Na última segunda-feira, 13, membros da Banda Bicha estavam reunidos no Adega 33, na avenida Paulo Faccini, para participar do primeiro ensaio para o desfile que leva homens com roupas femininas às ruas de Guarulhos. Na ocasião, a reportagem foi convidada a assistir e aproveitar o momento para entrevistar o atual presidente do bloco, o empresário Kiko Magalhães, de 39 anos. O clima era de alegria e expectativa para saber como a Banda, que desfila há quatro décadas no Centro da cidade, circularia no sábado que antecede a semana do Carnaval.
Como chegamos cedo, vimos os músicos afinarem seus instrumentos para começarem a festa. Entre o som das vozes e dos risos que crescia pouco a pouco, Kiko contou que frequenta os desfiles desde os quatro anos de idade e está no comando há nove. Quando o empresário assumiu, em 2008, faltavam 16 dias para o dia do desfile e a Banda corria o risco de não sair. Com uma equipe dedicada, que Kiko faz questão de valorizar, o Carnaval da cidade recebeu seu tradicional bloco carnavalesco. “A Banda Bicha é uma das maiores manifestações culturais do município”, diz Magalhães, orgulhoso.
Neste ano em que a Banda Bicha completa 41 carnavais, a diretoria espera o ousado número de seis mil foliões que sairão do Hotel Slavieiro, na Vila Moreira, até a rua Joseph Zarzour, em frente à praça Ênio Chiesa, já no Centro. Como atração: a Gilmelândia, Bateria 40 Graus e Alexandre Frota, além de mais de 100 instrumentos, entre cavacos e baterias, que darão as notas da folia. Vale citar que no Carnaval passado a festa reuniu cerca de cinco mil pessoas.
Entretanto, quem curte o bloco não sabe ao certo todo processo necessário para que o projeto se torne realidade. Segundo Magalhães, a Banda Bicha acontece aos 45 minutos do segundo tempo. “Não é novidade para ninguém que não tem nenhum retorno financeiro, nem intuito lucrativo. Então, a gente deixa para pensar da Banda Bicha faltando pouco tempo”, conta Kiko, que luta para que o projeto de lei que prevê a inclusão do bloco no calendário oficial da cidade seja aprovado na Câmara Municipal, permitindo a busca de outros recursos além do patrocínio privado.
As maiores dificuldades para fazer a Banda rolar são financeiras. Para circular, são necessários cerca de R$ 80 mil que vêm de patrocinadores. Questionado sobre a ajuda da Prefeitura, Magalhães disse que não recebeu nenhuma verba da administração municipal desde que ele está no comando. O suporte é o de segurança, atendimento médico emergencial, banheiros químicos, além de apoio logístico e operacional. “O que a gente não sabe é até quando vamos aguentar fazer os aportes. Pedimos um pouco mais de atenção pelo tamanho que é a Banda Bicha hoje. Ela não é um produto meu, nem de ninguém, é do munícipio”, desabafa.
Politicamente correto
Em tempos em que o mundo caminha para o politicamente correto, as marchinhas carnavalescas foram colocadas em xeque. No caso da Banda Bicha, as famosas músicas de duplo sentido continuam, afinal, em um bloco que tem o principal chamativo nos homens vestidos de mulher, fica difícil pensar em preconceito. Kiko, quando indagado sobre o assunto, é direto: “Na Banda Bicha não existe preconceito, muito menos na música.
Preconceito está na cabeça, na educação da pessoa e não em um bloco de Carnaval. Não é a Banda Bicha que vai fazer diferença na opção sexual de ninguém. Eu frequentei com quatro, nove, dez anos e isso não afetou minha vida em nada”.
Para provar que o preconceito é mínimo, Rocha, 67, ex-policial militar, foi apresentado para a reportagem. Ele, que participa desde 1985, lembra-se da época em que o bloco saía do Recreativo, na rua Nilo Peçanha, com cerca de 200 pessoas e com baterias emprestadas de amigos.
Questionamos se Rocha se fantasiava de mulher. Sorrindo, ele contou que ainda não se vestiu. Sua missão no grupo é garantir a segurança. “A gente se preocupa para não descambar a coisa. A gente evita confusão. Quem não se veste de mulher evita a confusão e bebe”, brincou.
Donald Trump
“Meu amor, você não acredita. Na casa branca, o gringo anunciou que vai desfilar com a Banda Bicha”… É com essa marchinha que o bloco vai circular neste ano. A música é um convite para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ‘dê a louca’ e venha para Guarulhos desfilar com o bloco carnavalesco. Já pensou? É claro que as clássicas “Mamãe eu quero”, “Cabeleira do Zezé” e “A Pipa do Vovô”, entre tantas outras, também fazem parte do repertório.
Programação dos blocos em Guarulhos:
Sábado, 18 de fevereiro
- Banda Bicha
Horário: 12h
Local: em frente à Praça Ênio Chiesa com a rua Joseph Zarzour - Bloco Academia Superação
Horário: 14h
Trajeto: Avenida Damião Lins de Vasconcelos, avenida Jaime Regalo Pereira, avenida Plínio F. Gonçalves e rua Sargento da Aeronáutica Manoel Dias da Silva. - Bloco dos Fanfarrões
Horário: 15h
Trajeto: Rua Central, rua Morás, rua Itu, rua Dr. Domingos Paschoal Benedito, viela Tietê, rua José Manoel Lopes, rua Tapiratiba e rua Miranhas até a rua Jandira
- Bloco Bororó
Horário: 13h30
Trajeto: Alameda das Tulipas, avenida Odair Santanelli e rua Celia Domingues Faustino.
- Bloco Pato Esganado
Horário: 17h
Local: Lago dos Patos
Domingo, 19 de fevereiro
- Pré Carnaval Unó
Horário: 11h
Local: Rua 2º Sargento Fernando Fontes, 136 – Jd. Santa Mena - Bloco Pato Esganado
Horário: 17h
Local: Lago dos Patos
Sábado, 25 de fevereiro
- Bloco “Ki Cachorro Uq”
Horário: 12h
Trajeto: Rua Doutor Carlos Aparecido Rabelo de Freitas
Terça, 28 de fevereiro
- Bloco da Terê
Horário: 14h
Local: Bosque Maia
Sábado, 4 de março
- Unidos dos Meus Ovos
Horário: 12h
Trajeto: Viela Camboriú, rua Raimundo Almeida de Araújo, rua Tijucas do Sul e rua dos Guedes. - Bloco Dazantiga
Horário: 15h
Trajeto: Saída da rua Luís Gama com destino à rua Soldado José Hipólito
Domingo, 5 de março
- Folia da Vila Augusta
Horário: 10h
Trajeto: Rua Francisco Antunes, com retorno pela rua Cônego ValadãoDomingo, 12 de março
- Bloco do Bem Dito
Horário: 11h
Trajeto: Rua Águas Limpas, rua São Miguel dos Campos, rua Padre Cláudio Arenal, rua Fonte Boa e rua Aporé.

