Pastorais Sociais convocam ato público contra aterro no Cabuçu

Centro de Disposição de Resíduos Pedreira (Foto: Veolia - https://bit.ly/2s3mk0q)

Sob o lema “Cabuçu é o pulmão, ao novo aterro eu digo não!”, as Pastorais Sociais da Diocese de Guarulhos convocam passeata seguida de ato público para esta quinta-feira, 24, às 13 horas, na praça Getúlio Vargas, Centro, em protesto contra o aterro sanitário existente na região do Cabuçu e a proposta para sua ampliação pretendida pela empresa CDR Pedreira para receber resíduos, detritos e restos orgânicos de outros municípios.

Na convocatória, dirigida “aos cristãos de diversas denominações, pessoas de quaisquer religiões, movimentos sociais e ONGs, todo o povo de Guarulhos e todos os homens e mulheres de boa vontade”, denunciam que Guarulhos corre “o risco de tornar-se a cidade com um dos maiores aterros sanitários do mundo”, que chamam de “lixão”. Argumentam que a situação, já crítica com o aterro atual, será agravada com a ampliação pretendida. Segundo alegam, na região do Cabuçu, considerada em grande parte Área de Preservação Ambiental, encontram-se 27% de área verde do município, com mananciais que fornecem 13% da água consumida na cidade, sem contar os danos à população local e os impactos à terra e ao ar que podem advir da pretendida ampliação.

Entidades ambientais de Guarulhos afirmam que o Plano de Resíduos Sólidos de Guarulhos não prevê ampliação do aterro sanitário e que seria inadmissível a cidade receber o lixo de outras cidades da Grande São Paulo. Apontam também a ampliação dos danos ambientais para a região e para a cidade ao longo de dez anos, que seria o prazo delineado para funcionamento do aterro ampliado. Além do mais, dizem, aumentariam substancialmente os transtornos e danos já causados pela circulação diária de centenas de veículos pesados na região, sem contar a pequena distância da área para os núcleos residenciais (passaria a ser de 100 metros, contra os 500 metros previstos legalmente) e a distância legal para o aeroporto (que deve ser de vinte quilômetros, mas passaria a ser de oito quilômetros).

Na edição 398 da revista Weekend o jornalista Valdir Carleto comentou: “a empresa CDR, que mantém um aterro sanitário na região do Cabuçu, no qual recebe resíduos de diversas cidades, pleiteia a ampliação da área, o que causa protestos de entidades e da população da região em face de potenciais danos ambientais, principalmente aos mananciais ali existentes”. O jornalista, editor responsável deste portal, posiciona-se totalmente contrário à pretensão da empresa por entender que cabe a cada município “arcar com o ônus de tratamento do próprio lixo” e critica “a docilidade com a qual a gestão municipal trata a questão”. Ressalta, ainda, que a empresa CDR Pedreira, que pleiteia sua ampliação para receber resíduos e detritos também de outras cidades, faz parte do grupo francês Veolia, o mesmo ao qual pertence a Proactiva, empresa contratada em caráter emergencial pela Prefeitura de Guarulhos em novembro de 2017, para receber o lixo residencial da cidade.

Uma audiência pública na Câmara de Guarulhos, marcada para o último dia 14, que analisaria os impactos sociais e ambientais da ampliação do sanitário da CDR Pedreira, foi cancelada pela direção da casa legislativa, que não autorizou o uso do plenário para a sessão, convocada a pedido vereador presidente da Comissão Técnica de Meio Ambiente do Legislativo. A alegação para a negativa foi “falta de tempo para convocação dos serviços de taquigrafia, divulgação e cobertura jornalística”. A audiência pública oficial será no dia 25 de junho, às 17h, na Câmara Municipal. Fatalmente, as organizações contrárias procurarão fazer com que outras audiências sejam realizadas antes disso para apresentar seus argumentos antes da data oficial.

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Aterro polêmico. Coluna do Carleto, 18/05/18. https://bit.ly/2s6aP7F

Câmara não autoriza audiência pública do aterro do Cabuçu nesta segunda. Redação do Click Guarulhos, 14/05/18. https://bit.ly/2J2RpuW