Família denuncia furto e abandono no Cemitério da Vila Rio de Janeiro

"Essa placa é da minha mãe; ela deveria ter a base de sustentação dos lados e atrás; não tem porque roubaram"

A jovem Raquel Teixeira Fernandes, 31, ajudante de despachante e cozinheira, entrou em contato com Click Guarulhos, em nome de toda a sua família, para denunciar o estado de abandono de algumas lápides e de ruas internas na Necrópole do Campo Santo, na Vila Rio de Janeiro, onde a sua mãe está sepultada, desde março de 2017.

 “Eu e minha família estamos indignados. A nossa mãe faleceu vai completar dois anos, agora em março de 2019. Ontem (terça-feira, 25) fui ao cemitério e notei que roubaram a base de sustentação onde ficava fixada a placa com o nome dela. A gente foi lá na administração abrir uma reclamação, só que o cemitério está muito abandonado, com poucos funcionários”, disse.

“Não só a da minha mãe, mas as de outras pessoas também ficaram jogadas”, reclamou Raquel

Raquel também notou a falta de funcionários e sobrecarga dos que estão trabalhando. “Não tem funcionários (suficientes) porque parece que a Prefeitura não está pagando (salário) direito. Só tem uma pessoa para fazer o serviço de 10, ou seja, o cemitério está abandonado. Eu constatei que tem outras pedras (de outras pessoas), jogadas num canto, perto de uma árvore, todas quebradas. Estamos muito indignados, revoltados e chateados (com a situação)”, reclamou.

A jovem se queixa que o serviço de manutenção foi contratado pela família, porém em um ano a impressão é a de que nada foi feito.

“Assim que a minha mãe faleceu a gente contratou o serviço do próprio cemitério, para eles cuidarem da grama, fazerem a limpeza e manutenção. Em um ano meu pai foi várias vezes visitar o túmulo. Em pelo menos três vezes ele constatou que não estavam trocando a grama e arrumando devidamente (como foi contratado). O meu pai tem os documentos, tudo certinho, que comprovam que ele pagou”, disse.

Raquel e seus familiares estão se sentindo muito desrespeitados. “Eu, como filha, estou muito chateada, porque Guarulhos está abandonada e isso não pode ficar assim. Somos nós que pagamos impostos, então a gente pelo menos tem que ter as coisas (serviços públicos) dignas, corretas. As ruas onde a gente anda lá no cemitério estão todas sujas, cheias de barro. Reclamamos com eles também porque aquelas árvores enormes tem de ser podadas; não está batendo sol e por isso a grama cresce muito. O local está horrível”, concluiu.

Outro lado

“Em resposta à reclamação da munícipe, informamos que foi reposto o suporte da pedra de identificação da sepultura. Como estamos em período chuvoso, a terra de cobertura das sepulturas que não possuem jardim implantado pode ser levada para as ruas das quadras, que são limpas com frequência, de acordo com a programação dos serviços cemiteriais. Quanto à poda das árvores, encaminharemos à Secretaria do Meio Ambiente”, informou a Prefeitura por meio da assessoria de imprensa.

No entanto, nada foi dito quanto ao número insuficiente de funcionários e os supostos atrasos de pagamentos dos salários.

Resposta

No início da tarde desta sexta-feira, 28, a Prefeitura respondeu que “a informação sobre os salários atrasados não procede. Os pagamentos estão sendo realizados em dia.”

Porém, nada disse sobre o número insuficiente de funcionários no cemitério.

Mais um caso

O leitor Antônio Rossi, morador do Parque Santos Dumont, relata que ele e a família também tiveram uma “grande decepção” pela forma com que a Prefeitura vem atuando na administração da Necrópole do Campo Santo, mais conhecido por cemitério da Vila Rio de Janeiro.

“Estou indignado com este cemitério da Vila Rio; temos nossas responsabilidade, mas a eles (administradores) cabe muito mais responsabilidade; fizeram a exumação dos restos mortais da minha falecida mãe sem a nossa presença e sem nos avisar. A Prefeitura deveria, no mínimo, deixar os restos mortais dos defuntos no prazo estipulado para que os parentes tivessem a oportunidade de decidir o que fazer, mas nem isso temos direito”, reclamou Rossi.

Resposta

Procurada pelo Click Guarulhos, a secretaria de Serviços Públicos “informa que na ocasião do sepultamento da senhora Arminda Chimello Rossi, em 22/09/2014, foi entregue aos familiares documento com o procedimento necessário para agendamento da exumação do corpo, porém não houve contato dos interessados com o Serviço Funerário. Diante da situação, a data da exumação em questão foi publicada em três edições do Diário Oficial do Município, sendo o último chamamento realizado em 22 de junho de 2018.”