Por Val Oliveira
Fotos: Rafael Almeida
Com mais de 15 anos atuando na área do design, Flávio Sanches Cantoni, 44, conserva a “aura” de um menino, mesmo quando trabalha ou fala de negócios. Sobre a mesa do escritório, uma estátua do “Homem de Ferro” – personagem de HQ da Marvel Comics, identidade secreta de Tony Stark, que combate o crime usando armaduras elétricas -, entrega seu lado “criança” e a ligação com as artes, que servem de base cultural para os “insights” durantes os “jobs” que desenvolve à frente da “Inspira Design”, empresa de sua propriedade, voltada para o atendimento, planejamento, criação, produção e finalização em diversos segmentos do design. Formado em publicidade e propaganda e artes, Flávio é filho de uma artista plástica e professora de música, e sobrinho neto de Cândido Portinari, um dos artistas plásticos de maior expressão no Brasil e de grande projeção internacional.
Paulistano de nascimento e guarulhense de coração, o empresário é pai de Giulia, 9 anos, casado com Débora, administradora de empresas, que mesmo tendo outra atividade o auxilia na administração da agência. É da infância as primeiras recordações por ele narradas na entrevista. “Eu nasci em São Paulo, mas fui criado em Joinville, Santa Catarina. Meus pais mudavam muito e certo dia meu pai decidiu vender uma padaria que tínhamos no Ipiranga, em São Paulo, e ir embora para Joinville. Eu tinha seis anos e a minha infância naquela terra foi muito legal. Eu ia para a escola de bicicleta com a minha irmã. Quando voltávamos, eu ia para a rua e voltava lá pelas 9 da noite. Estudava um pouco, mas meu negócio era brincar. Nós construímos nove casinhas na árvore e várias piscinas de bicicross. Íamos para a Ilha de São Francisco de bicicleta e voltávamos no caminhão de verdura do pai de um amigo”, conta, saudoso.
Em 1986, uma nova mudança o trouxe para Guarulhos, cidade que ele diz ter aprendido a amar. “Apaixonei-me pela cidade, que é grande, mas tem perfil provinciano. Esse é o charme de Guarulhos”, expõe, lembrando ainda que o gosto pelos esportes foi a porta de entrada para o mundo dos negócios. Amante de esportes radicais como rally e acrobacia aérea, Flávio relata que as primeiras peças publicitárias que desenvolveu foram para a Stock Car. Ao lado de Marcelo, amigo e antigo sócio, chegou a fazer todo o serviço de comunicação dos eventos de Stock como, por exemplo, a sinalização do autódromo de Interlagos e a plotagem do carro madrinha. No início, trabalhavam em troca de passe e credencial para assistirem aos treinos e corridas e passear pelos boxes. “A corrida era no domingo e íamos na quinta-feira para o autódromo para ver montar o carro e todo o processo. Em seguida, o diretor da Stock Car, que era o Carlos Col, viu nosso trabalho e gostou. No final de 2002, passamos a fazer a comunicação da Stock Car”, conta o empresário, que detém contas de clientes famosos como a Allergan, Diageo, Polenghi, Bauducco, Ferrero, Philips, Yakult, entre outros.
Falante e didático, Flávio revela que para um comunicólogo ser bem-sucedido na carreira é preciso muito mais que conhecimentos técnicos: é necessário gostar de gente, querer estar com as pessoas e oferecer soluções eficazes para os problemas de quem o contrata. “Tem que entender de gente”, pensa o empresário, que há quatro meses entrou para o BNI – sistema de geração de oportunidades de negócios, que reúne empresários para a troca de experiências qualificadas. Ele garante que a experiência tem sido enriquecedora, pois o está fortalecendo e ampliando seu número de negócios, bem como aproximando-o de pessoas que estão se tornando seus grandes amigos. “O BNI tem uma mecânica muito interessante que comparo com o filme ‘A corrente do bem’, que é no que acredito. Eu aprendi que a gente tem de fazer pelas pessoas aquilo que ninguém mais faria. Ajudando-nos é o todo que gira.”
Curioso por natureza, o entrevistado gosta de ler e pesquisar. Talvez, o lado criativo aguçado encontre explicação também na predileção por livros de ficção. Acredita que praticar o altruísmo pode ser uma maneira de distribuir amor, princípio que segue por meio do espiritismo kardecista. Seus pais, a mãe com 66 anos e o pai com 68, são seus heróis, e ele sonha deixar para os filhos e netos um mundo no qual os seres humanos, em especial os brasileiros, sejam menos permissíveis, principalmente no campo da política, e, para tanto, busca praticar boas ações para servir de exemplo.
Tomado pela emoção, Flávio muda a expressão e a voz fica embargada ao falar da saudade que sente de Valderez, sua avó materna, que faleceu em 2011, aos 82 anos. “Na madrugada, costumo pensar muito nela. Vem aquela sensação gostosa de carinho. Eu ia visitá-la toda quinta-feira para comer macarrão com porpeta. Eu e meu irmão almoçávamos e fazíamos umas palhaçadas, minha vó ria muito. Depois, eu ia deitar com meu avô Luiz, que tinha o costume de fazer a siesta. Com ele aprendi a questão da honestidade e da dedicação. Já minha avó foi quem me ensinou a dirigir. Eu aprontava e ela me acobertava. Protegia-me quando minha mãe ameaçava me dar umas chineladas. Se eu tirava nota baixa na escola, ela assinava a prova. Era ‘parça’. Foi muito doloroso vê-la perecer com um câncer horrível. E mesmo doente, ela sempre estava bem-humorada”, lembra, emocionado.
Sobre o impasse político pelo qual o País atravessa, Flávio faz questão de dizer que não acredita na inocência do ex-presidente Lula. “Pelo grau de hierarquia, ele sabia de tudo o que acontecia. Se você sabe, você é corresponsável. E não tem coisa mais gostosa do que você assumir o seu erro e tomar alguma ação para não perpetuá-lo”, enfatiza, ressaltando também que a gestão da presidente Dilma Rousseff e a atuação do deputado Eduardo Cunha frente à Câmara não é assertiva. “Eles não têm mais o direito de estarem lá em cima. Eles não nos representam mais”, desabafa.
Perguntado sobre o que mais o orgulha em sua trajetória, ele aponta a filha como a principal responsável por querer um mundo melhor para ele, a família e todos os que o cercam. “Deus está me dando a oportunidade de contribuir para a formação de um ser humano”, diz, citando também a esposa. “Não interessa se amanhã vou ter que vender quadro na praça ou limão no farol. Se eu estiver com elas, estarei bem. É claro que tenho sonhos, por isso trabalho muito e procuro me qualificar sempre, para poder cuidar e amparar todos os que são meus. E isso é muito gostoso”, conclui.
Jogo rápido:
Filme – “A corrente do bem” e “À procura da felicidade”, com Will Smith
Ídolo – Meu pai
Livro – “Operação Cavalo de Tróia”, autor J. J. Benitez
Música – “Let´s get it on” /
Marvin Gaye
Viagem – Atacama



