Num contexto geral, as Olimpíadas são sempre um sinônimo de esforço, desafios e competitividade. Mas quando as Paralimpíadas começam, aprendemos verdadeiros exemplos de superação.

Infelizmente, diferente dos Jogos Olímpicos, a versão adaptada para atletas portadores de deficiência física ou sensorial não tem tido tanta atenção da mídia quanto deveria. A Paralimpíada Rio-2016 tem se resumido a algumas coberturas jornalísticas, muito diferente do que vimos na Olimpíada, que, a cada segundo que ligávamos a televisão, tinha transmissão de alguma modalidade desportiva. Por exemplo, o único canal aberto que transmitiu a abertura das Paralimpíadas foi a TV Brasil.

marcia_malsar_2Em reportagem do canal pago SporTV, viu-se que a queda da ex-atleta Márcia Malsar levantou o público do estádio do Maracanã em um momento comovente. Ela, que tem paralisia cerebral e representou o Brasil durante anos, levantou-se e concluiu o seu trajeto. Quando foram ajudá-la, disse: “Não, eu que vou levar”. As grandes emissoras não mostraram ao vivo essa emocionante cena.

Até a conclusão desta matéria, o Brasil contava com 44 medalhas, sendo 10 de ouro, 21 de prata e 13 de bronze. O País está na quinta posição, atrás de China, Grã-Bretanha, Ucrânia e EUA.

O nadador Daniel Dias brilhou: só ele levou dois ouros (50m e nos 200m livre); duas pratas (100m peito e nos 4×5 livre) e um bronze nos 50m borboleta. Com esse grandioso resultado, ele se firma na posição de maior medalhista paralímpico do Brasil, com 20 conquistas ao todo. Daniel nasceu com má formação congênita dos membros superiores e da perna direita. Não contente, o nadador pode ser o maior medalhista da história dos Jogos Paralimpícos, marca que pertence a Matthew Cowdrey, dono de 23 medalhas. Cowdrey não veio para o Rio e Dias ainda tem 4 competições; o brasileiro ganhou medalha nas cinco competições das quais participou.

No lançamento de disco masculino, Claudiney Batista dos Santos quebrou o recorde do cubano Leonardo Diaz, de 44.63m, subindo para 45.33m e faturou o ouro.
O atleta brasileiro Petrúcio Ferreira dos Santos, que perdeu a mão esquerda num acidente com uma máquina de moer capim aos dois anos de idade, levou medalha de ouro nos 100 metros rasos, além de quebrar o recorde mundial, com tempo de 10s57. Se não bastasse, o brasileiro Yohansson Nascimento chegou na terceira posição e ganhou o bronze, na mesma prova.

paola_klokler_ra-4A modelo e atleta Paola Kloker que mora em Guarulhos e treina no Colégio Marconi, nasceu com má-formação congênita no membro inferior esquerdo. Seu time de basquete em cadeiras de rodas classificou-se para as quartas, com três derrotas e uma vitória.

Esses são alguns exemplos que os Jogos Paralimpícos podem nos dar. Ao assistir a qualquer jogo das Paralimpíadas, percebemos que o maior impedimento que temos é o que vemos ao olhar no espelho: nós mesmos.

Breve história

A primeira edição dos Jogos Paralímpicos ocorreu em 1960, após a Olimpíada de Roma, na Itália. Mas o chamado Movimento Paralímpico nasceu como resultado do término da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), quando o espólio da guerra foi um número considerável de soldados multilados, principalmente em países europeus.

Na Inglaterra, em 1944, o neurocirurgião alemão Ludwig Guttmann iniciou um trabalho de reabilitação médica e social dos veteranos de guerra, por meio de práticas esportivas, após notar que a qualidade de vida de seus pacientes melhorava com o esporte. Desde então, a iniciativa só cresceu.

O Brasil participou pela primeira vez dos Jogos Paralímpicos em 1972, em Heidelberg, Alemanha, mas só ganhou medalha na segunda edição vez: em Toronto, Canadá.