em colocar na eficiência de políticas, tanto para a conquista do laudo vitalício quanto para o atendimento, seja nas escolas ou até mesmo na área da saúde, para as mães e crianças atípicas.

Aldo Rebelo: Olha, o Brasil tem o Sistema Único de Saúde, que é considerado exemplar no mundo como conceito, como ideia. O funcionamento, porém, é muito precário. Eu conheço amigos que são médicos e dizem: “Aldo, é quase crime o que acontece”, principalmente com câncer de pulmão e câncer de mama. A mulher é diagnosticada com um carocinho de arroz no seio em uma clínica geral, em uma consulta lá numa UPA ou num posto de saúde. Aí ela tem que ir para o especialista. Daqui até o especialista, já vai tempo suficiente para que aquilo se espalhe e se transforme em uma coisa quase irreversível.
Ela vai para o especialista e dali é que vai ser marcada a cirurgia, estou dizendo o que eu acompanho, o que eu vejo. Quando ela chega para a cirurgia, aquilo ali já disseminou para qualquer outro lugar; ela foi condenada à morte pela omissão do sistema de saúde. Essa é que é a verdade. Essa criatura foi condenada à morte porque ela deveria ter saído diretamente desse diagnóstico primário para a cirurgia direta. Ela poderia se salvar ali, mas não; o sistema vai prorrogando. No câncer de pulmão também; ele é revelado ali na fase inicial, mas daqui que se consiga lugar para a cirurgia, o tempo já condenou essa pessoa à morte.
Então, você tem, naturalmente, que dotar esse sistema que é bem concebido dos meios para que a população tenha acesso. Isso é possível. Conheço o pessoal lá do Hospital de Câncer de Barretos e sei como é a experiência. Hoje em dia, um exame precoce que examina uma proteína já diz se a mulher tem tendência a desenvolver o câncer de mama, e você já faz uma prevenção antecipada. Em alguns países da Europa, isso reduz a mortalidade.
No caso dos autistas, eu tenho amigas que são mães de crianças autistas e é sofrimento também. Conheço um especialista, amigo que é professor da Universidade Federal de São Carlos, o professor Noronha Goyos, que é especialista nessa disciplina. Mas o Estado brasileiro, a burocracia do Estado brasileiro, é muito lenta para as necessidades da população. Por quê? Porque o burocrata tem o conforto de ser vitalício, ele está ali. A vida dele não vai mudar se o atendimento for hoje ou amanhã, se resolver o problema agora ou daqui a dois anos, três anos ou três meses.
Então é o seguinte: é preciso que haja mais compromisso de serviço público, principalmente nessas três questões: saúde pública, educação e segurança pública. Você não pode ter celular roubado como aconteceu com uma mulher que se queixou lá na Avenida Paulista. Roubaram o celular e ela disse: “Meu senhor, roubou meu celular”. Disseram para ela ir à polícia, e ela disse que já era o segundo. Quando ela foi lá, o policial disse: “Aqui é uma área de risco, a senhora não sabia?”. Ora, pode ser área de risco para o ladrão, e não para ela que teve o celular roubado. Nessas três áreas, é preciso haver uma mudança profunda na relação do cidadão com o serviço público.
Juliano Ricco (Câmera Esportiva): O Brasil não é um país de clubes. Então, o Brasil depende de prefeituras para que a iniciação esportiva seja trabalhada. A prova disso é a Rebeca Andrade, oriunda aqui de Guarulhos, de um trabalho feito pela prefeitura no Ginásio Bonifácio Cardoso. O que acontece e o que nós percebemos? Muitas vezes, a política entra na frente da demanda. Você pode ter mil crianças naquele projeto; troca o prefeito, acaba o projeto. Ou tem essa questão, como o senhor bem abordou, da polarização: o presidente é de um partido, o governador é de outro e o prefeito é de outro. Então, eu chego à conclusão de que só na cidade onde o governo e a prefeitura são do mesmo partido é que se pode garantir que aquelas crianças sejam atendidas. O senhor, sendo eleito presidente, qual mecanismo pode apresentar para que a demanda seja atendida, e não a vontade política?

