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Blocos de rua fazem a alegria dos foliões guarulhenses

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Por Tamiris Monteiro

Nos últimos anos, os blocos de Carnaval ganharam força e têm arrastado multidões por onde passam. E graças a uma programação intensa, que acontece do primeiro ao último fim de semana de fevereiro, não faltam opções para quem gosta de cair na folia. A história de ir atrás do trio está tão em alta que no fim de semana passado, o bloco da Banda Bicha – que homenageou os 100 anos do Chacrinha – estima ter reunido um público de 20 mil pessoas, segundo os organizadores.

Para se ter ideia de como a presença dos blocos de rua tornou-se importante, muitas prefeituras já trabalham em parceria com os organizadores. Em Guarulhos, 2018 foi o primeiro ano em que Banda Bicha foi para a rua como um evento oficial do município, embora a Prefeitura só tenha fornecido a estrutura de apoio: as despesas são bancadas por patrocinadores.

Esse boom é recente, mas vale lembrar que a relação dos foliões com os “bloquinhos de rua” já é antiga na cidade. Por aqui, tudo começou na década de 1970. Até 1990, a Turma do Peru, o Hospitaleco e a própria Banda Bicha eram nomes muito populares no período carnavalesco. No auge, esses grupos iniciavam as comemorações dentro do Clube Recreativo, no Centro, e posteriormente saíam pelas ruas.

Banda Bicha

O grupo foi formado em 1975, após um tradicional rachão de futebol. Os jogadores do time reuniram-se no saudoso Ponto Chic, na rua Dom Pedro II, e entre uma gelada e outra, os “atletas” tiveram a ideia de irem fantasiados de mulher para o Carnaval que aconteceria naquele mesmo dia. Debaixo de muita chuva, os amigos, além de fantasiados, ficaram enlameados, e depois de mais algumas bebidas, saíram pelas ruas com instrumentos improvisados e um único surdo, alegrando quem passava por eles. E assim nasceu a Banda Bicha.

Com mais organizadores e membros, em 1976, a Banda foi oficializada como um dos principais blocos de Guarulhos. Em meados dos anos 1980, os fundadores abriram espaço para novos entusiastas, dispostos a dar continuidade ao projeto, trazendo mais estrutura e organização, o que resultou em mais adeptos nos anos seguintes. Em 2007, passou a ter abadás personalizados, trios elétricos, percussionistas profissionais, área restrita de concentração, com shows e presença de artistas, equipe de apoiadores e esquema de segurança.

Bloco Mamonas Assassinas

Não tão antigo, mas com um nome expressivo para os guarulhenses, o bloco existe há um ano e três meses e está indo para seu segundo desfile. “Em uma reunião entre amigos, resolvemos homenagear a banda no seu aniversário de 21 anos da morte dos músicos, isso foi em 12 de novembro de 2016. Com o consentimento do dono da marca, o Jorginho, colocamos o bloco na rua e já no primeiro ano saímos com aproximadamente 2.500 foliões. Também pensamos no bloco como uma ferramenta social: trocamos os abadás por alimentos e distribuímos para os mais necessitados por meio do projeto ‘Entre nessa onda’. Neste ano temos um apoio importante dos sucos Camp, para custeio da estrutura do bloco e degustação dos seus produtos gratuitamente”, ressalta Luiz Etnia, um dos organizadores.
Durante o trajeto que o bloco percorre, são tocadas músicas de sucesso dos Mamonas Assassinas, axé, samba e hits do momento. Já no Clube do Cecap, a banda cover dos músicos faz um show com uma hora e meia, mais bateria da escola de samba e DJ.

Uniblocos

Todos juntos e misturados, esse até poderia ser o lema do Uniblocos; afinal, o bloco reúne ONG’s, associações e grupos artísticos dedicados ao Carnaval de rua da cidade. “Fundada há dois anos, a instituição nasceu por meio de ideias em comum entre os presidentes de vários blocos, como Fanfarrões, Delega, Unidos dos Meus Ovos, Folia da Vila Augusta, Do Sino e Da Vila. Durante as reuniões, surgiu a sugestão de uma agenda em que os blocos fossem para a rua em datas que não concorressem uns com outros, resultando em uma facilidade para a organização e logística com relação ao objetivo de cada bloco. Formado o grupo, foi constituída a diretoria do Uniblocos, que hoje tem o Cristiano Sá (Fanfarrões) como presidente, o Thiago (Pescakinada) como vice, o Ricardo Sá (Fanfarrões) como primeiro secretário, Michele (Unidos dos Meus Ovos) como tesoureira, eu, Minduca (Minduca Folia), como diretor de marketing e o Vagner (Delega) como diretor social”, explica Alexandre Oliveira dos Santos, o Minduca.

Outra proposta do Uniblocos é estabelecer datas pré e pós-Carnaval. “No feriado de Carnaval nós não saímos na rua, pois muitos viajam ou frequentam as escolas de samba de São Paulo”, esclarece. Sobre o perfil de cada bloco, Minduca explica: “O Unidos dos Meus Ovos vai trocar seus abadás por alimentos; a meta é arrecadar duas toneladas. Já o bloco Fanfarrões tem como maior característica as marchinhas. O Pescakinada é um bloco que atrai muitas famílias e tem como ponto forte sua bateria. O Delega é o único que funciona no sistema open bar. O bloco do Bem Dito reúne o público pelas atrações musicais de samba do município. O Piores do Ano tem com ponto forte a animação e o Minduca Folia é o encerramento, momento em que são reunidos todos os blocos filiados ao Uniblocos e simpatizantes”, diz Alexandre.

