InícioCIDADECULTURAO encanto e o poder da dança do ventre

O encanto e o poder da dança do ventre

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Por Tamiris Monteiro

Tida como uma atividade milenar, a dança do ventre, dança oriental ou “RaqselSharqui” (pronuncia em árabe) apresenta diversas teorias e interpretações sobre sua origem, isso porque existem poucos documentos e registros históricos que validem a informação. Há quem diga que teve início na Índia e que, de lá foi, difundida pelos ciganos. Outros afirmam que a dança fazia parte das cortes no Império Romano e no Império Otomano e que, a partir daí, se espalhou pelo mundo árabe. Mas, há, ainda, a hipótese de que tenha surgido no Antigo Egito, em rituais ou cultos religiosos em que as mulheres dançavam em reverência a deusas.

Se a data e localidade do nascimento da dança do ventre são incertas, o que se pode afirmar é que a prática da modalidade é capaz de proporcionar inúmeros benefícios para o corpo e a mente. Segundo Janaina Dantas, professora do Estúdio de Dança Janaina Dantas, na parte física a atividade colabora com o alongamento e a flexibilidade, melhora da postura, dissociação corporal, tonificação da musculatura, respiração correta, diminuição de dores menstruais, fortalecimento do sistema circulatório, harmonização da função dos músculos com a cartilagem e as articulações e pode auxiliar no processo de emagrecimento. Em uma hora de aula é possível queimar de 300 a 400 calorias.

Além dos estímulos físicos, a dança ainda pode ajudar a mulher a lidar com questões psíquicas e emocionais. “Essa é uma atividade muito ligada à feminilidade e oferece muitos benefícios psicológicos para a praticante. Entre eles estão o estímulo à concentração, memorização e agilidade mental, desenvolvimento da percepção musical, criatividade, consciência corporal, capacidades coordenativas, aumento da autoestima e do autoamor, diminuição da timidez, aumento da segurança, equilíbrio das emoções, aumento das interações sociais, e ainda trabalha a sensualidade, delicadeza, expressão, graciosidade e o poder do feminino”, explica a profissional.

A dança como agente transformador

Glaucia Ladeira Dias é professora, iniciou na dança do ventre há cinco meses e revela que mesmo fazendo as aulas há pouco tempo, já consegue perceber mudanças em sua vida, principalmente em relação à autoestima.

“Tive alguns problemas de relacionamentos passados, de falar que eu não estava bem, que meu corpo não estava legal e aceitava essa condição. Depois muita coisa se transformou, comecei a me aceitar mais, me gostar mais, gostar do que vejo no espelho. Por meio da dança do ventre consegui me valorizar e enxergar que sou feminina, que estou cheinha sim, mas tenho muita sensualidade”, frisa Glaucia.

Laura Oliveira Alves da Silva é outra mulher que teve a vida tocada pela atividade.

“Sempre gostei de dança do ventre, acho uma dança muito bonita. Em novembro de 2016 decidi fazer minha matrícula. Realmente é uma dança que eleva a autoestima e traz alegria. Além da dança em si, uma questão que para mim é também muito importante é o fato de eu ter nascido com hidrocefalia, ter começado a andar com quase seis anos e hoje estar inserida num grupo e ter consciência em relação ao que meu corpo pode fazer. Pra mim é uma vitória”, destaca Laura.

Islaine Silva é analista de Marketing em pós-venda e escolheu iniciar na dança depois de ser diagnosticada com depressão.

“Faço aulas há dois anos e a dança foi indicada como terapia e me ajudou a superar muitos problemas, além de melhorar minha autoestima. Dançar me faz esquecer as dificuldades e ajudou a me aceitar do jeito que sou. Essa dança nos transforma, pois explora a alma”, pontua Islaine.

Dança do ventre deixa a barriga saliente, mito ou verdade?

“Esse é um mito muito popular, mas a dança do ventre não dá barriga. Tenho uma teoria e acredito que uma possível barriguinha possa ser formada por meio da prática da dança com uma má postura. E por ser uma dança cultural onde as mães passavam para suas filhas, certamente não havia preocupação com a correção postural. Talvez, por isso as pessoas associem. Outro fato importante é que para fazer a modalidade não existe padrão estético, sendo assim, mulheres com qualquer arquétipo podem dançar”.

Homem pode fazer dança do ventre?

“Existem aulas para os homens e muitos deles chegam a dançar melhor que as mulheres. A dança do ventre é bastante democrática. Isso abre espaço para todos de maneira geral, porém, os espaços mais tradicionais ainda preferem a dança do ventre praticada somente pelas mulheres, justificando a presença do ventre e da reverência às deusas”.

Não são todas as escolas, mas no estúdio da Janaina, por exemplo, crianças a partir de cinco anos já podem iniciar a atividade. “Nosso trabalho infantil é focado no lúdico, aqui os pequenos escutam sobre histórias, contos, cultura árabe e passamos a adaptação dos movimentos de acordo com faixa-etária”, diz. Para os adultos, as aulas são dadas com base em classificações: o método de ensino para uma aluna iniciante leva em consideração o fato de a pessoa nunca ter tido contato com a dança; o módulo básico é para quem já faz a atividade de um a dois anos; intermediário de dois a quatro anos de prática; avançado para indivíduos que frequentam as aulas há mais de quatro anos.

Serviço:

Av. Bom Clima, 32 – Jd. Bom Clima
4574-7401

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