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Ex-assessor de Flávio Bolsonaro é preso em Atibaia e transferido para o RJ

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Fabrício Queiroz, ex-assessor do hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), foi preso no início da manhã desta quinta-feira (18) em Atibaia, interior de São Paulo. Ele foi transferido para o Rio de Janeiro. Sua prisão foi determinada pela Justiça do Rio de Janeiro, porque teria continuado a cometer delitos e esconder provas.

A ação faz parte da Operação Anjo, que cumpre ainda outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça, relacionadas ao inquérito que investiga a chamada “rachadinha”, em que servidores da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) devolveriam parte dos seus vencimentos ao então deputado estadual Flávio Bolsonaro. 

Queiroz era lotado no gabinete do parlamentar à época em que Flávio era deputado estadual. O nome de Fabrício Queiroz consta em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que aponta uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em uma conta em nome do ex-assessor. Ao todo, o Coaf investigou 74 servidores – ligados a 27 deputados estaduais do Rio de Janeiro – que teriam tido movimento financeiro incompatível com os ganhos.

O relatório integrou a investigação da Operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro, que prendeu deputados estaduais no início de novembro do ano passado.

Contra outros suspeitos de participação no esquema (o servidor Matheus Azeredo Coutinho, os ex-funcionários Luiza Paes Souza e Alessandra Esteve Marins e o advogado Luis Gustavo Botto Maia), o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro obteve na Justiça a decretação de medidas cautelares que incluem busca e apreensão, afastamento da função pública, comparecimento mensal em juízo e a proibição de contato com testemunhas.

A Justiça do Rio de Janeiro autorizou também a prisão da esposa de Queiroz, Márcia Oliveira Aguiar, que até o meio-dia desta quinta-feira não havia sido encontrada. Buscas foram efetuadas na casa de Alessandra Esteves Marins, que faz parte da equipe de apoio do senador Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro, porque ela repassou cerca de R$ 19 mil a Queiroz.

A Agência Brasil entrou em contato com a defesa de Queiroz, mas não obteve resposta.


Queiroz estava em imóvel de advogado da família Bolsonaro


Fabrício Queiroz estava hospedado em um imóvel de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro. Segundo um caseiro do local, Queiroz estava lá há aproximadamente um ano.

Wassef mostra-se muito próximo dos Bolsonaro. “Eu estou no dia a dia aqui com o presidente e com a família Bolsonaro. Eu conheço tudo que tramita na família Bolsonaro”, disse em entrevista à rádio Gaúcha em abril deste ano. Esteve presente na posse de Fábio Faria, genro de Sílvio Santos, como ministro das Comunicações, nesta quarta-feira, em Brasília (DF).

Em entrevista à jornalista Andrea Saddi, da Globonews, em setembro de 2019, Wassef afirmou que não sabia o paradeiro de Fabrício Queiroz. Discordou da afirmação de que o ex-assessor estivesse desaparecido, por ter comparecido ao Ministério Público e ter feito depoimento. Embora não fosse advogado de Queiroz, garantiu que nenhum centavo dele foi transferido para Flávio Bolsonaro e que os recursos movimentados por Queiroz eram compatíveis com seus ganhos como policial aposentado e outros ganhos da família. Citou uma assessora de outro deputado que teria movimentado R$ 50 milhões e que a Imprensa só se interessa por Queiroz. Segundo Wassef, a movimentação teria sido de R$ 600 mil e não de R$ 1,2 milhão.

Disse que se aproximou do então deputado federal Jair Bolsonaro por simpatizar com o que ele defendia. Contou entender que o presidente passa por uma pressão injusta e, por isso, passou a defender o senador Flávio Bolsonaro no inquérito a respeito da suposta prática da “rachadinha”. Afirmou que a quebra do sigilo bancário do senador foi ilegal e culminou por comprovar que nada de irregular foi encontrado em suas contas.

Repercussão 

Pelo Twitter, o senador Flávio Bolsonaro disse que encara a prisão do ex-assessor com tranquilidade: “Encaro com tranquilidade os acontecimentos de hoje. A verdade prevalecerá! Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!”. 

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