O engenheiro de produção e professor do Senac Guarulhos Eder de Oliveira Sousa participou da audiência pública sobre o Plano Diretor, no sábado, dia 3, no CEU Alvorada, e enviou ao Click Guarulhos um resumo do que foi tratado e a opinião dele sobre o evento.
A audiência pública do plano diretor de Guarulhos, ocorrida no sábado, 3, das 8h até as 13h, no CEU Alvorada, contou com a presença de cerca de 70 pessoas. Foi presidida pelo secretário de Desenvolvimento Urbano, Jorge Taiar e houve 17 inscritos para manifestações.
Após a apresentação da Estratégia e sua estrutura, nas sustentações orais, os líderes de movimentos sociais ligados à habitação e de associações de moradores demonstraram bastante insatisfação com o modo com que a Prefeitura de Guarulhos vem se relacionando com a sociedade. As principais críticas giraram em torno de:
1) O Projeto foi considerado por muitos como excessivamente genérico, além de não definir metas e sistema de monitoramento claros.
2) Houve pedidos de suspensão e cancelamento do Plano, motivados pela falta de comunicação com a população e o distanciamento do documento com os reais interesses dos cidadãos.
3) O Plano Diretor não contemplou, como ZEIS 01 (Zonas Especiais de Interesse Social) todas as áreas indicadas pelas associações e movimentos.
4) Quanto à ZEIS 02, a desaprovação se deu porque as áreas reservadas para habitação popular – ofertando 4 mil unidades, aproximadamente – é insuficiente para a demanda de 150 mil cadastrados no Programa Minha Casa Minha Vida, mais 50 mil que poderão integrar esse montante, devido aos eventos de reintegração de posse que vêm ocorrendo na cidade.
5) O desapossamento ocorrido no bairro Ponte Alta também foi severamente criticado por ampla maioria (e a manifestação aplaudida ostensivamente), pois alegaram que a Prefeitura não ofereceu qualquer apoio às famílias desalojadas; muitas delas com idosos, crianças e doentes, que não foram atendidas pela Assistência Social, no momento do despejo.
6) Outro ponto de destaque foi a falta do prefeito Guti no evento; pois, segundo o calendário, essa foi a última audiência pública do Plano Diretor e a quase totalidade dos que discursram protestaram devido a ausência do chefe do Poder Executivo Municipal.
Opinião pessoal do professor:
Quando analisei o Plano Diretor, tive a mesma sensação do item 1. Parece que o Plano não foi feito para ser discutido com a população, passando a impressão de que deve ser aprovado “goela abaixo”. Por isso, tão pouca foi a aceitação das sugestões dadas.
O clima de insatisfação com o prefeito era geral, em toda a plateia.
O que amenizou para o lado do prefeito Guti foi que no mesmo dia ocorreu a campanha de vacinação dia D. Assim, muitos não foram participar, porque preferiram ir aos postos e encarar as longas filas.
Não sei se o prefeito e sua equipe estão acompanhando. Mas, pelo que vi na audiência e venho acompanhando nas ruas e rede social (aumento da passagem, zeladoria devagar, postos com fila, falta de marca pessoal – ou a que tinha já se diluiu), quando “estourar a boiada”, ele não segura mais… E pelo visto pode ocorrer ainda este ano.

(foto gentilmente cedida pelo arquiteto Júlio Saavedra)

