Prof. Dr. Fábio Cardoso dos Santos

A todos os que acreditam na Educação como forma de libertação e de transformação da sociedade.

INTRODUÇÃO

A palavra Pedagogia é a ciência da educação, é método para ensinar. E pedagogo? Pedagogo era visto antigamente como o mestre de meninos; pedagogo era o escravo que conduzia as crianças à escola. E hoje, em pleno século XXI, ser pedagogo é só conduzir crianças à escola, ensinar qualquer coisa? Atualmente ser pedagogo não é apenas ser professor; ser pedagogo é ser responsável pelo processo educativo, é saber lidar com o diferente, sem preconceitos. Nas mãos de um pedagogo está o futuro de muitas pessoas. Ser pedagogo não é fácil, requer dedicação, confiança e perseverança na profissão.

Tendo em vista que a Pedagogia é a ciência da educação e ocorre em todos os espaços, pois é fruto da socialização e a cada dia mais a educação tem se tornado pauta em diversas discussões por pedagogos. Pensamos a educação como um processo de construção que integra, simultaneamente, diversos conhecimentos e promove o desenvolvimento intelectual e moral do indivíduo, sendo construído, culturalmente, a partir do contexto familiar e social.

O pedagogo, diante desse novo paradigma, numa sociedade em constante processo de transformação, é o profissional que, a cada dia mais, se enquadra para exercer essa função de transmissão do conhecimento, “ocorrendo em muitos lugares, institucionalizados ou não, sob várias modalidades.” (LIBÂNEO, 2004, p. 26). Portanto, ele precisa estar preparado para os desafios do mundo contemporâneo, sobretudo com as mudanças bruscas do sujeito social motivadas pelo surgimento das novas tecnologias como no mundo contemporâneo.

Como escreve José Carlos Libâneo, no livro “Pedagogia e Pedagogos, para quê?”,

a pedagogia é o campo de conhecimento que se ocupa do estudo sistemático da educação, isto é, do ato educativo, da prática educativa concreta que se realiza na sociedade como um dos ingredientes básicos da configuração da atividade humana. E a educação é o conjunto das ações, processos, influências, estruturas, que intervêm no desenvolvimento humano dos indivíduos e grupos na sua relação ativa com o meio natural e social, num determinado contexto de relações entre grupos e classes sociais. (LIBÂNEO, 2004).

A educação tem como objetivo a interação social e cultural, oportunizando as mais diversas formas de expressão e construção de conhecimento. O conhecimento, dessa forma é adquirido com base no progresso social e cultural, pois com o passar do tempo o pedagogo deve se  aperfeiçoar, conforme aponta Libâneo que há uma diversidade de práticas educativas intencionais na sociedade a qual se configura como uma ação pedagógica escolar e extra-escoltar, assim, ele considera que:

O pedagogo é o profissional que atua em várias instâncias da prática educativa, direta ou indiretamente ligadas à organização e aos processos de transmissão e assimilação ativa de saberes e modos de ação, tendo em vista objetivos de formação humana definidos em sua contextualização histórica. (1996, p. 127)

Percebemos que as práticas educativas, não estão restritas à escola, sendo evidente a tendência de pedagogização da sociedade, pois, segundo Libâneo (1996), não é casual a menção cada vez mais frequente à sociedade rumo ao conhecimento. E a ausência do pedagogo junto às instituições educativas deixa uma lacuna, pois, somente o pedagogo poderá coordenar os trabalhos pedagógicos de tais instituições com propriedade.

Conforme algumas pesquisas realizadas nos últimos anos, a profissionalização docente não se pode confinar a uma “pedagogia do dom natural”, mas exige formação profissional (FREIRE, 2000, p. 28).

 Para tanto, salientamos a necessidade de uma formação sólida que alie a teoria à práxis pedagógica, minimizando as lacunas na formação docente por vezes muito comum nos dias de hoje.   Por isso, compete ao educador refazer a educação, reinventá-la, criar as condições objetivas para que uma educação democrática seja possível, criar uma alternativa pedagógica que favoreça o aparecimento de novas pessoas, solidárias e preocupadas com o novo projeto social e político (DEMO, 1995).