Folia para os baixinhos

O Carnaval é para todos, inclusive, para os pequenos. No complexo do Teatro Nelson Rodrigues, na Vila Galvão, acontecerá no sábado, das 15h às 18h, o CarnaKids, evento com programação especial para as crianças curtirem a folia de modo seguro. Haverá baile de Carnaval temático, brincadeiras e surpresas, de acordo com informações da Prefeitura.
No dia 13, terça de Carnaval, das 15h às 18h, no mesmo local, acontece o CarnaQuadra, com programação intensa de atividades culturais e esportivas. Em ambos os eventos, o uso de fantasia é opcional. A entrada é gratuita.

Como nasceu o Carnaval de Guarulhos?

De acordo com informações do livro “Guarulhos Trajetória Cultural”, a primeira escola de samba da cidade foi a Império, da Ponte Grande, que durante alguns anos imperou sozinha nos desfiles que aconteciam na rua Dom Pedro II. Os desfiles que começaram na década de 1970 saíam da praça Tereza Cristina, seguiam pela rua Dom Pedrol II, depois pela João Gonçalves, praça Getúlio Vargas e desciam a Capitão Gabriel, até a praça Tereza Cristina. Em 1977, o jornal Folha Metropolitana criou a “Coluna do Samba”, alimentada na época pelo jornalista Edmundo de Andrade, grande conhecedor de Carnaval.

A partir de 1970, a festa popular desenvolveu-se no município e nasceram importantes escolas de samba e blocos carnavalescos, muitos tendo como origem os clubes esportivos e as sociedades de bairro. Entre as escolas que surgiram nesse período, cabe destacar a Meninos de Vila Augusta, Acadêmicos do Picanço, Mocidade Alegre e Independência do Bom Clima. Os primeiros blocos foram: Beija Flor Futebol e Samba, Jardim Nova Cumbica, Folhas Verdes entre outros.

Durante muito tempo, os desfiles foram realizados na rua Dom Pedro II, como já mencionado, mas foi se tornando uma via apertada para o tamanho da animação. Depois disso, foram transferidos para a avenida Paulo Faccini; contudo, com as reclamações dos moradores, passou para a avenida Tancredo Neves. De 2001 a 2012 o Carnaval oficial ficou em “off” e só em 2013 os desfiles voltaram e passaram a acontecer no Taboão.

Este ano, a governo e a Liesg (Liga Independente das Escolas de Samba de Guarulhos) decidiram pela não realização dos desfiles das escolas de samba, uma vez que a falta de recursos, de patrocinadores e o curto espaço de tempo para sua concretização poderiam prejudicar o desempenho das escolas guarulhenses.

CarnaKids

Sábado, 10 de fevereiro
Horário: das 15 às 18 horas
Local: Teatro Nelson Rodrigues

Bloco Dasantiga

Domingo, 11 de fevereiro
Horário: 15 horas
Local: Praça Cícero Miranda, em frente ao Teatro Nelson Rodrigues

Banda Lira
Carnaval da Saudade

Domingo, 11 de fevereiro
Horário: 15 horas
Local: Bosque Maia (Tenda Branca)
Segunda, 12 de fevereiro
Horário: 15 horas
Local: Bosque Maia (Tenda Branca)

Carnaquadra

Terça-feira, 13 de fevereiro
Horário: das 15 às 18 horas
Local: Teatro Nelson Rodrigues

Unidos dos Meus Ovos

Sábado, 17 de fevereiro
Horário: 12 horas
Trajeto: Saída Rua Raimundo Almeida de Araújo com a Viela Camboriú, Rua Antônio Artoni, Rua dos Guedes, Rua Luís Silvestri, Rua José Lourenço Neves, Rua Raimundo de Almeida Araújo

Carnarock

Sábado, 17 de fevereiro
Horário: das 14h às 22h
Local: Adamastor Centro (palco externo)

Bloco do Bem Dito

Domingo, 18 de fevereiro
Horário: das 10 às 22 horas, saída com o trio às 15h30
Trajeto: Rua Águas Limpas, Rua Carlos Korkischko, Rua Padre Cláudio Arenal, Rua Fonte Boa, Rua Aporé, retornando pela Rua Carlos Korkischko.

Bloco dos Fanfarrões

Sábado, 24 de fevereiro
Horário: a partir das 12 horas
Local de concentração:
Bar do Amarelinho.

Jacaré de teta

Sábado, 24 de fevereiro
Horário: 13 horas
A concentração terá inicio na Praça Alessandra Gil, entre os condomínios Santa Catarina e Rio Grande do Sul (atrás do centro comercial), no Parque Cecap.

Piores do Ano

Domingo, 25 de fevereiro
Horário: das 12 às 18 horas
Trajeto: Avenida Coqueiral, Avenida Delfinópolis, voltando ao ponto de origem na Avenida Coqueiral.

Bloco Mamonas Assassinas
(Cecap)

Sábado, 03 de março
Horário: 12 horas
Trajeto: Av. Monteiro Lobato, Av. Geraldo Alves Celestino, rua Célia Domingues Faustino, alameda das Magnólias, rua Odair Santanelli, praça Mamonas Assassinas, Av. Odair Santanelli, rua Rubens Henrique Picchi, rua Lourdes Lopes Sanches, alameda das Acácias, rua R. Profa. Maria Del Pilar Munhoz Bononato, Av. Monteiro Lobato.

Minduca Folia (Vila Augusta)

Sábado, 10 de março (ressaca)
Horário: das 10h às 22h, deslocamento às 14h30
Local: Concentração na Rua Mogi das Cruzes, 382 – Vila Augusta, Rua Santa Isabel, Rua Conego Valadão, Rua Dona Antonia, Rua Descalvado, Rua Carutapera, retorno para a Rua Mogi das Cruzes

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