Fotos: Rafael Almeida
O diretor executivo da Guarupass (Associação das Empresas de Transporte Coletivo de Guarulhos e Região), Márcio Pacheco, atendeu a Reportagem da Weekend, para apresentar inovações implantadas pela entidade.
Explicou que os empresários de ônibus formam um Conselho e a gestão cotidiana é feita por ele, como executivo contratado. Márcio Pacheco é nascido em Guarulhos, onde sempre estudou, desde o Recanto da Petizada/Colégio Juvenal de Campos, passando pelo Eniac e formando-se em Administração pela UnG. Tem pós-graduação em Marketing e Relações do Trabalho. Desde 1996, trabalha no ramo do transporte; por oito anos, trabalhou na Empresa de ônibus Vila Galvão, até assumir o cargo na Guarupass, em 2014.
Conta ter sido contratado para implementar modernização na gestão, transformando a Guarupass em uma entidade transparente, com relação aberta com órgãos públicos, imprensa, setores empresariais, buscando oferecer o que possa haver de melhor em mobilidade urbana.
A Guarupass é constituída por nove empresas, sendo seis metropolitanas e três municipais (Viação Urbana Guarulhos, Vila Galvão e Campo dos Ouros, que operam respectivamente as áreas 1, 2 e 3).
Com 23 anos de atividades, a Guarupass tinha basicamente a função de gerenciar as finanças no transporte de passageiros. Antes da criação da entidade, o estudante tinha de optar pelo passe escolar de uma determinada empresa. Após concentrar a emissão, tornando possível a liberdade de escolha, a Guarupass implantou a bilhetagem eletrônica, com a tecnologia “contact less” e, depois, a venda pela internet, pioneira nesse sentido.
Segundo ele, nos últimos anos, a Guarupass vem implantando diversas inovações, visando a facilitar a vida dos usuários. Para adquirir Vale-Transporte para os funcionários, as empresas fazem a compra pela internet, emitem um boleto bancário; os créditos são aplicados aos cartões quando o usuário passa pelo validador na catraca do ônibus.
“Para os usuários que não têm VT, o Bilhete Único pode ser recarregado em mais de cem postos terceirizados espalhados pela cidade, 24 totens de autoatendimento, além de dois aplicativos, que são o GuaruPag e o Cittamobi, destinados a fazer a recarga na modalidade escolar e para o cidadão comum; nesse caso, o pagamento pode ser feito por boleto bancário ou cartão de crédito. Temos ainda a loja aqui na rua Silvestre Vasconcelos Calmon, na vila Moreira e as lojas nos terminais de ônibus nos bairros”, enumera.
Pacheco acrescenta que parcerias com mais estabelecimentos estão sendo firmadas, para ampliar as opções para os usuários do transporte coletivo.
Anuncia que há várias tratativas em andamento, discutidas em reuniões semanais, totalizando 35 projetos a serem implantados, incluindo campanhas de cunho social, novas marcas e novos modelos de negócios.
Indagado sobre a qualidade dos coletivos, o que tem gerado queixas dos usuários, anunciou que está prevista uma renovação da frota em 2018. “A idade média dos ônibus atuais é de 5 anos e meio e isso será bem melhorado neste ano. É preciso destacar, porém, que a conservação da frota depende muito também da qualidade das vias pelas quais os coletivos trafegam e, ainda, do usuário, pois enfrentamos uma questão de depredação, dentro e fora dos veículos. É importante que a população se conscientize de que, embora seja uma concessão do poder público, esse equipamento tem um custo elevado, e cabe a todos zelar pela conservação, pois é um patrimônio que está a serviço de todos. Um banco rasgado, um vidro quebrado, balaústre danificado, podem representar um ônibus a menos circulando no dia seguinte. Sabemos que temos muito a melhorar, mas precisamos do apoio dos usuários para que possamos agilizar essas melhorias”, afirmou.
Márcio Pacheco fala sobre a disponibilização de wi-fi, que era uma reivindicação dos usuários, e da biometria facial: “Já são 64 ônibus com wi-fi, que está também disponível gratuito nos cinco terminais da cidade e aqui na loja da Guarupass. Todos os ônibus estão equipados com biometria facial, o que traz mais segurança em caso de extravio ou perda do cartão, para que ninguém o use indevidamente”.
Ele enumera outros aspectos que fogem à alçada das empresas e dos quais depende a melhor qualidade no transporte coletivo: “Conservação do sistema viário, prioridade para o coletivo, corredores, abrigos, estações e terminais adequados, para que o objetivo de chegar ao destino seja alcançado com conforto e rapidez”. Cita que quando um ônibus fica parado em um congestionamento, todos são prejudicados, pois, além da demora maior, há um custo que precisa ser considerado. Nesses casos, nem adianta as empresas colocarem mais ônibus, pois ficarão também parados no congestionamento, como costuma acontecer no trevo de Bonsucesso e, com alguma frequência, em várias avenidas da cidade.
Esclarece que os abrigos são de responsabilidade da Prefeitura, pela Secretaria de Transportes e Trânsito. Para mostrar que o que está ao alcance da Guarupass está sendo feito, exemplifica com a loja da entidade, com espaços remodelados e modernizados para atender o usuário comum, o estudante e os professores, bem como os idosos, para obter ou renovar com rapidez os cartões de cada tipo. “Queremos chegar ao ponto de que cada habitante da cidade prefira andar de ônibus do que usar o carro. Estamos empenhados para que esse dia chegue logo”, diz, animado, embora reconheça que é um sonho distante. Defende os corredores de ônibus como uma solução, desde que os modais estejam integrados: linhas alimentadoras, trem e metrô.
Indagado sobre as queixas que usuários fazem da demora em muitas linhas, responde que a STT fixa o número de ônibus em cada linha de acordo com a demanda verificada e que, em condições normais de tráfego, a demora é compatível com a necessidade da população.
Explica, porém, que quando há um acidente no caminho, um problema qualquer no trânsito, às vezes o coletivo não consegue chegar no tempo previsto e pode fazer com que outro carro chegue logo em seguida do anterior quando o problema é resolvido.
Quanto às linhas alimentadoras, operadas por cooperativas e por particulares, são 288 permissionários. Das empresas concessionárias, são 584 ônibus.
Referente aos itinerários das linhas, diz que a decisão é da STT, embora as empresas possam eventualmente sugerir mudanças. “Esses casos são discutidos tecnicamente, analisando mapas e buscando obter as melhores soluções”, informa.
Quanto à tarifa mais cara para quem paga com dinheiro, afirma não haver intenção de eliminar a figura do cobrador nas linhas municipais e que o objetivo é aumentar a segurança com a redução de dinheiro vivo nos ônibus, até a eliminação completa. “A ideia é priorizar a segurança para a população e para os operadores. Ainda 13,5% pagam em dinheiro. Em nenhum momento foi proposto extinguir o cargo de cobrador. Com o aumento, já tivemos incremento de 18% no uso do cartão cidadão e queda de 12% na circulação de dinheiro, ampliando dia a dia. Colocamos cinco agentes nos terminais, oferecendo o cartão Cidadão a quem ainda está pagando passagens com dinheiro”, concluiu.






