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O crescente uso dos ansiolíticos

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Querer que uma festa que você já vem programando por tanto tempo chegue logo. A semana de provas que você sabe que está para chegar e vai ser barra pesada ou o dia tão esperado do seu casamento. Todos esses fatores geram a ansiedade e isso pode ser considerado normal. Contudo, existem limites, que, se ultrapassados, pode transformar a sua viagem dos sonhos ou o prazo da entrega do serviço em síndrome do pânico, doenças psicossomáticas (gastrite, taquicardia, hipertensão, são alguns exemplos) e por aí vai.

Com rotinas cada vez mais estressantes, seja pelo aspecto profissional, financeiro ou amoroso, verdade é que mal acordamos e nossa cabeça já está no amanhã – isso quando a tal ansiedade não invade os nossos sonhos e os transformam em pura tensão.

Os sintomas não são difíceis de detectar: sensação de sufoco, tensão muscular, bloqueio mental, aperto no peito, medo, tremores e a famosa “dor de barriga”. Seja físico ou emocional, as ideias embaraçam e parecemos fios desencapados de alta voltagem. O bacana é que dá para conviver com isso; mas para alguns, nem sempre é possível.

“Um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade”.
Esopo

O que é a ansiedade?

É bom saber que ela não é doença, mas faz parte da nossa defesa; ou seja, todos são ansiosos, em menor ou em maior grau, inclusive os animais. De acordo com a psicóloga do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos Marina Arnoni Balieiro, “a ansiedade é uma resposta fisiológica normal do organismo diante de algo novo, inesperado, desejado, temido e até muito feliz. O que acontece é que, muitas vezes, esses sintomas de ansiedade deixam de ser pontuais e passam a ser cada vez mais frequentes, tornando-se, então, um transtorno de ansiedade. As pessoas estão cada vez mais impacientes e querem que tudo seja resolvido e feito de imediato; ninguém mais consegue esperar. Desde as crianças até os adultos, todos querem que as coisas aconteçam na hora e lugar desejados. Ninguém mais tem paciência de esperar e de se frustrar”.

Marina conta que não existe uma fase da vida em que essa característica seja mais acentuada, mas, questionada do porquê de sermos ansiosos, a psicóloga explica: “Hoje em dia, queremos que tudo ocorra de imediato, pois estamos cada vez mais nos esquivando das frustrações; é como se não pudéssemos perder.

Os pais tentam sempre compensar os filhos, seja com presentes, comidas, viagens. A criança não tem que lidar com o vazio, a perda, com o não fazer nada; estão sempre ocupadas com atividades e compromissos e, por isso, não sabem lidar com a espera, com o tempo. Assim querem sempre algo, querem sempre tudo no agora”.

Ansiolíticos: para o bem ou para o mal?

Nos Estados Unidos, doenças relacionadas com a ansiedade atingem 18% da população, enquanto que no Brasil, são 12%. Somos um dos países que mais fazem pesquisas na internet com o tema “como vencer a ansiedade”. Talvez, esse número indique que, neste momento, enquanto você lê esta matéria, a ansiedade está ditando os seus pensamentos.
Um dos tratamentos para essas inquietudes são os ansiolíticos. Os mais famosos são: bromazepam, diazepam, alprazolam e clonazepam. No Brasil, foram comercializadas 23 milhões de caixas de um conhecido ansiolítico. Essa pesquisa coloca o País no ranking dos maiores consumidores de medicamentos para essa finalidade. As informações são do IMS Health, entidade privada especializada em informações da área da saúde, com pesquisas feitas em 2015.

As estatísticas afetam também os adolescentes – a época em que os hormônios estão “na flor da pele” e de que há o desconforto natural de querer que aconteça tudo na hora ou que os momentos cheguem logo, além do desejo de experimentar o novo. Em qualquer doença, os primeiros tratamentos procurados são sempre os remédios, o que pode ser um grande perigo quando se trata de automedicação.

dra-marina-arnoni“Na grande maioria das vezes, as pessoas se utilizam de remédios quando estão em crise, o que se torna um problema sério. Nessa hora, a automedicação é, sem dúvida, muito perigosa, podendo levar à intoxicação e colocar a vida dessa pessoa em risco”, alerta a especialista.

Para Marina, o uso de ansiolíticos só é indicado quando a relação risco/benefício é válida. O paciente será avaliado pelo médico e dependerá de cada paciente – fase de vida ou sintomas que apresentam, por exemplo. “É importante dizer que nem todas as pessoas que se consideram ansiosas têm transtorno de ansiedade. O risco do uso de medicação não prescrito é muito grave e no caso das medicações de ansiedade pode trazer problemas, desde reações adversas das medicações como complicações bem graves e dependência”. A memória e o aprendizado também podem ser afetados pelo consumo exagerado desses remédios.

A psicóloga ainda recomenda a atividade física como ajuda natural no controle da ansiedade. Um tratamento alternativo são as terapias, além das técnicas de relaxamento.

crescente-uso-dos-ansioliticosPrecaução

O ansiolítico Rivotril (clonazepam), usado no tratamento da ansiedade e da insônia, consta na lista dos dez medicamentos mais consumidos no Brasil. Especialistas do American College of Osteopathic Neurologists and Psychiatrists apontam pesquisa que mostrou a relação do uso dessa classe de remédios com o risco do Alzheimer em 32%, se usados por um período superior a três meses, mas inferior a 180 dias. Quando o consumo passa de 6 meses, o risco chega a ser de 82%. O estudo foi feito com pessoas acima de 65 anos.

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