InícioCANAISPOLÍTICAA internet como potencializadora do humor

A internet como potencializadora do humor

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Por Cris Marques

De acordo com um estudo da agência internacional We Are Social, publicado no ano passado, o Brasil figura como a terceira nação mais conectada do mundo, contabilizando cerca de nove horas on-line por dia, cinco delas via computador ou tablet e o restante no celular. E com um perfil comunicativo, estritamente criativo, bem-humorado, e até um pouco sem limites e tanto tempo assim logado, o brasileiro encontra na internet o palco perfeito para se manifestar com blogs pessoais, perfis nas redes sociais, canais de vídeos, espaço para comentários nos sites de grandes veículos, piadas e “textões”.

Martha Gabriel, consultora e escritora na área de marketing digital e inovação, explica que a potencialização acontece por que a tecnologia permite e a cultura favorece. “A gente sempre teve esse perfil de gostar do humor, de propagar, de criar meme [termo usado na internet para descrever conteúdo de humor que se espalha; explicado mais detalhadamente no final da página]. Isso antes da internet, com a televisão e seus programas humorísticos ou mesmo características de pessoas públicas, celebridades, jornalistas ou repórteres, que rapidamente viram bordões e incorporam no que as pessoas falam. A diferença é que a rede amplifica isso. […] Na época da copa, eu acompanhava pelo Twitter e não pela televisão e era incrível como, ainda durante o jogo, as pessoas já criavam as piadas com o que estava acontecendo”, exemplifica ela.

Pedra (internacional) no sapato

Com características tão diferentes de outros países, o Brasil acaba incomodando ainda mais lá fora. E a profissional explica. “Em um contexto mundial, existem dois fatores que são interessantes. Um é cultural mesmo, nós somos mais abertos e gostamos de nos expor, de compartilhar, e o outro é parte da educação, do imediatismo que estamos vivendo. Diante de um acontecimento, as pessoas falam, publicam, implicam e reclamam sem entender ou pesquisar mais a fundo. E isso não é exclusivo da internet. O brasileiro é rápido em suas tiradas cômicas e externa com muita facilidade aquilo que vem à cabeça. E isso acaba sendo uma pedra no sapato dos outros”.

Meme x Viral

Ao contrário do que muita gente pensa, os memes existem muito antes do virtual e não dizem respeito apenas a coisas engraçadinhas da internet. A expressão foi vista pela primeira vez em 1976, na obra “O gene egoísta”, do biólogo Richard Dawkins. Assim como ele conseguiu decifrar a mecânica do gene, unidade mínima de propagação de informação hereditária, ele interpretou o meme como uma unidade mínima de propagação da cultura. “A gente só está aqui porque, lá atrás, alguém aprendeu a fazer fogo e isso foi copiado. Ele é uma estrutura de cópia, transmitida de pessoa a pessoa. Quem cria não tem o poder de decidir se vai viralizar ou não; quem determina isso é a cultura que precisa incorporar o conteúdo. O antigo ‘não é assim uma Brastemp’ ou ‘menos a Luiza que está no Canadá’ são exemplos de meme, porque, na realidade, não falam sobre a marca ou a garota que viajou e sim sobre a ideia que a expressão representa”, pontua Martha. Já o conteúdo viral é diferente, apesar de ter a mesma estratégia de ser abraçado pela cultura, ele não é copiado e sim compartilhado/propagado exatamente da forma que nasceu.

Todo mundo adora o Tyler James

Conhecido no País como o protagonista de “Todo mundo odeia o Chris”, que faz grande sucesso por aqui e passa até hoje na TV Record, o ator Tyler James Williams também sabe o quanto o humor tupiniquim não tem limites. Ele, que já deixou o Chris para trás com papéis em “Go On” e “The Walking Dead”, recebe, diariamente, em seu perfil no Instagram (@willtylerjames) centenas de comentários brasileiros utilizando bordões do antigo programa, como “pisante maneiro” e “Sua mãe sabe que você está andando com gente branca?”. Irritado com a situação, ele chegou a publicar uma imagem com dizeres em português, bem à la Google Tradutor, com concordância e palavras traduzidas erradas, pedindo para que os brasileiros parassem com isso. Sem sucesso e depois de refletir sobre o amor pelo personagem, ele ainda mandou um novo recado, por meio de um vídeo da youtuber brasileira Nubia Veturiano: “Ei, Brasil, eu amo vocês. Vocês são muito legais, mas, se você puderem, diminuam um pouco o spam na minha página”.

O Brasil no Facebook

Se por um lado, Mark Zuckerberg, um dos fundadores da rede considerada a terceira “marca” mais influente entre os brasileiros, presencia, diariamente, o boom de sua empresa no País e lucra com isso, por outro, ele também sofre com a “zoeira”. Um dos casos mais marcantes envolvendo o empresário ocorreu no final de 2014, quando, sem nenhum motivo aparente, seu perfil foi bombardeado por uma enxurrada de comentários daqui, que o fizeram, inclusive, bloquear a funcionalidade em sua página. Na postagem que ele anunciava seu casamento com Priscila Chan em maio de 2012, por exemplo, foram mais de 187 mil manifestações, entre elas memes, imagens e emoticons.

No Grammy for you

Se Tyler chegou a ameaçar dar um “block” nos usuários do País, a página do Grammy, maior prêmio da indústria musical mundial, no Facebook foi além e concretizou a ação no ano passado. Isso aconteceu, após Inês Brasil, que ficou famosa com a divulgação de seu vídeo de inscrição para o Big Brother Brasil 13, liderar a votação de um prêmio para artista-revelação.

Brincando com coisa séria

Dias após o brutal ataque do Estado Islâmico a Paris, fato que parou o mundo em novembro do ano passado, uma postagem no Twitter garantiu que o Brasil seria o próximo alvo. O que na época não teve muita repercussão, voltou agora à tona com a proximidade das Olimpíadas e a confirmação da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) de que o perfil é mesmo de Maxime Hauchard, integrante do grupo terrorista. A situação, que deveria causar apreensão, foi recebida com humor na internet e logo surgiram postagens e memes sobre o assunto, de tweets com a divulgação das coordenadas exatas da Câmara dos Deputados durante a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff até estratégias de defesa com a Carreta Furacão, Mc Melody, a “Metralhadora” da banda Vingadora e diversos artistas, incluindo Wesley Safadão, vestidos de super-heróis.

Compartilhe

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADEspot_img
Redes Sociais
32,279SeguidoresCurtir
11,922SeguidoresSeguir
1,308InscritosInscrever

Últimas Publicações

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE