Por: Cris Marques
Fotos: Marcelo Santos, Rafael Almeida,
banco de imagens e divulgação

Com o crescimento das cidades, a diminuição do espaço, o aumento da população e a demanda por habitação, é inevitável que a verticalização urbana aconteça. E é nesse processo de construção de edifícios que são constituídos os condomínios – área que pertence a mais de uma pessoa, cabendo a elas direitos sobre sua parte e participação percentual nas áreas comuns –, o que também vale para os conjuntos fechados de casas. E se viver em sociedade não é uma tarefa muito fácil, isso fica ainda mais complicado quando o assunto é a vida em condomínio.

Muitos são os motivos que levam as pessoas a morar nesse tipo de moradia, mas os principais são segurança, privacidade, valor do imóvel e as opções de lazer oferecidas. Porém, nem só de pontos positivos vivem os condomínios. E, ao optar por morar em um, é preciso ter em mente que existem regras que precisam ser seguidas o que, quase sempre, significa perda de liberdade. Logo, pintar a porta de outra cor, mudar a janela ou a grade da varanda, receber um prestador de serviço em qualquer horário ou até mesmo usar a furadeira no feriado são coisas que você vai ter que se acostumar a ficar sem.

Para Mário Canarim, síndico profissional e diretor da Oliva & Canarim Administradora, o maior problema dos condomínios é justamente conscientizar o morador sobre as regras a seguir. “Com o boom dos empreendimentos imobiliários, temos muitas pessoas que vieram de casa e isso, às vezes, dificulta um pouco a adaptação. Então, é preciso conhecer a convenção e o regulamento interno. Esse primeiro documento é feito pela construtora sem a participação de qualquer morador e, basicamente, tem as mesmas regras que já constam no código civil: limitação da atuação do síndico e dos moradores, o que pode e o que não pode fazer, questão de horário, mudança, obras, alteração de fachada etc. Já o segundo é uma complementação, com as normas mais do dia a dia, como datas do recolhimento de lixo, por onde pode circular animal, horário de piscina, quadra, playground e academia. Enfim, regras menores”, explica.

 

Vida em condomínioConduta adequada

Vai mudar de prédio ou é a primeira vez que vai morar em um condomínio? Confira algumas dicas que podem ajudar nesse processo:

Conheça as regras

Leia a convenção e o regulamento interno para saber exatamente quais são seus direitos e deveres;

Respeite

Som alto, arrastar móveis durante a noite, cachorro que late demais ou uiva, usar salto alto dentro de casa tarde da noite são hábitos que podem gerar desavenças e ainda render multas;

Participe

Frequente as assembleias, saiba o que está sendo discutido, vote, opine e fique ciente das decisões tomadas nesses encontros;

Converse

A melhor forma de resolver qualquer problema dentro de um condomínio é o diálogo. Se necessário, chame o síndico para intermediar essa conversa.

 

Entendendo a administração

Vida em condomínioSegundo Silvana Araújo, contadora e administradora de empresas, sócia administradora da Controller Contadores Associados e da Controller Administradora de Condomínios, todo condomínio precisa ser gerido por um corpo diretivo, que deve ser composto por síndico, subsíndico e conselheiros, cuja função é auxiliar o primeiro na tomada de decisões, conferência dos livros, prestação de contas e demais assuntos pertinentes à rotina do local. E o mandato deve durar, por lei, até dois anos. Anualmente, em uma mesma data, ocorre uma assembleia ordinária para aprovação de contas, sorteios de vagas, eleição e outros assuntos e, quando necessário, também podem ocorrer assembleias extraordinárias, convocadas pelo síndico com caráter de urgência, para definição e solução de problemas pontuais. Todas elas devem ser acompanhadas pela administradora contratada para melhor condução e esclarecimentos dos trabalhos.

“O síndico morador deverá ter tempo, habilidades e conhecimento para poder fazer uma boa gestão. Há controles, rotinas e acompanhamentos que exigem especialização no assunto, por isso, o ideal é ter uma boa administradora. É ela que fará todo o acompanhamento das rotinas, cobrança, envio de boletos, pagamentos, recrutamento e seleção de pessoal, prestação de contas, apuração de impostos, previsão orçamentária, estudo para redução de custos e processos e acompanhamento nos conflitos e decisões”, destaca ela.

 

Espaço para a troca de experiências

Em junho, a Controller promoveu o 1º Encontro de Condomínios de Guarulhos para levar informação ao corpo diretivo dos condomínios da cidade (clientes e não clientes). “O evento foi bem satisfatório, pois atingimos nosso objetivo de levar conhecimento. Todos puderam esclarecer suas dúvidas, descobrir situações até então desconhecidas e se conectar melhor com o mundo condominial”, afirma Silvana. A próxima edição será realizada ainda no primeiro semestre de 2017 e contará com a presença de palestrantes especializados na área, que abordarão questões sobre gestão, mercado e tendências para o ramo.

 

Síndico profissional

Vida em condomínioCom condomínios cada vez mais complexos, surge uma demanda por síndicos profissionais, contratadas especificamente para a função. Segundo Mário Canarim, que atua na área, a principal vantagem é que, diferente do morador, que tem muita proximidade com os outros condôminos e, no dia a dia, pode ser tratado como um simples vizinho e não uma autoridade, o profissional é visto como alguém que está prestando um serviço. “Ainda existe preconceito com essa figura. Por não morar lá, pode-se achar que ela não vai zelar pelo condomínio. Mas, se você pensar por outro lado, a primeira preocupação desse funcionário é executar um bom trabalho para continuar fazendo a gestão, até porque o desligamento dele é muito mais fácil do que se fosse um morador”.

Sobre as dúvidas que rondam essa contratação, ele explica que o síndico profissional também é eleito em uma assembleia, mas a diferença é que ele tem um contrato. “A questão de limitar seus poderes será feita nesse documento, com base na convenção. Dá para incluir cláusulas que proíbam que ele movimente a conta bancária sozinho ou exigir que a contratação ou demissão de uma empresa de colaboradores seja sempre aprovada pela maioria do corpo diretivo. Já no caso de insatisfação com o trabalho, o primeiro ponto é colocar conselheiros e subsíndicos, como um elo de comunicação. Depois, eles têm o poder de convocar uma assembleia e propor sua destituição”, conclui.

 

Seja você a mudança

Vida em condomínioAs coisas em seu condomínio não estão indo muito bem? A atuação do síndico ou corpo diretivo não está agradando? Então essa é a hora de cobrar uma mudança e, talvez, até fazer parte dela. “A gente achava que as coisas deveriam ser diferentes. Foi aí que começamos um movimento para mudar as coisas aqui dentro”, afirma Carlos Barreto, policial militar aposentado que atua com consultoria de programação neurolinguística e é síndico do Vale dos Pássaros, no Cocaia, com 140 casas e 204 apartamentos. Ele conta que o primeiro passo da nova gestão foi reestruturar e organizar o condomínio. “O difícil foi colocar regras para todo mundo e fazer com que elas fossem cumpridas. Mas a vantagem foi que assumimos com um grupo de moradores, que tinha os mesmos objetivos. Fizemos uma força tarefa e, em 1 ano, 1 ano e meio, as coisas começaram a entrar nos eixos”.

Hoje, em seu segundo mandato, Barreto atua ao lado de um corpo diretivo composto por dois advogados, três conselheiros fiscais e três conselheiros consultivos, todos moradores. “Na prática mesmo um síndico é um conciliador. A gestão é até uma consequência da função administrativa”. Para ele, os pontos mais importantes são transparência, regras, comunicação e tato com as pessoas. “A maioria dos moradores tem meu celular e a sala da administração nunca está vazia. Se eu não estiver aqui, outra pessoa do conselho estará. Hoje, o proprietário tem acesso às informações do condomínio vindo aqui ou acessando o site da administradora com a qual a gente trabalha. Dá para acessar tudo, ver como e no que o dinheiro está sendo gasto. Além disso, temos um circuito de câmeras que cobre toda a área de lazer. […] Hoje nós somos profissionais, fizemos cursos para gerir tudo isso. As pessoas não podem querer ser síndicas por aventura, esporte ou lazer. Tem que ter formação e é isso que nós fomos buscar justamente para poder administrar o condomínio mas, mais do que isso, o dinheiro dos condôminos”, finaliza.

 

Controller Administradora de Condomínios
Rua Santana do Jacaré, 116, Bom Clima
Tel.: 2442-2230 / 2229-0102
www.controllercondominios.com.br

Oliva & Canarim Administradora
Rua Américo de Paula Arantes, 20, Centro
Tel.: 2440-1216
www.olivacanarim.com.br