InícioCANAISCULTURAMundu Rodá apresenta encantadora versão do Cavalo Marinho

Mundu Rodá apresenta encantadora versão do Cavalo Marinho

Confira crítica da peça ‘A Donzela Guerreira’, da Cia. Mundu Rodá, por Simone Carleto

Simone Carleto

Segundo a sinopse do espetáculo “A Donzela Guerreira”, da Cia. Mundu Rodá, de São Paulo, a peça “narra a trajetória de uma jovem que se disfarça de homem, em um combate, para substituir seu pai. O disfarce, entretanto, não impede que a guerreira e seu capitão se apaixonem um pelo outro e passem a travar seus próprios conflitos, colocando à prova princípios, sentimentos e desejos”.

A peça foi exibida na noite de 8 de setembro na 32ªa edição do Festivale, no Teatro Municipal. A dramaturgia e adaptação são do ator Alício Amaral e da atriz Juliana Pardo, do diretor do espetáculo Jesser de Souza e de Suzi Frankl Sperber.

O trabalho enfoca a manifestação popular tradicional do Cavalo Marinho e a obra Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa. O folguedo mistura canto, dança, teatro, máscara, com inúmeras figuras mascaradas e uma complexidade característica da riqueza cultural brasileira. Fruto de pesquisa intensa pesquisa das tradições brasileiras, e do contato com o trabalho do Lume Teatro, o espetáculo, que estreou em 2007, tem sido apresentado em inúmeros locais pelo Brasil afora.

A obra se relaciona também com a trajetória da atriz Juliana Pardo dentro do brinquedo Cavalo Marinho. A atriz citou logo após o espetáculo que ele homenageia as mulheres da Zona da Mata, e a possibilidade de as mulheres poderem assumir suas personalidades, sem se esconder.

É impressionante a apropriação da dupla do processo e conceitos que permeiam a pesquisa, assim como o desempenho dos dois durante o coerente espetáculo. A coerência se verifica também na apropriação da profundidade que envolve a discussão a respeito da preservação das manifestações da cultura popular tradicional, atrelada ao contexto social e aos atos de resistência. O belíssimo cenário com galhos em suspensão, é uma sugestão de lugar árido, possibilitando o desenvolvimento da poética do grupo, que permite durante a atuação virtuosística que o processo de criação transpareça, preservando o frescor do jogo e da brincadeira durante a encenação.

Ambos os intérpretes têm seus momentos específicos na narrativa, como artistas e personagens. Alício apresenta o prólogo narrativo, tocando rabeca, cantando e dançando e Juliana também apresenta sua personagem em transição para assumir a personagem do soldado, ambos em belíssimas combinações do tradicional ao contemporâneo, Nesse sentido, toca os aspectos mnemônicos do repertório do público, apresentando também as releituras e ressignificação do grupo, o que consiste em uma das estratégias para a divulgação e permanência do folguedo.

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