Conheça os sintomas da foliculite e saiba como tratar

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Por Talita Ramos

Muita gente, após um banho quente, uma seção de depilação ou uma visita ao barbeiro, já notou o aparecimento de um incômodo pontinho vermelho, tanto do ponto de vista estético quanto de saúde, em algumas áreas da pele. Para quem não sabe, o tal pontinho, muitas vezes doloroso e inflamado pode ser classificado como foliculite. “A foliculite é uma infecção do folículo piloso da pele, que pode ser causada devido à presença de bactérias, como no caso da foliculite estafilocócica, ou ainda outros fatores como alergia à lâminas e à cera quente, exposição à umidade, contato com a água quente, entre outros. Normalmente, o problema fica confinado a uma determinada área da pele, mas pode se estender e atingir uma grande superfície, tornando-se um problema sério. A foliculite ocorre igualmente tanto em homens quanto em mulheres, com maior frequência nos que têm pele sensível. Nos homens é mais comum o aparecimento da doença na região da barba e no tronco, principalmente naqueles que costumam se depilar, para eles o aparecimento da foliculite também é frequente nas pernas, de forma não tão intensa. Já em mulheres, a foliculite é mais recorrente na região das virilhas, axilas e pernas, aparecendo após a depilação destas áreas. Em pessoas que costumam frequentar massagista, o problema também pode aparecer nas costas devido ao uso de óleos, cremes e ao atrito das mãos com a pele. A foliculite ainda pode se manifestar no couro cabeludo, quando causada pela dermatite seborreica,” explica a médica dermatologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Suzana Cutin Schainberg. A doença é restrita à pele, não se espalhando para órgãos internos. Segundo a médica, ela pode aparecer em qualquer área do corpo em que haja pêlos. “Muitos pacientes também adquirem a doença após frequentar saunas, piscinas e praias,” comenta a dermatologista.

Como identificar?
Os médicos podem identificar a foliculite ao olhar a área e notar a manifestação de pequenas elevações avermelhadas na pele, com presença de pus ou não, lembrando o aspecto de espinhas, que se situam ao redor dos pêlos. Essas elevações podem ainda conter pêlos encravados e podem causar leves coceiras, dores ou ainda se manifestarem de modo assintomático, em algumas pessoas, não sinalizando esses sintomas, apenas a vermelhidão. Por meio de um exame de raspagem da área afetada, a doença pode ser melhor classificada para o devido tratamento.

Tratamento
A médica explica que o tratamento da foliculite, em casos graves, é feito com uso de antibióticos locais, associados ou não a substâncias que ajudam a ressecar a pele, já que a umidade é um dos principais fatores para a proliferação de bactérias no corpo e também um agravante para a foliculite. “O uso de sabonetes antissépticos ou secativos são benéficos para curar o problema. Nos casos mais extensos ou resistentes da doença, indica-se o uso de antibióticos orais. O tratamento leva em média de sete a dez dias, mas pode se estender por mais tempo dependendo da área que for afetada no corpo e da sensibilidade de cada organismo. Na barba dos homens e nas virilhas de certas mulheres a doença pode se tornar um problema crônico e nesses casos é importante lembrar que a causa não é somente bacteriana, mas também devido ao trauma constante da lâmina de barbear ou da cera depilatória em contato com a região afetada,” conta Suzana.

Semelhança
Muitas pessoas confundem a foliculite com a hidradenite, por terem características semelhantes, sem saber classificar qual é cada uma, por isso é importante procurar a ajuda de um profissional da saúde ao notar sinais da doença, para que o quadro não se agrave para ambas e para encontrar o tratamento adequado. “Enquanto a foliculite é uma infecção do folículo piloso, a hidradenite é uma doença inflamatória e infecciosa da glândula sudorípara. Ela é mais comum nas virilhas, mas também pode ocorrer nas axilas e nádegas. Na foliculite existe geralmente um maior número de lesões na pele, não tão profundas. Já na hidradenite, aparecem lesões em um número menor, mas mais profundas e que lembram nódulos, sendo bem doloridas, além de virem acompanhadas de um orifício que drena pus constantemente. Muitas vezes o tratamento desta condição é extremamente difícil, sendo necessária a administração de Isotretinoina oral (forte medicamento ácido conhecido como Roacutan) ou ainda uma cirurgia para remoção da área afetada, em casos mais graves,” explica a médica.
Também relacionada à foliculite o que pode ocorrer em determinadas pessoas é a pseudo foliculite da barba. “Nesse caso, a doenção não é classificada como uma infecção propriamente dita, mas sim como uma irritação constante da barba de certos pacientes, manifestando-se principalmente na região do pescoço, na qual os pêlos crescem em várias direções o que obriga as pessoas a passarem a lâmina de barbear diversas vezes na mesma região para um efeito eficiente. Esse quadro é mais comum naquelas pessoas que possuem pêlos espessos ou enrolados,” completa Suzana.

Como evitar
Para evitar o desenvolvimento da foliculite e também da hidradenite, a médica indica alguns cuidados específicos e simples que podem diminuir o aparecimento da doença, no dia a dia, como:
• Fazer uma boa higiene após frequentar praias, piscinas e saunas;
• Secar bem o corpo após o banho;
• Manter o aparelho de barbear limpo e seco e trocar as lâminas com maior frequência;
• Não compartilhar utensílios de depilação e barbear com outras pessoas;
• Evitar o uso de cera envelhecida;
• Fazer a barba com água morna ou de preferência após o banho, com espumas ou cremes de barbear específicos para pele sensível, pois muitas vezes estes contém silicone que protege a pele, evitando que o atrito com a lâmina seja tão grande;
• Deixar a pele respirar;
• Evitar que a pele fique oleosa, porém mantendo-a hidratada;
• Realizar depilação definitiva com laser ou luz pulsada, o que contribui com a diminuição do atrito na região e evita a proliferação de bactérias.