InícioCANAISECONOMIANegros e pardos são dois terços dos desempregados

Negros e pardos são dois terços dos desempregados

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Por Cintia Moreira, da Agência Rádio Mais

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, no terceiro trimestre de 2017, aponta que, dos 13 milhões de brasileiros desocupados, 8,3 milhões eram pretos ou pardos, ou seja 63,7%.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD Contínua, o rendimento dos trabalhadores pretos e pardos também era menor: R$ 1.531, enquanto o dos brancos era de R$ 2.757.

Dos 23,2 milhões de empregados pretos ou pardos do setor privado, apenas 16,6 milhões tinham carteira de trabalho assinada. Outro dado relevante da pesquisa é que a participação dos trabalhadores pretos e pardos era superior à dos brancos na agropecuária, na construção, em alojamento e alimentação e, principalmente, nos serviços domésticos. É o caso do vigilante Everton Souza, de 35 anos. Ele trabalhava com serviços gerais em uma empresa que presta serviços para órgãos públicos e quem se destacava neste emprego, tinha a oportunidade de fazer um processo seletivo para ser promovido. Após passar por algumas fases, disseram que ele não tinha o perfil para a vaga. Ele descreve como se sentiu: “Eu e mais dois se destacamos, só que só tinha uma vaga. Beleza. Aí nós fizemos a seleção entre nós, fizemos a dinâmica, aí eu saí melhor do que os outros dois camaradas. Só que, quando ele viu, tipo assim, ele olhou para mim e eu acho que ele viu que eu era negro e falou que eu não tinha o perfil adequado para a vaga que eles tinham disponível, sendo que eu tinha sido o melhor de todo o processo seletivo lá que foi feito. Me senti discriminado.”

Abaixo, a distribuição da população ocupada, de acordo com a cor e grupos de atividade:

Governo do Paraná faz campanha para mostrar discriminação

A nova campanha do Governo do Paraná e Consepir contra o racismo expõe um dos principais problemas enfrentados pelos negros no Brasil – o racismo institucional, fato que acontece quando empresas públicas e privadas diferenciam candidatos e empregados de acordo com a origem étnica, cor de pele ou cultura. E é para este tema que a campanha criada pela Master Comunicação busca chamar a atenção.

Em parceria com uma empresa real de recrutamento, profissionais em busca de emprego – todos brancos – são convidados para participar de uma entrevista em uma empresa fictícia. O que os candidatos não sabiam é que estavam participando de um experimento intitulado “Processo Seletivo”.
Durante a entrevista, o recrutador oferece vagas difíceis de encarar, com direito a bullying, assédio moral, salários inferiores aos demais profissionais e até alterações em características físicas. “Escolhemos situações que embora pareçam irreais são vividas diariamente por negros no mercado de trabalho, e que muitas vezes são ignoradas pela sociedade”, explica Felippe Motta, diretor de criação.

O filme mostra que nenhum dos candidatos brancos aceitou trabalhar em tais condições e reforça o conceito da campanha: se você não aceita isso para você, por que um negro deveria aceitar?

“Apesar de muitas empresas afirmarem não tolerar esse tipo de prática, as estatísticas dizem o contrário. Toda campanha é embasada em dados que assustam como a enorme diferença salarial percebida no país que pode chegar a 40%”, enfatiza Cícero Rohr, diretor de atendimento.

Para a diretora de diversidade da ABRH-Brasil, Jorgete Leite Lemos, é preciso aproveitar o momento para reflexão sobre a importância do negro na sociedade, mas de uma forma rápida, condizente com a velocidade do mundo atual: “proponho abandonarmos a visão “nós e outros” e racionalmente alinharmos a visão do nós para corrigir a trajetória ante a finitude dos valores e da nossa sociedade”, pontua.

É a segunda vez que o Governo do Paraná encabeça uma campanha sobre o tema. No ano passado, o Teste de Imagem (assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=V5qj4Bymcj8&t=8s) chocou o país e foi destaque nos principais veículos de comunicação.

“Mais da metade da população brasileira é negra (54%), mas o racismo institucional é uma verdade, uma situação inquestionável, da qual a maior parte das pessoas nunca havia se dado conta. Esperamos que a nova campanha, que lançamos agora, continue sensibilizando, fomentando o debate e modificando atitudes”, diz Edson Luis Lau Filho, assessor especial da Juventude do Governo do Paraná.

Além do filme que traz as reações dos candidatos, a campanha também conta com spots de rádio e o site contraracismo.pr.gov.br, que traz informações e estatísticas sobre o racismo institucional.

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