Ibrahim Sued e o para-choque de caminhão

É interessante observar que a vida profissional é uma espécie de gangorra, na qual quem está na ponta de cima em um momento estará em posição inversa momentos depois.
Cansei de ver gente que começou do nada, foi subindo na carreira, galgando posições de maior responsabilidade e conheço alguns profissionais que se tornaram donos do negócio onde eram funcionários. Outros que trabalhavam de empregados estabeleceram-se e tiveram sucesso. E perdi a conta de quantos tentaram e não tiveram êxito.
Aprendi a não subestimar a capacidade de ninguém e sempre preguei que se deve deixar abertas as portas por onde passarmos. Ninguém sabe o dia de amanhã.
Tenho um amigo cuja empresa foi a última porta onde foi bater o filho do ex-patrão desse amigo, em busca de um emprego.
Já vi sócios que brigaram, viraram inimigos e chegou um dia em que um deles acabou indo ser empregado do outro.
Já vi pessoas que trabalhavam em empresas concorrentes e, em determinada circunstância, uniram-se e, pondo de lado as divergências, conquistaram ótimos resultados
Não descarto que eu possa vir a pedir emprego a alguém que tenha sido meu funcionário, da mesma forma que já empreguei pessoas que estiveram, em alguma fase da vida, em patamar social muito superior ao meu.
Não se pode confundir autovalorização com arrogância ou prepotência.
O futuro a Deus pertence e só os tolos nutrem inveja ou desprezo. Quem realmente tem valor não tem necessidade de contar vantagem.
Lembro-me de uma frase do impagável Ibrahim Sued: “Os cães ladram e a caravana passa” e outra, de para-choque de caminhão: “Trate bem as pessoas quando estiveres subindo, pois tornará a encontrá-las quando estiveres descendo”.