Juliana França Ribeiro, 15, estava tímida quando recebeu a nossa equipe para conceder entrevista. Mas foi apenas primeira impressão. O lado retraído deu lugar a uma jovem que esbanja dotes: simpatia, bom discurso e ótimas ideias. Ela é a única guarulhense a compor os 47 selecionados, num total de 181 inscritos, para participar do Parlamento Jovem 2016. Conquistou a vaga com a proposta de implantar painéis de conversão de energia solar para elétrica nas escolas do Estado.
Quando Juliana começou a contar como foi escolhida por duas vezes para apresentar ideias, ela deixou claro que o molde para desenvolver projetos veio dos quatro anos de participação do Grêmio Estudantil da escola estadual Milton Cernach. “É um projeto [o Grêmio] que gosto muito, muito mesmo. É o melhor projeto que tem dentro da escola. Me desenvolve muito, traz muita experiência”, afirma Juliana, satisfeita por presidir a agremiação no ano em que mais tiveram atividades: dois interclasses, dois festivais de talentos, campanha do agasalho e festas que, segundo a entrevistada, bombaram muito mais do que ela quis contar.

A primeira vez que a adolescente participou do Parlamento Jovem foi em 2014, quando um dos professores a questionou sobre “o que ela gostaria que tivesse em todas as escolas”. Com inspiração dos EUA, ela sugeriu salas médicas que tivessem também auxílio de dentistas e psicólogos aos estudantes. Quem a orientou em todos os passos foi o professor. Toda a experiência adquirida serviu para ela dar os próximos passos sozinha.
Em 2016, veterana no Parlamento, Juliana ficou atenta à data da inscrição. Sem o antigo professor que a orientou, desenvolveu toda a redação da proposta em forma de Projeto de Lei e se inscreveu. Não deu outra: ela foi selecionada e irá apresentá-lo na Assembleia Legislativa em dezembro.
Segundo Juliana, é importante participante da sociedade mesmo sendo jovem, sem depender do incentivo de professores e dos pais. A adolescente sente-se feliz em estampar no peito o nome da escola pública. “São poucas escolas da periferia. São mais particulares. Você se sente honrada, porque alunos da escola da periferia também têm valor, inteligência e capacidade. ”
Entenda
O Parlamento Jovem é um programa que seleciona estudantes do ensino médio para simular a jornada de um deputado. Para a escolha dos jovens, a equipe da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) levou em consideração a adequação formal, correção gramatical, concisão, clareza, pertinência, originalidade e condições de aplicação efetiva dos projetos.
Vale a pena?
Procuramos Arthur Ramos, engenheiro de obras e projetos e especialista em energia renováveis da Asthor Energia, para saber a efetividade do projeto de Juliana. O profissional explicou que o processo fotovoltaico transforma a energia contida na luz, chamada “Fóton”, em energia elétrica, através de semicondutores. Quando o semicondutor é atingido pelos fótons, os elétrons são estimulados, gerando assim, eletricidade.
Arthur ainda ratifica que o efeito é obtido simplesmente por existir luz. Logo, a energia é gerada até mesmo em dias nublados ou chuvosos, porém, em menor quantidade. Quanto maior intensidade de luz, maior a produção de energia.
Sobre o valor do investimento, é relativo. “Teríamos que analisar qual o consumo em kWh destas escolas. Tudo influencia. Número de salas de aula, tamanho da escola, número de banheiros, cantinas/refeitórios. É um cálculo simples, mas que depende de informações que não tenho acesso”, explica Arthur que afirma que o retorno é em médio prazo. “O Tempo médio de retorno, independente do investimento, está na base dos 4 a 7 anos. No melhor dos cenários, uma economia de 80% nas despesas com contas de energia”.
Resta saber se os deputados legitimados pelo voto popular colocarão para frente a proposta que promete uma economia considerável de energia no Estado de São Paulo.