Aldo Rebelo: Propus uma mudança na lei de uso e ocupação do solo: quando você autorizar um conjunto habitacional ou quando autorizar a construção de uma escola, você tem que autorizar desde que haja espaço destinado à prática do esporte. Você construiu conjuntos habitacionais gigantescos em Guarulhos, no ABC e no Brasil inteiro. Lá em São Paulo tem três grandes COHABs –em Itaquera, Tiradentes e uma outra– sem espaço para a prática do esporte para a população e, principalmente, para as crianças.
Na época em que eu era Ministro do Esporte, chamei o embaixador da Sérvia, porque os sérvios revelam muitos jogadores de tênis, que aqui no Brasil é esporte de classe média. Quando você olha para a classificação, muitos jovens, principalmente nas categorias menores, são sérvios. Eu chamei o embaixador e perguntei: “Como é que vocês revelam tanto menino e tanta menina como tenista?”. Ele disse: “Porque toda escola tem uma quadra de tênis”. O professor de educação física olha ali quem tem mais talento; e quem tem mais talento, ele encaminha para o clube municipal, que é público. E aí, quem tem mais talento ainda, pode até ir para o exterior fazer carreira e virar um tenista profissional.
Aqui no Brasil, você não tem essa infraestrutura. Eu vi uma vez uma entrevista com o Petković, que também é sérvio e jogou no Flamengo, no Vasco e no Vitória. Ele disse isso: “É que nós tínhamos acesso ao esporte em casa”. Os meninos, mesmo os pobres, tinham como praticar esporte porque tinham infraestrutura.
Então, a primeira coisa, Juliano, é modificar a lei de uso e ocupação do solo. Por quê? Porque os políticos no Brasil geralmente são pessoas de classe média, que têm seu próprio clube onde praticam seu esporte; eles não se lembram que os pobres não têm onde praticar esporte, o que deveria ter na escola ou no clube municipal. Então, o que você precisa é da obrigatoriedade: vai fazer conjunto habitacional, público ou privado, tem que ter uma área para o esporte. Vai construir uma escola, tem que ter uma área para o esporte. Se construiu e não teve, vai ter que arranjar um terreno próprio ali próximo para que a escola tenha uma área para a prática esportiva.
Eu estudei na Universidade Federal de Alagoas e meu professor de educação física era um tenente aposentado, o Tenente Madalena. Era um herói; ele não tinha nenhum equipamento. A única coisa que tínhamos era uma quadra aberta, descoberta, de cimento. Toda semana alguém quebrava o braço ali quando caía. Quando eu fui Ministro do Esporte, eu disse: “Não, eu devo isso à minha universidade”. Falei que daria o recurso para fazer o parque olímpico, desde que fizessem lá uma homenagem ao Tenente Madalena e colocassem o nome dele no equipamento. O recurso foi devolvido três vezes, porque a burocracia no Brasil é muito difícil e muito complicado fazer uma licitação.
Então, você tem que cuidar disso, meu amigo. Você tem que fazer a obrigatoriedade de que os equipamentos públicos ou privados, conjuntos habitacionais e etc., tenham uma área para a prática do esporte. Aí você resolve uma questão.
Valdir Carleto – Click Guarulhos: A pergunta que não quer calar: Aldo Rebelo, o senhor disse que não é candidato de “terceira via”, que é da “primeira via”. Mas, vamos lá: se as urnas não se mostrarem tão sorridentes assim e o senhor não consiga ir para o segundo turno, entre a possibilidade de passar Lula e Flavio Bolsonaro, qual seria o seu posicionamento?
Eu não vou escolher quem vai para o segundo turno comigo; pode ser o Lula ou o Bolsonaro. O que eu sei é que a eleição nem começou e, se eu já começo a admitir que não vou para o segundo turno, quem vai me acompanhar? Eu vou para o segundo turno. Eu tenho uma biografia que me autoriza a ter essa aspiração e tenho a experiência que me autoriza a isso. Já ocupei todas as funções; fui Presidente da República por 48 horas, quando era Presidente da Câmara e assumi na ausência do presidente e do vice. Fui ministro de quatro pastas, administrei todos esses ministérios e os deixei melhor do que encontrei. Então, eu posso dizer com segurança que tenho a expectativa de ir para o segundo turno. Além do mais, o time entra no campeonato e alguém pergunta: “Você é palmeirense, mas vai torcer pelo Corinthians ou pelo São Paulo?”. Não. Você não pode começar o campeonato achando que o seu time não vai chegar. Eu acho que vai chegar.
