Uma alimentação balanceada é um dos pilares da boa saúde e, por isso mesmo, um assunto que gera muita preocupação, ainda mais quanto se trata de crianças. Os hábitos alimentares da primeira infância são determinantes para o crescimento e desenvolvimento intelectual do pequeno. Mesmo assim, nesse período, muitos pais e responsáveis enfrentam problemas que vão desde a dificuldade de aceitação de determinados alimentos do cardápio até o desafio de fazer o rebento comer adequadamente. Ainda que clássicas, essas situações têm se agravado devido aos hábitos da vida moderna: com a correria do dia-a-dia, a “facilidade” dos industrializados e a falta de opções saudáveis na dieta, a desnutrição é uma preocupação cada vez mais presente nos lares e nos consultórios médicos.
Um distúrbio alimentar pode ser facilmente caracterizado pela perda ou dificuldade no ganho de peso e estatura abaixo do normal para a idade, mas é preciso observar outros sinais que podem sugerir que algo está errado. “Ainda que o paciente não apresente problemas relacionados ao apetite, é preciso observar a qualidade da alimentação. Isso ocorre porque a desnutrição não é decorrente exclusivamente da falta de alimentos. Na verdade, ela é caracterizada como um desequilíbrio na oferta de nutrientes, seja pela ingestão insuficiente ou inadequada de alimentos, seja pela dificuldade de absorção do organismo”, explica Joana Carollo, nutricionista da Nova Nutrii. O alto consumo de industrializados, refeições prontas e fast foods contribuiu para um novo perfil: crianças que se alimentam normalmente, porém de forma inadequada.
O resultado disso? Sobrepeso ou obesidade, porém com maior probabilidade de apresentar algum déficit nutricional. Dados do Ministério da Saúde estimam que, atualmente, 20% da população infantil estão acima do peso, enquanto dados do IBGE (POF-2009) apontam que esta situação quadriplicou no País em duas décadas. Justamente por isso, é importante observar outros sinais como fraqueza, falta de apetite, apatia, pele e cabelos ressecados e, sobretudo, enfermidades. “A carência de vitaminas, sais minerais e outros micronutrientes pode prejudicar a resposta imunológica e deixar a criança mais vulnerável a essas situações, adoecendo com mais frequência”, enfatiza ela.
Para incluir na dieta da criança
- Ainda que a desnutrição esteja diretamente ligada a oferta calórico-proteica, alguns micronutrientes são essenciais durante a infância e merecem atenção especial na dieta:
Ferro (beterraba, fígado de boi, feijão e couve): indispensável para o desenvolvimento físico e psicomotor, sua carência pode levar a anemia ferropriva, que afeta tanto o crescimento, quanto o aprendizado; - Zinco (agrião, escarola, farelo de trigo, aveia e sementes de girassol): por estar relacionado ao metabolismo hormonal e a diversas reações enzimáticas do organismo, sua carência pode limitar o crescimento, afetar o paladar e o desenvolvimento cognitivo;
- Cálcio (produtos lácteos e seus derivados, além de opções vegetais como couve, brócolis, amêndoas e castanhas): essencial na formação do conjunto esquelético, crescimento e fortalecimento de ossos e dentes. Sua carência pode prejudicar o desenvolvimento da estatura, levando a complicações, como raquitismo e má formação óssea;
- Vitamina A (vegetais folhosos de coloração verde escura, gema do ovo e frutas como a manga e o mamão): além de fundamental para a saúde ocular, sua falta pode igualmente prejudicar o crescimento da criança e afetar significativamente o sistema imunológico.
Mudança de hábitos
É indiscutível que a orientação médica é fundamental para enfrentar o problema, já que somente um profissional pode diagnosticar e indicar o melhor tratamento, ou até uma suplementação. Mas algumas medidas simples, tomadas pelos tutores, podem ajudar o pequeno a ter uma alimentação melhor. Confira as dicas da nutricionista:
- Estabeleça horários, evitando que a criança pule refeições, coma fora de hora ou fique longos períodos sem se alimentar;
- Faça variações no cardápio, introduzindo alimentos saudáveis de uma forma mais saborosa e convidativa;
- Evite a introdução precoce de industrializados, que são ricos em açúcares e conservantes. “Além de dificultar a aceitação de opções naturais e verdadeiramente saudáveis, isso pode afetar a própria consciência da criança a respeito de sua alimentação”, enfatiza Joana. No caso dos maiores, vigilância é essencial para que esse tipo de alimento não faça parte da dieta diária;
- Planeje a lancheira. Deixar o filho livre para escolher o que comer fora de casa pode fazer com que ele escolha inadequadamente ou sequer se alimente;
- Não caia na armadilha dos “fortificados e enriquecidos com vitaminas”, a alimentação natural e caseira é indiscutivelmente mais nutritiva.

