Os casos de febre amarela aumentaram, de acordo com o secretário municipal de Saúde, Sérgio Iglesias. Em Guarulhos, três pessoas morreram e 40 notificações da doença aguardam análise laboratorial. Cerca de 500 mil doses da vacina foram aplicadas na cidade. Em São Paulo, foram registrados 11 óbitos, 20 casos confirmados e 71 notificações, de julho de 2017 até o início de 2018, conforme relatório divulgado pelo Ministério da Saúde. Veja a tabela aqui.
Você já se vacinou contra a febre amarela? Se a resposta for não, ainda dá tempo. As filas acabaram. Basta ir, no início da semana, a uma das 30 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) que fazem a aplicação e agendar o seu dia. A meta da Secretaria de Saúde de Guarulhos é vacinar todas as pessoas que residem ou trabalham na cidade, desde que apresentem comprovante de endereço ou carteira de trabalho. Consulte aqui a lista das unidades que aplicam a vacina.
Atenção! Nem todos podem ser vacinados
A vacina é contraindicada para pessoas com baixa imunidade, como portadores de HIV, câncer, doenças do Timo, doenças neurológicas como Síndrome de Guillan Barré e ELA, gestantes, idosos, mulheres em fase de amamentação, crianças com menos de nove meses, transplantados, pessoas com histórico de alergia grave e alérgicos a ovos e gelatina bovina. Nesses casos, a alternativa é usar repelente diariamente e cancelar os passeios próximos às áreas de proteção ambiental.
Onde está o perigo?
Praças não têm os mosquitos transmissores da febre amarela, mas fragmentos de floresta, sim. A doença disseminada em Guarulhos é da espécie silvestre, ou seja, é transmitida por dois mosquitos que vivem nas selvas e florestas. As espécies Sabethes e Haemagogus são comuns na copa das árvores de Guarulhos, que possui quase 30% de remanescentes de Mata Atlântica preservados. Os pernilongos não se afastam muito das matas, pois voam de cem metros a um quilômetro. Mas podem aparecer nas residências localizadas em áreas de preservação. A doença não segue mapas, segue matas.
Cuidados durante o feriado de Carnaval
As viagens com destino a pontos turísticos com áreas verdes e rios – habitat natural dos mosquitos – devem ser canceladas, conforme orientação do Dr. Iglesias. O conselho serve para todos que não se vacinarem com antecedência. Isso porque a pessoa só fica protegida depois de dez dias que recebeu a dose. “Descansar em um sítio durante o feriado em Nazaré, Atibaia, Mairiporã e Alpes da Cantareira é de fato um grande risco, porque há muitos casos da doença relatados.” Veja a lista de municípios, divulgada pelo Ministério da Saúde, com recomendação de vacina, localizados em áreas de risco. Acesse aqui.
Você sabia?
O nome febre amarela se deve à tonalidade amarelada da pele dos doentes, que desenvolvem icterícia na fase mais grave. Como define a Organização Mundial de Saúde (OMS), trata-se de uma doença hemorrágica viral transmitida por mosquitos infectados, que pode causar a morte.
Como identificar os sintomas?
Os indícios de febre amarela são: fadiga, dor de cabeça, dor muscular – sobretudo nas costas –, perda de apetite, náusea, vômito, icterícia e febre. Uma vez contraído, o vírus fica incubado durante 3 a 6 dias e muitas pessoas não apresentam sintomas. Alguns doentes entram numa segunda fase mais tóxica no espaço de 24 horas, após uma leve recuperação dos sintomas iniciais. Depois voltam as febres e são afetados vários órgãos, normalmente o fígado e os rins. Nesta fase é provável que as pessoas desenvolvam icterícia, urina escura, dores abdominais com vômitos, sangramento da boca, nariz e estômago. Aproximadamente 50% dos doentes que entram na fase tóxica, segundo a OMS, morrem em até dez dias. Clique aqui e entenda como evoluem os sintomas da febre amarela.
Alerta para risco de epidemia
O grande vilão não é o tipo silvestre da febre amarela, mas o urbano. Há mais de 70 anos erradicada em solo brasileiro, a febre amarela urbana ocorre quando um doente contaminado é picado pelo mosquito Aedes aegypti. O mosquito silvestre não sai da mata e prefere macacos, enquanto o urbano infesta as cidades e pode dizimar populações. Do ponto de vista do secretário de Saúde de Guarulhos, Dr. Iglesias, a prevenção é o melhor remédio. “Não existe, nesse momento, nenhum caso relatado no Brasil de febre amarela urbana, mas ela é o nosso grande temor e por isso fizemos toda essa movimentação para vacinar as pessoas”, alertou. Clique aqui e descubra as diferentes formas de transmissão da doença.
Como a doença chegou ao Brasil?
O mosquito que trouxe a febre amarela urbana da África para o Brasil foi o Aedes aegypti. Isso aconteceu no século XVIII e causou epidemias que mataram milhares de pessoas. A doença foi controlada em 1942. Entretanto, descobriu-se uma variação silvestre cujos surtos aconteciam apenas nas florestas brasileiras, principalmente na Amazônia. Em 2016, a febre amarela silvestre eclodiu em seres humanos pela primeira vez em Minas Gerais. A diferença entre a febre amarela silvestre e a urbana é apenas o mosquito transmissor. O vírus é o mesmo e a doença é uma só.