Renée de Oliveira – Rede Cidade Live: Pré-candidato, o senhor lembrou aqui de ter sido ex-ministro da Defesa. Sendo ex-ministro, qual é hoje a maior vulnerabilidade estratégica do país?
Aldo Rebelo: Renée, hoje temos dois temas que vão se unir em uma agenda única: segurança pública e segurança nacional. Isso porque, quando o crime organizado começa a controlar áreas de fronteira, como na Amazônia, a administrar o curso dos rios e a dominar território nas grandes metrópoles do Brasil, isso vira uma questão nacional. Em São Paulo, em Fortaleza, em Porto Alegre, em todo canto tem território dominado.
Nós temos Forças Armadas com recursos humanos muito preparados, mas sem equipamento. Nossos pilotos são especializados, nossos submarinistas são profissionais, nossas forças especiais são especiais; só que o piloto precisa do caça, o submarinista precisa do submarino. Nós não temos esses equipamentos. O próprio Ministro da Defesa disse que o Brasil não tem reserva para sustentar uma situação de emergência por mais do que uma semana. O Brasil precisa cuidar da sua área de defesa em um mundo hoje muito perigoso, onde todo mundo amplia o orçamento. Precisamos cuidar das vulnerabilidades, principalmente na Amazônia — uma região rica e cobiçada há quinhentos anos. O Brasil precisa de leis de proteção para enfrentar o crime organizado.
Wellington Alves – GRU Diário: O GRU Diário vai soltar hoje uma matéria colocando que Guarulhos tem 665 mil endividados; ou seja, 70% da população adulta da cidade está endividada. O governo soltou o Desenrola 2.0, mas o ambiente econômico não parece tão favorável. Qual é a sua proposta para que não só Guarulhos, mas o país não tenha tantos endividados?
Aldo Rebelo: O que nós temos, Wellington, é uma calamidade. O governo atual encontrou o país com 70 milhões de endividados; hoje somos 72 milhões. Conheço empresários do varejo que anteciparam o pagamento do décimo terceiro e dizem que cem por cento dessa antecipação vai para pagar cheque especial ou juros de cartão de crédito. Isso acontece porque o país está parado, não cresce e não gera emprego de renda média. O Brasil gera emprego no setor de serviços com renda de um salário mínimo e meio.
Nós perdemos o emprego de classe média. A população, espremida, vai se endividando. Você tem que resolver essa situação repactuando o país. Podemos criar um fundo soberano de terras raras ou títulos lastreados em terras raras, que é a cobiça do mundo. Os Estados Unidos pagaram R$ 14 bilhõesem uma empresa de terras raras em Goiás. Você tem que oferecer à população expectativa de aumentar a renda, e este governo não tem oferecido isso. É preciso encontrar uma solução para essa inadimplência que leva ao desespero das pessoas físicas e jurídicas.
Juliano Ricco: O senhor foi ministro do Esporte de 2011 a 2014. A gestão Bolsonaro incorporou essa pasta ao Ministério da Cidadania. Qual foi o seu sentimento ao ver que a pasta deixou de existir? Uma vez eleito, o senhor vai continuar com o Ministério do Esporte? É possível trazer a iniciativa privada para essa pasta?
Aldo Rebelo: Quando você acaba com o ministério, você acaba com a agenda. O Ministério, quando foi criado na época dos militares, saiu do departamento de esporte do Ministério da Educação e era bem-sucedido: organizava os Jogos Estudantis e os Jogos Universitários. Depois dos governos civis, isso foi abandonado e o governo Bolsonaro tirou o ministério.
Não só deve-se manter o Ministério, como valorizar a agenda, colocando o esporte como prioridade, não apenas como alto rendimento, mas principalmente como educação. Quando eu ia inaugurar um ginásio, Juliano, as pessoas mais felizes eram as mães, porque elas sabem que, enquanto o filho está dentro de uma quadra, ele está longe do traficante e do vício. Eu criei também o programa Força no Esporte, usando os equipamentos das Forças Armadas para oferecer esporte, idiomas e balé às crianças pobres. Isso poderia ser estendido para as polícias militares e para o ensino de música nos quartéis.
