A beleza e o fascínio das orquídeas

Por Val Oliveira

A natureza é mágica. Por mais que seja explicada, conhecida, admirada e, em alguns momentos, desprezada e maltratada, sempre encontra maneiras de “sorrir” e surpreender. Assim, as flores enfeitam e dão vida a qualquer ambiente e, por tanta beleza, algumas chegam a serem tratadas como “pessoas” da família. É o caso das orquídeas, que por serem consideradas plantas nobres, exercem um fascínio inexplicável e são objetos de coleções por toda a parte do mundo.

Origens e raridades

Segundo o biólogo e blogueiro Sergio Oyama Junior, dono de uma coletânea com cerca de 70 exemplares, que mantém em uma pequena varanda de apartamento, embora sejam conhecidas como plantas tropicais, as orquídeas fazem parte de uma família numerosa, cujos representantes podem ser encontrados por todos os continentes, exceto nas regiões glaciais. “Cada gênero e espécie é típica de uma determinada região. Existem cerca de 35 mil espécies conhecidas. No Brasil há, aproximadamente, 2.300 espécies. Muitas têm nomes populares, que podem variar de acordo com a região”, explica.
Entre os exemplares raros, o blogueiro destaca cinco tipos: Cattleya walkeriana, orquídea brasileira, conhecida como feiticeira; Cattleya schilleriana, também brasileira e extinta das matas do Espírito Santo, seu habitat; Fredclarkeara after dark, orquídea híbrida de coloração negra; Paphiopedilum rothschildianum, conhecida como sapatinho e espécie mais cara e rara entre as Paphiopedilum; Dendrophylax lindenii ou Ghost orchid, a orquídea fantasma. “O preço de uma orquídea varia de acordo com a idade, espécie e raridade. O número de pseudobulbos, o tamanho da touceira e a qualidade da flor também influenciam no valor final. A Cattleya walkeriana ‘Feiticeira’, por exemplo, pode chegar a 1.500 reais”, destaca Sergio.
O engenheiro agrônomo Caio Katsuiti Aihara, gerente geral da loja de plantas e jardinagem Ponto Garden, diz que as espécies mais comuns e comercializadas em Guarulhos são as Phalaenopsis, conhecidas como orquídea borboleta; a Cattleya, a Oncidium amarela ou “Chuva de Ouro”, e a Oncidium escura, que exala perfume de chocolate e baunilha. “As mudas comuns custam entre 17 e 150 reais. Com valores entre 30 e 40 reais dá para levar uma orquídea já florida. As Phalaenopsis são mais rústicas e, portanto, mais resistentes, mais fáceis de produzir e manter. Valores são relativos, pois depende do ponto de vista e do valor sentimental que o colecionador atribui à planta”, fala.

Paisagismo

Com sete anos de atuação no mercado, a paisagista e designer floral Lúcia Regina Beraldi diz que as orquídeas são as flores preferidas quando o assunto é paisagismo, justamente pela beleza, durabilidade e custo-benefício. Para ela, as orquídeas podem conviver harmoniosamente com o paisagismo do jardim e também com a decoração interna de qualquer ambiente, assim como serem presentes e se fazerem presentes em ocasiões especiais. “É interessante combinar as cores das flores com os arranjos florais e vasos para harmonizar, mas, ao mesmo tempo, pode-se optar por mesclar algumas espécies e cores, dependendo do gosto da pessoa. Podem ser usadas nas mais diversas decorações, mas com mais frequência em casamentos e eventos com mais sofisticação e requinte”, declara.

Minha orquídea, meu bebê

Para uma orquídea crescer forte, saudável e premiar seu cultivador com belas flores, é preciso dar a elas nutrientes, condições climáticas favoráveis, atenção e carinho. É o que diz a dona de casa Leninha Munhoz, uma apaixonada pela planta e que tem cerca de cem mudas. “Eu amo minhas orquídeas e cuido delas com muito carinho. Cada mudinha que compro ou ganho é uma alegria. Guardo todas. Creio muito em Deus e penso que tudo tem a mão dele. Cada folhinha ou flor é a manifestação do poder e amor Dele. A minha paixão por elas aumenta conforme vão nascendo e brotando”, diz.
Leninha chama suas orquídeas de filhinhas da mamãe. Sim! Ela conversa com as plantas! Ela conta que as trata como se fossem da família e afirma ter certeza de que as plantas ouvem e entendem o que ela fala e sente. “De manhã eu digo: ‘bom dia, meninas; tudo bem com vocês, quem deu flor hoje para a mamãe? ’. Quando demoram a florir, pergunto se estão tristes com a mamãe e incentivo: ‘Vamos lá, vamos crescer, ficar fortes e florir, minhas lindas’. Sei que entendem, porque elas reagem. Quando converso e dou mais atenção, é visível a resposta delas por meio das folhas e das flores, que aparecem logo em seguida. Há pouco tempo precisei mudá-las de lugar e pensei que fossem morrer. Fui lá e troquei uma ideia, pedi que não morressem e prometi que a mamãe não as abandonaria. Agora estão todas bem”, conta entre risos.
A mamãe das orquídeas relata que as plantas lhe fazem companhia e que lidar com elas é motivo de muita satisfação. “O cuidado com as plantas é uma forma prazerosa de terapia. Eu relaxo enquanto converso com elas. Às vezes, fico só apreciando e me acalmo. Vou me mudar para uma casa com quintal maior e lá já reservei um local para construir o meu orquidário”, informa.

Orquidário municipal

Criado há pouco mais de um ano e construído com material reciclado, em uma área de 2.300 m², dentro do Bosque Maia, o Orquidário Municipal abriga cerca de 300 espécies de orquídeas, com destaque para as famílias Cattleya, Maxillaria, Gongora, Phalaenopsis, Osmoglossum, Epidendrum, Oncidium, Arundina e Vanda.
Adriana Olano, gerente do Orquidário, explica que a coleção guarulhense de orquídeas começou com as plantas retiradas do trecho de mata onde está sendo construído o Rodoanel. Com esse resgate e o laboratório de cultivo pronto, o objetivo é fazer novas plantas e devolvê-las ao seu habitat natural, a mata da Cantareira.
A gestora diz ainda que o órgão público pode ajudar qualquer pessoa interessada no cultivo de orquídeas. “Toda quarta-feira temos cursos de cultivo, às 10h e às 14h. Nossos biólogos e demais funcionários ficam de plantão no projeto que chamamos de SOS Orquídea. Se você tem alguma dúvida ou acha que a planta está meio chateadinha e não floresce, traga aqui que nós vamos orientar para fazer sua flor desabrochar. É um serviço gratuito da Prefeitura. Grupos formados, com no mínimo 30 pessoas, também conseguem, com agendamento prévio pelo telefone 2475-9879, marcar visitas monitoradas ao Orquidário, que fica aberto de terça a domingo, das 8h às 17h”, conta.

Tenda Verde

Acontece, no terceiro fim de semana de cada mês, na Tenda Verde do Bosque Maia, o encontro mensal com produtores de orquídeas de Guarulhos e região. A ideia é oferecer mudas de boa qualidade com preços acessíveis. Em dezembro será nos dias 19 e 20.