Dessa maneira, percebemos grandes desafios colocados à educação brasileira, como implementar a democracia, isto é, a inclusão na cidadania e busca pela qualidade da educação, problemas que perpassam vários séculos. Por isso a relevância da atuação do pedagogo em diversos espaços da sociedade é fundamental, não restringindo seu campo de atuação somente à escola formal.

No Brasil, atualmente, vislumbra-se uma ampliação do conceito de educação, haja vista que a mesma não se restringe à ação de ensinar e ao processo de aprendizagem no interior de instituições escolares formais, já que extrapola os muros da escola para os diversos espaços sociais, assim devemos pensar e agir na formação e atuação do pedagogo.

Concluímos que o campo de atuação do pedagogo é muito fértil, haja vista sua fundamental relevância nos ambientes escolares e não escolares, como instrumento mobilizador de competências e habilidades na análise crítica das situações, aliando os princípios éticos, estéticos, políticos e de construção da identidade individual e coletiva, bem como “articulador-mor” do processo educativo. A educação é a chave para complementar  a compreensão sobre as pessoas, suas ações sobre o mundo ao seu redor.

Isto posto, indagamos: Qual pedagogo queremos? Não pretendo esgotar a questão, pois ela sempre estará em aberto. Contudo, ressaltamos que o pedagogo que queremos (e de que precisamos!) é um profissional que tenha conhecimento acerca do processo educativo, seja ele formal, informal ou não formal, um profissional que realize reflexões e intervenha na educação, sem que seja estabelecido um local para que ela ocorra.

Ser profissional da educação na atualidade é um ato de coragem. O desafio de preparar uma geração para a vida, para toda a vida, requer do educador não só o conhecimento da realidade em que está inserido, mas também a sua participação no enfretamento dos problemas sociais de sua comunidade. A partir daí, ele terá “autoridade” para falar sobre a verdadeira postura do cidadão na sociedade. Só a partir de sua prática ele poderá influenciar outros a influenciar o mundo. Para isso, ele precisa perceber o valor da inserção social de seus educandos, enquanto ainda frequentadores do ambiente escolar.

Referências bibliográficas:

DEMO, Pedro. Cidadania tutelada e cidadania assistida. Campinas, SP: Autores Associados, 1995.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 9ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

LIBÂNEO. J. C. Pedagogia, Ciência da educação? Selma G. Pimenta (Org.). São Paulo; Cortez,1996, p.127.

LIBANÊO, José Carlos. O campo do conhecimento pedagógico e a identidade profissional do Pedagogo. In: ______. Pedagogia e pedagogos para quê?. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2004, Cap. 1, p. 25-41.

 

Minicurrículo:

Professor Fábio Cardoso dos Santos – Doutor em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP; é Mestre em Linguística pela Universidade Cruzeiro do Sul – UNICSUL; possui Especialização (Lato Sensu) em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela Faculdade Paulista de Serviço Social de São Caetano do Sul – FAPSS, possui graduação em Pedagogia pela Universidade Bandeirante de São Paulo – UNIBAN; graduação em Letras pela Universidade Camilo Castelo Branco UNICASTELO. Atualmente é Diretor Acadêmico  na Faculdade Paulista de Serviço Social de São Caetano – FAPSS. É Diretor  na Academus Centro de Formação Continuada. É membro do Conselho Editorial da Revista Dialogando Saberes. Coordena o grupo de estudo Discurso e Sociedade na perspectiva Bakhtiniana na Academus Centro de Formação Continuada. É membro do Conselho Consultivo da ABBri – Associação Brasileira de Brinquedotecas. É autor de livros publicados pela Cortez Editora e um deles foi selecionado pelo PNLD/SEESP para distribuição à rede pública em 2007. Em 2013 foram publicados os livros: “Alfabetizar letrando com a literatura infantil e As doceiras, ambos pela referida editora. O livro Alfabetizar letrando com a literatura infantil concorreu ao Prêmio Jabuti 2014.