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Casa das Rosas atendeu a mais de 400 mulheres vítimas de violência neste ano

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A Casa das Rosas, Margaridas e Beths é um Centro de Referência de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência Doméstica, estrutura que atende a mulheres entre 18 e 60 anos, prestando acolhimento, acompanhamento psicossocial e orientação jurídica. O objetivo desse serviço é contribuir para que as mulheres rompam com a situação de violência na cidade e promover a igualdade de gênero.

 Desde que foi fundada, em 2002, a Casa das Rosas já atendeu a mais de 8 mil mulheres vítimas de algum tipo de violência. Só de janeiro a agosto deste ano, 451 mulheres procuraram os serviços oferecidos pela Casa, num total de 1.509 atendimentos – isso porque muitas mulheres precisam de mais de um atendimento.

 A. P. O*, de 37 anos, conheceu a Casa das Rosas por acaso. Viveu um casamento conturbado. Era ameaçada e agredida verbalmente pelo marido, que bebia muito. Tomava remédios controlados e achava que a vida era aquilo mesmo. Era uma pessoa infeliz. Ela não via saída, pois, sem trabalhar e com 4 filhos pequenos, não tinha para onde ir. “Ele dizia que eu não era capaz. Mandava e eu tinha que obedecer. A minha moral estava baixa e eu comecei a achar que eu não era competente. Aquilo virou uma prisão”, diz.

 Em 2014, buscou uma oportunidade de emprego. Passou em um concurso e foi trabalhar como agente comunitária de saúde. Um colega de trabalho soube de sua história e falou sobre a Casa das Rosas. Em janeiro de 2015, foi buscar ajuda e lá obteve atendimento com assistente social, psicóloga e recebeu orientações jurídicas. Começou a recuperar a autoestima; encontrou forças para enfrentar o processo de separação e buscou acolhimento com os familiares.

 A psicóloga Fernanda Coimbra dos Santos, que trabalha na Casa das Rosas há dois anos e meio, esclarece que o tempo de acompanhamento depende de cada pessoa e que há também um longo trabalho de conscientização. Inicialmente, a vítima de violência passa por uma sessão com psicólogo e assistente social para que se conheça sua história e que seja identificada o tipo de agressão que a pessoa sofre. “Às vezes, as mulheres agredidas não sabem exatamente o que buscam. É importante identificar o que elas precisam e o tempo de acompanhamento vai depender de cada caso e da melhora”, diz.

 Fernanda também alerta sobre a importância de se levar esses assuntos para debater na sociedade, pois a violência é algo que atinge a todas as classes sociais, em todos os lugares e muitas mulheres não se dão conta da situação em que vivem. “O contato com esse tema foi muito importante para mim. Eu não tinha essa percepção da violência. É preciso divulgar e falar mais sobre a questão de gênero e igualdade. Quanto mais a mulher é independente e esclarecida, mais chance ela tem de evitar entrar em uma situação de violência” ressalta.

 A.P.O acredita que as pessoas em situação de violência não têm conhecimento sobre seus direitos; não sabem para onde ir. “A Casa das Rosas te dá a direção. É um trabalho muito bonito. Acolhe gente que não sabe o que fazer, como eu. Se não fosse as orientações que tive, não teria conseguido”, diz.

 Ainda aguardando a decisão da Justiça sobre a guarda dos filhos e a posse da casa em que morava, A.P.O. continua passando por atendimento psicológico e acredita que a pior fase já passou: “Minha vida recomeçou. Agora é só olhar para a frente. Estou bem feliz e hoje acredito que eu tenho um futuro, que coisas boas vão acontecer”, finaliza.

Para mais informações entre em contato com a Casa das Rosas por e-mailcasa.rosas@bol.com.br ou pelo telefone 2441-0019

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