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Profissionais de mega hair sem qualificação adequada podem causar riscos à saúde capilar

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O mercado brasileiro de alongamento capilar vive forte expansão, impulsionado pela alta demanda nos salões de beleza e pelo desejo de transformação estética imediata. No entanto, Ingrid Desirée, uma das principais autoridades do setor no país, alerta que esse crescimento traz um reflexo preocupante: o aumento das queixas relacionadas a aplicações inadequadas causadas pela formação insuficiente de profissionais.

Com mais de 30 anos de atuação, Ingrid aponta que a proliferação de cursos rápidos e estritamente teóricos na internet criou uma falsa percepção de facilidade. “Hoje, basta um tutorial ou um curso online de poucas horas para que muitas pessoas se autodenominem ‘megahairistas’. Sem qualquer experiência prática supervisionada, sem conhecimento sobre anatomia capilar ou preparo técnico adequado, esses profissionais começam a realizar procedimentos complexos que comprometem a saúde capilar e do couro cabeludo das clientes”, adverte a especialista.

Ela destaca que a democratização do acesso ao mega hair, que antes era visto como um serviço de luxo e nicho, acabou abrindo espaço para a atuação informal e desqualificada. Como consequência, cresce o número de clientes que procuram salões especializados em busca de correções e tratamentos para recuperar a saúde dos fios.

Entre os problemas mais recorrentes identificados no couro cabeludo e na fibra capilar por conta de aplicações errôneas, destacam-se:

•      Alopecia de tração e falhas localizadas: Causadas pela distribuição incorreta de peso e tensão excessiva na raiz;

•      Quebra severa e emaranhamento crônico: Frutos de técnicas de fixação inadequadas e falta de alinhamento dos fios;

•      Incompatibilidade química e de coloração: Falta de diagnóstico prévio sobre o histórico capilar da cliente;

•      Dores de cabeça e desconforto persistente: Sintomas diretos de uma aplicação que desrespeita a fisiologia do couro cabeludo.

De acordo com Ingrid, que é também perita judicial em mega hair, o fator preço tem sido o principal atrativo utilizado por profissionais despreparados para atrair o público por meio das redes sociais. Contudo, o investimento inicial mais baixo frequentemente se converte em prejuízos financeiros severos a curto prazo: “O barato sai muito caro quando falamos de saúde capilar. Além de gastar duas vezes para remover e corrigir o trabalho malfeito, muitas mulheres enfrentam meses de tratamentos dermatológicos e capilares intensivos para tentar reverter danos e recuperar a confiança na própria imagem”.

Para a profissional, a atuação de excelência em mega hair vai muito além do ato mecânico de fixar mechas de cabelo. A profissão exige conhecimentos interdisciplinares profundos em áreas como a tricologia (estudo dos cabelos e do couro cabeludo), o visagismo (adequação da imagem à personalidade e biotipo), o equilíbrio da distribuição de peso das mechas e o entendimento detalhado da estrutura química dos fios.

“Cada cliente é única e possui uma densidade capilar, um estilo de vida e uma saúde de couro cabeludo específica. Uma técnica que funciona perfeitamente para um cabelo grosso e saudável pode ser devastadora para fios finos ou sensibilizados por químicas anteriores. O mercado precisa resgatar o respeito à profissão com mais responsabilidade e menos improviso”, conclui.

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