Por Cris Marques
Fotos: Agência E! Comunicação

Com telas espalhadas pelo hall do Hotel Pullman, arte no elevador, o saguão e um corredor grafitados, além de um ônibus customizado, Elvis Mourão, 32, define como um gol em casa sua exposição na cidade, que fica até 30 de junho no espaço. Tímido, porém muito sorridente e, indiscutivelmente, habilidoso com desenhos, paredes e latas de tinta em spray, ele conta, entre risadas e muita paixão, como sua vida mudou ao assumir de vez a vocação e seu lado artista.

Nascido e criado em Guarulhos, no Jardim Bela Vista, Elvis passou sua infância e adolescência nos entornos do ginásio João do Pulo e da Praça 8, onde aprendeu a andar de skate. Em meados de 98, 99 já competia em campeonatos de street – modalidade livre, com obstáculos da própria rua, como bancos, corrimões e rampas – e tirou dessa experiência a liberdade que vive hoje. “Eu não era profissional, mas também não era amador. Tinha até patrocínio. O skate é um esporte bem livre, então, você faz o que vem à cabeça; e é assim que começo uma arte. A vida é feita disso: de arriscar, de sempre querer algo novo”.

Elvis Mourão: dos muros para a vida | Click GuarulhosVivendo em uma família tradicional, ele, como quase toda criança, passou pela fase de desenhar nas paredes de casa, mas logo levava uma senhora bronca e tinha que limpar tudo. Já maior, ganhou um caderno, que viria a ser seu “grande amigo”; foi ali que surgiram os primeiros traços. “Nunca fui muito de carrinho ou de brincar na rua. Meu desenho é bastante emotivo, até porque, nessa época, jogava no papel todas minhas frustrações. E meu trabalho começou assim. Não tinha com quem conversar e transformava aquilo em arte. Isso continua até hoje, mas saiu um pouco da minha relação pessoal, reflete o que vivo e vejo. Conto histórias do meu jeito”.

O artista ainda atuou em diversas áreas. “Trabalhei em autoescolas, com carga e descarga de caminhão, quando era conferente… Estava sempre tentando seguir o que era tradicionalmente mais aceito”, conta ele, que, mesmo sem concluir a faculdade de publicidade e propaganda, começou a atuar na área, casando-se, inclusive, com uma companheira de profissão. “Sempre via comerciais bacanas na TV, com enredo, história e imagens legais e decidi trabalhar com isso. Era uma forma de estar com um pé na arte e trabalhar em uma empresa, como meu núcleo familiar tanto valorizava”.

 

Seu “eu” artista

“Chega uma hora na vida em que você precisa fazer uma escolha: ser o que você é ou o que esperam de você. Demorei até os 26, 27 anos para assumir esse meu lado e, de uns cinco anos pra cá, minha vida se transformou. Dei um tempo na agência e, hoje, graças a Deus, posso dizer que vivo da minha arte. Tive que provar que era bom duas vezes pra poder seguir meu caminho. Primeiro, provei que eu era um bom trabalhador; depois, que poderia ser um bom artista”. Ele conta que, ao tomar essa decisão, criou um novo plano de vida para si, vendeu carro e moto e focou na arte, saindo dos caderninhos e indo para algo maior: os muros. Em São Paulo são diversos pintados por ele; em Guarulhos, nem tanto: apenas dois. A explicação para isso, segundo o artista, é que aqui não existe muita abertura para o grafite como arte.

Elvis Mourão: dos muros para a vida | Click GuarulhosO mundo e mais

Em 2015, a carreira de Elvis teve uma grande reviravolta e, de Guarulhos, ele ganhou o mundo: criou uma linha de óculos de sol com a Ray-Ban; grafitou um Onix e o palco da Chevrolet, no Lollapalooza; assinou peças para grandes empresas e participou da Art Basel – feira de arte em Miami –, ao lado de importantes nomes do segmento cultural, como Obey e Os Gêmeos. “O primeiro contato foi surreal e meio mágico. Lembro que recebi uma mensagem pelo Facebook e nem acreditei. Tratei direto com os caras da Ray-Ban. Criei quatro modelos, além do banner e um filme de 15 segundos; fui o diretor de criação e ainda vendo óculos por todo o globo”. E tem mais: a parceria com a Fresh Ink, que ajudou a organizar a mostra no município, exposição esta que seguirá por outros hotéis Pullman; um trabalho com os shoppings Ibirapuera, Eldorado e SP Market; uma galeria em Miami e a venda de produtos diversos, entre eles telas, cadernos, pinturas em paredes, fachadas ou muros e customizações.

 

Movido pela esperança

Motivado por seu potencial, Elvis escolheu como assinatura a palavra Hope, que em português significa esperança. “Todo grafiteiro tem um codinome, um apelido que vira sua assinatura, o meu é esse. É algo que carrego comigo desde que assumi meu caminho e acho que virou uma marca. […] meus personagens foram evoluindo junto comigo, mas sempre acho os antigos mais legais. Cada arte tem um desenho dentro do outro. São buracos de fechadura, pássaros que representam liberdade, peixes com escamas parecendo armaduras, quase como uma proteção. Tudo isso sem esboço algum”. Questionado sobre a cartela de cores que usa, ele explica que o preto e o branco são as diferenças, os contrastes, e o rosa, o amor que une tudo.

 

Confira outras fotos do artista:

 

Conheça seus traços:

Exposição Elvis Mourão
Até 30 de junho
Base Bistrô & Bar – Hotel Pullman Guarulhos
Rod. Helio Smidt, s/nº –
Acesso Base Aérea Guarulhos

 

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