Roberto Samuel: Gostaria de saber sua visão sobre o feminicídio e sobre a corrupção no Brasil. Existe alguma maneira de diminuir a corrupção? E no seu projeto, há algo sobre feminicídio?
Aldo Rebelo: O feminicídio é uma das formas mais abomináveis de violência no país, pois muitas vezes ocorre quando a mulher é mãe, deixando um impacto em toda a família. Deve ser tratado com normas especiais. Sobre a corrupção, Roberto, penso o seguinte: o Ministério Público não tem o direito de parar o país como para, mas precisa de poderes especiais para combater a corrupção e o crime organizado.
O crime organizado precisa de normas específicas. Você não pode tratar um crime ligado ao tráfico da mesma forma que um cidadão que comete um crime de trânsito involuntário. O crime organizado não pode ter direito a audiência de custódia, habeas corpus ou “saidinha”. Da mesma forma, sobre o menor: se ele tem idade para estuprar ou para matar, ele tem idade para arcar com o crime e responder por ele. É o crime que deve ser tratado, não a idade.
Valdir Carleto: A população de rua é visível em todas as grandes cidades e muitos dizem que se trata de problemas de álcool e drogas, não falta de emprego. Existe solução?
Aldo Rebelo: Claro que existe. Muitas dessas pessoas estão em situação de desespero, sem família. Você tem que tratar isso como um problema de saúde pública e é um tema polêmico, que é a internação compulsória. Já vi casos no interior de São Paulo com três gerações viciadas em crack. Precisamos proteger essas pessoas através da internação.
Renée de Oliveira: Qual foi o maior erro da República brasileira nos últimos vinte anos?
Aldo Rebelo: Eu creio que o maior erro foi o bloqueio do desenvolvimento do nosso país pela burocracia empoderada. Essas corporações do Judiciário e do Ministério Público não têm compromisso com o desenvolvimento. Criamos uma Constituição com uma coluna de direitos sociais, mas interditamos a coluna da receita para pagar esses direitos. O Congresso se preocupa em dar benefícios e isenções, mas quem se preocupa em incentivar o empreendedorismo e proteger quem gera emprego? Essas pessoas foram criminalizadas.
Wellington Alves: O Bolsa Família hoje tem um investimento de cento e cinquenta e oito bilhões. Muitos empresários reclamam que parte da população não quer emprego formal para não perder o benefício. Há alguma forma de reduzir esse gasto dando autonomia financeira às pessoas?
Aldo Rebelo: No Amapá, setenta e três por cento da população vive de transferência de renda; em alguns municípios, esse número chega a noventa e três por cento. Isso acontece porque não tem atividade econômica no estado, que é rico mas está tudo bloqueado. O empresário não pode pagar um salário maior porque senão ele quebra; o trabalhador olha o custo do transporte e da jornada e prefere o auxílio. O único caminho é o país voltar a crescer para aumentar a renda do trabalhador e o lucro do empresário.
Juliano Ricco: Sobre os estádios da Copa e o Parque Olímpico, muitos estão subutilizados. Como resolver essa situação?
Aldo Rebelo: Esses estádios foram financiados por empréstimos públicos e privados. Muitos deles, como o de Brasília ou o de Cuiabá, recebem multieventos, congressos e feiras. Sobre o de Manaus, não tenho informações atuais de como está sendo administrado. É importante lembrar que as estruturas das Olimpíadas muitas vezes são temporárias. Já as obras de mobilidade urbana não eram para a Copa, eram obras planejadas há muito tempo que finalmente saíram do papel por causa do evento.
NOTA DA REDAÇÃO:O texto-base desta reportagem e a transcrição da sabatina são de autoria do jornalista Vinicius Andrade, do portal Guarulhos Todo Dia, que gentilmente permitiu a reprodução nos demais veículos de comunicação participantes.




Agradecimentos de todos os veículos participantes à Com Brasil TV, dirigida por Fernando Mauro Trezza, pela transmissão por todas as TVs comunitárias.
