
Todo ano, no mês de outubro, frisa-se muito a importância da prevenção do câncer de mama graças ao Outubro Rosa, criado para estimular a população a fazer o autoexame e a mamografia, buscando o controle da enfermidade por meio de diagnósticos precoces. Mas e para quem tem prótese de silicone nos seios, será que os exames para a detecção antecipada da doença são os mesmos?
Muitas mulheres com implante mamário têm dúvida em relação à mamografia, por exemplo. Isso porque acreditam que a prótese pode ser estourada durante o procedimento, já que o equipamento utilizado para realizar o exame aperta os seios. Mas será que isso pode mesmo acontecer?
De acordo com o cirurgião plástico José Neder Netto, não existe nenhum tipo de restrição pelo fato de a mulher ter a prótese mamária, mas é importante que o profissional que for aplicar o exame saiba dessa condição. “Se a mamografia for realizada em clínicas especializadas, não há o risco de ruptura”, diz o profissional.
O mastologista e ginecologista Lúcio Ferreira de Castro reforça que o autoexame e o exame clínico de palpação realizado pelo ginecologista ou mastologista podem ser feitos quando necessário. “Além do ultrassom mamário e, eventualmente, a mamografia, preferencialmente a digital”, reforça. Também é importante que as mulheres saibam da diferença entre ultrassom e mamografia, pois muitas acabam optando somente pelo ultrassom por considerá-lo menos dolorido. “São exames diferentes para avaliações de situações diferentes. Eles até podem se complementar e, em alguns casos, é necessário a realização dos dois, mais a ressonância magnética das mamas”, afirma Lúcio.
Segundo José Neder, o ultrassom visualiza melhor as questões líquidas, presença de cistos e a integridade das próteses. Já a mamografia também visualiza a integridade das próteses, mas serve para visualizar melhor as questões sólidas como calcificações ou micro calcificações. “Os dois exames são complementares e têm suas particularidades, mas a mamografia é o principal exame para rastreamento do câncer de mama. Para pacientes com mamas radiologicamente densas, por exemplo, é indicada a ultrassonografia das mamas, devido a maior chance de diagnóstico de nódulos ou outras alterações. É importante determinar se um nódulo é sólido ou cístico para o rastreamento do câncer de mama. A sociedade Brasileira de Mastologia tem indicado realização de mamografia de rastreamento
anual a partir dos 40 anos. Antes dessa idade ultrassonografia das mamas.”, explica.
Para uma paciente que tenha histórico de câncer de mama na família, o mastologista Lúcio Ferreira diz que não há nenhuma restrição para a colocação da prótese, “mas existe a recomendação para quem tem histórico familiar direto (mãe ou irmãs com câncer de mama) que faça o início do rastreio entre 20 e 25 anos”. Além disso, em todas as pacientes são realizados exames pré-operatórios para que seja realizada uma cirurgia com segurança. “Se for detectado cistos ou nódulos esses devem ser avaliados pelo ginecologista/mastologista para realização do diagnóstico da lesão, se acusar benigno não existirá contraindicação para o procedimento. Contudo, se a lesão for suspeita ou maligna deverá ser tratado antes de realizar a colocação de próteses de mama”, pontua o cirurgião plástico.
Quais são as formas de colocar o implante nos seios?
- Subglandular: abaixo da glândula mamária.
- Subfascial: abaixo da fáscia muscular.
- Submuscular: abaixo da musculatura peitoral.
Amamentação x prótese de silicone
Outra dúvida frequente quando o assunto é prótese mamária é se a amamentação pode ocorrer normalmente mesmo com o implante. De acordo com o cirurgião plástico José Neder Netto, não existe problema algum. Ele explica que existem duas formas para colocar o silicone; sendo submuscular ou subglandular, sem interferir nas glândulas mamárias. “Não há relação prejudicial entre prótese de silicone e amamentação desde que sejam respeitados fatores como o tamanho da prótese e o local da incisão”, avalia.



