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A tal orelha de abano…

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Originada da palavra em inglês ‘bully’, que significa ‘valentão’, o termo bullying refere-se às atitudes agressivas, seja verbais ou físicas, que são intencionais e repetitivas e podem ser praticadas por uma ou mais pessoas.

O bullying sempre deixa em suas vítimas sequelas que muitas vezes são irreparáveis. A preocupação aumenta quando se trata de crianças e adolescentes; afinal, grande parte dos pequenos não têm noção quando estão a prejudicar o amigo através de algum apelido ou comentário depreciativo.
Um dos alvos mais constantes das brincadeiras é a orelha de abano, que é de origem genética e não está ligada a nenhum problema auditivo. Esse tipo de formação torna as orelhas mais projetadas para a frente e está presente em 5% da população, de acordo com pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

O jovem Alexandre Martins, de 21 anos, foi uma vítima das brincadeiras dos colegas de classe quando criança. Com 9 anos de idade, os pais e ele optaram pela cirurgia plástica após Alexandre chegar ao ponto de não querer ir mais para a escola. “Eu decidi que era necessário fazer a cirurgia por causa do bullying na escola, além dos vários apelidos que ouvia na rua. Até o farmacêutico já tinha um apelido próprio para se referir a mim. Eram muitos mesmo. Eu cheguei ao ponto de não querer mais ir para a escola”, explica Alexandre, que tinha dificuldades com as gozações e por muito tempo teve complexo de inferioridade.

A cirurgia para corrigir a orelha de abano não está ligada somente ao lado estético, mas ao emocional do indivíduo. “Hoje eu me sinto uma nova pessoa. Melhorou muito a minha autoestima. Fiquei completamente satisfeito com o resultado. A cirurgia vale muito a pena. E, além de não ser difícil, é rápida. Ela não só traz benefícios estéticos, mas para a sua qualidade de vida”.

A recente pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica mostra que em todo o Estado de São Paulo, 470 mil crianças e jovens são alvo de possíveis chacotas por terem a orelha de abano, sendo 11.800 estudantes (de 6 a 17 anos) só em Guarulhos.

O PROCEDIMENTO CIRÚRGICO

A cirurgia plástica para correção das orelhas de abano é a otoplastia. Ela é indicada para crianças a partir de 6 anos – idade em que as orelhas já se encontram em fase adulta. O procedimento dura cerca de uma hora, sem necessidade de internação. A criança volta para casa no mesmo dia. Infomação muito importante: a cirurgia é disponibilizada pelo SUS, caso o paciente apresente transtornos psicológicos.
De acordo com cirurgiã-plástica Naila Alves, o procedimento é rápido, com anestesia local ou geral. “Normalmente, essa cirurgia não traz complicações. No caso das crianças, empregamos anestesia geral, para evitar um estresse desnecessário nos pequenos”. A médica aponta ainda que o período pós-operatório costuma ser bastante tranquilo. Em média, a recuperação se dá entre 20 e 30 dias e, na maioria dos casos, as cicatrizes ficam imperceptíveis.
Não é comum, mas pode acontecer de a orelha de abano voltar após pequenos traumas, necessitando de re-intervenção. Portanto, o paciente deve seguir a recomendação do cirurgião para recuperação, minimizando possíveis complicações.
É recomendado pelos especialistas que a cirurgia seja feita somente em casos em que o órgão gere transtornos para as crianças; por isso, é necessária a atenção dos pais nas estranhas reações dos filhos, que podem estar relacionadas às gozações de colegas, e pode causar problemas muito mais profundos, como a depressão. O procedimento cirúrgico nesse caso é de suma importância, pois pode elevar a segurança da criança ou adolescente em não sentir vergonha do seu próprio corpo.

Existem projetos que viabilizam a realização da cirurgia de otoplastia, como o Projeto Orelhinha, que é uma organização sem fins lucrativos e já ajudou mais de 12 mil pessoas em todo o País a realizar a tão sonhada cirurgia. A operação não é 100% gratuita, mas há muitos casos de pacientes, com poucos recursos financeiros, que conseguiram subsídios de até 70%. Parte da receita obtida a partir das contribuições sociais é destinada para o atendimento inteiramente gratuito de pacientes na faixa etária de 7 a 14 anos, com histórico de bullying, baixo rendimento escolar e dificuldades de socialização, cujas famílias não dispõem de condições de arcar sequer com o custo social do Projeto.
Para mais informações, vale dar uma ligada no 0800 718 7804 ou

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