Difícil entender a situação de extremo abandono na saúde pública de Guarulhos quando olhamos para uma cidade que mantém, ainda, a 13ª posição no PIB nacional. O município que tinha tudo para ser destaque nos serviços prestados para a população, infelizmente, amarga o triste reflexo de uma administração que demonstra dificuldade em cuidar de uma cidade do tamanho de Guarulhos.

Desde o dia 1º de abril, o que parece ser mentira foi estampado nos principais veículos de comunicação de Guarulhos: falta de atendimento, por falta de médicos, de medicamentos, de equipamentos e equipe. São tantas faltas que o contribuinte cada vez mais é deixado às sombras de uma esperança, sentindo no bolso, sobretudo na saúde.

As policlínicas Paraíso e Maria Dirce, a Unidade de Atendimento (UPA) do Jardim São João e o Hospital Municipal de Urgências (HMU) deixaram de atender os pacientes por falta de profissionais. Como ocorreu com o HMU na segunda-feira, 04.

A explicação da Fundação ABC, que cuida das policlínicas e UPA citadas, os médicos não concordam com a instalação de pontos eletrônicos, pois eles são contratados como pessoas jurídicas e não como funcionários, nem da Prefeitura, nem da Fundação. No HMU, a Prefeitura informou que a falta de atendimento na segunda-feira aconteceu porque um dos profissionais se acidentou no domingo e outros dois apresentaram atestado médico. O hospital teria cinco médicos de plantão naquele dia e acabou contando com apenas dois. Segundo informe oficial, a prioridade foi dada para casos urgentes.

O Hospital Geral de Guarulhos (HGG), administrado pelo Estado, também não escapa: as reclamações de falta de equipamentos e médicos também são constantes.

A verdade é que faltam profissionais da saúde para atender a demanda da cidade e de outros municípios cujos moradores buscam atendimento em Guarulhos, principalmente em épocas como a atual, com o elevado número de casos de dengue, Zika e, agora, a gripe H1N1.

Falta de verba não deve ser, porque o percentual a ser aplicado na área da Saúde é fixado por Lei.

Valdir Carleto

Uma das causas é atribuída ao desinteresse da classe médica de trabalhar na periferia. Quando ainda inexperientes, prestam concurso e aceitam atuar em qualquer lugar. Assim que obtêm mais estrutura financeira, estabelecem-se com consultórios próprios ou conseguem colocações mais interessantes, pedem demissão.

Outros prestam serviços a vários locais e acabam não dando conta de comparecer a todos nos horários devidos.

Por outro lado, no caso da Prefeitura de Guarulhos, há tempos já deveria ter sido feito novo concurso público para contratação de médicos.