Repórter-fotográfico Roberto Faria faz maquetes com material reciclável

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Depois de ter atuado por décadas na imprensa guarulhense como repórter-fotográfico, Roberto Farias encontrou uma forma criativa de ocupar as horas vagas. Sempre muito antenado com tudo que acontece, resolveu traduzir sua inquietude com o fracasso da política habitacional do Brasil em maquetes produzidas com material reciclável.

Todas as obras em miniatura que ele constrói fazem referência a locais conhecidos. Utiliza isopor, cola, palitos de dente e de sorvete, embalagens de iogurte, fios, caixas de torrada, tinta e outros materiais que iriam para o lixo e servem de instrumento para sua arte.

Brincalhão, faz ironia com fatos do cotidiano e da política e não economiza em sua crítica social mesmo quando não se refere a governos. Uma das maquetes mostra, por exemplo, uma banca de jogo do bicho (que propositalmente grafou com “x”), funcionando ao lado de uma igreja evangélica.

Roberto retrata lugares de Guarulhos, também em tom crítico. A Catedral de Guarulhos (antiga Igreja Matriz) aparece cercada de barracos. Os moradores em situação que rua que vivem sob o viaduto Cidade de Guarulhos foram transportados para a parte de cima, como uma forma de escancarar o problema social que fica um tanto escondido aos olhos de quem passa rapidamente por ali.

“Nunca gostei de ficar parado. Encontrei esse jeito de fazer arte, mas não queria que fosse fazer por fazer. É uma forma de expressar o que sinto. A política habitacional não tem resolvido quase nada e se vê cada vez mais gente morando nas ruas”, desabafa.

Residente no Parque Cecap há muitos anos, ele pretende compartilhar as técnicas que desenvolveu. Tem planos de ensiná-las a crianças e jovens no novo Sesc que será inaugurado em maio em Guarulhos, próximo de sua moradia.