População da região do aterro sofre com mau cheiro

Aterro da CDR está recedendo lixo de Guarulhos, da Capital e de cidades da Grande São Paulo - Foto: Alexandre de Paulo

O Click Guarulhos tem recebido inúmeras queixas de moradores do Parque Continental e bairros próximos do aterro sanitário de Guarulhos, que sofreu um deslizamento na noite de sexta-feira, 28.

No início da tarde desta quarta-feira, 2, fizemos contato com o secretário de Serviços Públicos, Edmilson Americano, que se prontificou a percorrer a região, para averiguarmos a procedência ou não das reclamações.

Em reportagem da TV Globo, foi citado especificamente o Parque Continental. Percorremos com Americano diversos trechos e não notamos o mau odor em nenhum ponto. Retornando pela estrada do Cabuçu e pela avenida Benjamin Harris Hunnicutt, foi possível notar cheiro incômodo em alguns trechos, o que se acentuou ao passar pelo Sítio São Francisco, no Portal dos Gramados, nas proximidades do Shopping Pátio Guarulhos. Dada a distância, no entanto, cogitamos que fosse outra a origem; talvez algum lixão clandestino no meio da mata.

Vista do Mirante do Parque continental I, local onde não identificamos mau cheiro – Foto: Alexandre de Paulo

Verificando em cada local

Como, porém, as queixas acentuaram-se no período da tarde e alguns moradores mencionaram os endereços para que pudéssemos checar, fomos em diligência aos locais e constatamos que há alguns pontos onde não há incômodo, mas em outros são facilmente perceptíveis as consequências danosas que o lixo que ficou a céu aberto está provocando.

Posted by Click Guarulhos on Wednesday, January 2, 2019

Voltamos ao Mirante, ponto mais alto do Parque Continental, onde estivéramos com o secretário Americano. Ali, novamente não se sentia odor algum. Fiz uma transmissão ao vivo pelo Facebook do Click Guarulhos (vídeo acima).

Trafegando pelo Parque Continental III e pelo Jardim Cambará, conversamos com cerca de dez pessoas, em pontos diferentes, e todas elas relataram o incômodo que têm sentido. Indagamos se não era habitual. Responderam que, de vez em quando, dependendo do vento, sentem algum cheiro ruim, mas nunca havia sido tão forte quanto nestes dias. Fiz uma nova “live” do local (foto abaixo).

Carleto faz transmissão ao-vivo do Parque Continental III, onde o mau cheiro era bastante forte – Foto: Alexandre de Paulo

Na sequência, passamos por ruas sem calçamento que ligam o bairro à estrada do Cabuçu. A cada metro percorrido, mais forte se tornava o mau cheiro. Em determinado ponto, o fato foi agravado por odor de porcos, o que denuncia a existência de algum criadouro por perto.

Transitando pela estrada do Cabuçu, o odor forte era intenso, chegando a dar náuseas. Estacionamos pouco após o número 5.000, na entrada do Sítio Urupês, onde fiz a terceira transmissão ao vivo pela rede social. Nesse local, o cheiro era insuportável, nitidamente vindo do outro lado da estrada, direção na qual se situa o aterro sanitário de Guarulhos. Quando havíamos passado por ali com Americano, ele comentou que o odor que estávamos sentindo deveria ser pela passagem de caminhões de lixo e a existência de depósitos de recicláveis nas margens da estrada, explicação que consideramos plausível. Porém, agora no início da noite, mesmo após muitos minutos sem passar nenhum caminhão, era insano permanecer por ali.

Na volta para a região central, utilizamos a avenida Benjamin Harris Hunnicutt e depois de passar sobre a obra do Rodoanel, o cheiro ruim volta a incomodar, intensificando-se nas imediações do Sitio São Francisco, no Portal dos Gramados. “Meus filhos, minha esposa, eu e milhares de pessoas que moram próximos a nós estão sofrendo diariamente com o péssimo odor de lixo depois que o aterro de Guarulhos desmoronou. Náuseas, dor de cabeça, irritação, problemas respiratórios, falta de apetite… não temos como fugir disso”, disse David Braga, que mora na av. Benjamin Harris Hunnicutt com a família.

Visualizando pelo Google Maps (clique no link para ver), fica fácil concluir os motivos pelos quais esses pontos críticos são mais atingidos, pois todos eles se situam numa espécie de vale entre montanhas, que, de certa forma, canaliza o odor, com mais dificuldade para que se dissipe.

Google Maps região afetada pelo mau cheiro

Obras concluídas

A Prefeitura divulgou nota na tarde desta quarta-feira, 2, afirmando ter concluído as obras emergenciais recomendadas por técnicos da Cetesb, empresa do Estado responsável por fiscalizar questões ambientais. Essas obras visam principalmente impedir que o chorume, líquido que escorre do lixo, atinja os mananciais de água.

Sem prazo para voltar a funcionar

Foto do local onde houve o deslizamento no aterro de Guarulhos, na sexta-feira, 28 – compartilhada por internauta

Em resposta ao Click Guarulhos, a Cetesb informou não haver prazo previsto para que o aterro da cidade possa voltar a receber detritos. Equipe da empresa esteve novamente no aterro na manhã desta quarta-feira, 2.

A Proactiva, empresa que gerencia o aterro sanitário de Guarulhos, contratou uma empresa especializada para elaborar um laudo e orientar quais os melhores procedimentos para buscar reparar o deslizamento e impedir que novos taludes caiam.

Coleta atrasada

Circulam nas redes sociais diversas queixas quanto a falta de coleta do lixo domiciliar. Locais que deveriam ter sido atendidos na segunda-feira, 31, não tiveram a passagem do caminhão da Trail. No dia 1°, já havia sido anunciado que o trabalho não seria feito.

Lixo acumulado na calçada da rua Domingos Fanganiello, na Ponte Grande, desde segunda, 31 – Foto enviada por leitora

Nesta quarta-feira, 2, a coleta deve voltar ao normal. Porém, com os atrasos decorrentes dos dias de Natal e Ano Novo, agravados com o tempo em que não foi possível descarregar os caminhões, por causa do deslizamento, é provável que ainda ocorram problemas.

Emergência

Devido ao decreto de Estado de Emergência assinado pelo prefeito Guti, foi contratada emergencialmente a disposição do lixo de Guarulhos no aterro CDR Pedreira, situado em São Paulo, junto ao limite com Guarulhos. Pertencente à multinacional francesa Veolia, que é dona da Proactiva, o Pedreira recebe detritos de São Paulo e de várias outras cidades, além de lixo coletado por algumas empresas que prestam serviços a grandes geradores de resíduos.

 

Valdir Carleto