Casamento e as finanças: Como manter dinheiro e amor em equilíbrio?

Couple Saving Money

O que é mais importante: ser ou ter? Bem, se a ideia é ser feliz no casamento, é melhor ficar com o “ser”. Isso porque um estudo publicado recentemente, no Journal of Family and Economic Issues, mostrou que o materialismo em excesso leva à desvalorização e à infelicidade no casamento.

A pesquisa foi feita com 1.310 pessoas casadas, que responderam a um questionário para medir o materialismo, a percepção da importância do casamento e a satisfação conjugal.
O que se descobriu foi que níveis mais elevados de materialismo estão ligados a uma percepção mais pobre sobre a importância do casamento e a uma menor satisfação conjugal. De acordo a psicóloga Marina Simas de Lima (foto), terapeuta de casal, família e cofundadora do Instituto do Casal, uma das explicações é que o materialismo está ligado a dar prioridade para o trabalho em detrimento do relacionamento. “E isso está diretamente ligado à falta de tempo para a vida a dois, como também pode piorar a comunicação, a negociação de conflitos e a intimidade. Afinal, o casamento também precisa de dedicação para dar certo”, avalia.

A pesquisa deixou claro também que as pessoas com alto nível de materialismo tendem a fazer mais dívidas. “E sabemos que problemas financeiros são uma das principais causas de brigas entre os casais”, afirma. O estudo ainda aponta que, além das contas no vermelho, quem associa a felicidade ao dinheiro dificilmente irá associá-la aos relacionamentos. “Quem é mais materialista acaba dedicando mais tempo para ganhar dinheiro e pode acabar investindo menos tempo e energia para melhorar a relação”, pontua.

Orientações para evitar briga de casal por causa de dinheiro

Quando falamos de finanças para casais, é importante cuidado para evitar brigas, que são muito comuns. Grande parte dos brasileiros desconhecem o valor do salário do companheiro. Essa informação é bastante preocupante, já que demonstra uma grande possibilidade de problemas relacionados ao dinheiro no futuro. Isso porque a primeira dica em relação ao tratamento do dinheiro do casal é sempre muito diálogo.

Mas, como começar esse debate? O mais adequado é construir um orçamento familiar baseados nos sonhos e objetivos da família. Também é muito importante que ocorra o quanto antes a definição de regras financeiras a serem seguidas, como quem paga o quê. “Algumas questões mostram-se fundamentais, como, por exemplo, a divisão das contas. É possível ter uma conta conjunta para que esses compromissos sejam pagos. Porém, acredito que seja interessante avaliar a possibilidade de cada um ter sua conta corrente, definindo os limites, pois cada um pode ter seus próprios gastos”, explica o educador financeiro Reinaldo Domingos (foto).

Ainda segundo o profissional, deve-se colocar tudo na mesa, nunca esquecendo que o assunto mais importante a ser conversado não são as despesas, e sim os sonhos e desejos individuais e coletivos. “É muito comum os sonhos serem deixados de lado, mas, acredite, esse é um erro capital de milhões de casais. É importante estarem atentos, colocando sempre, no mínimo, três sonhos – curto (até um ano), médio (de um a dez) e longo prazo (acima de dez anos) –, todos acompanhados de informações básicas, como quanto custa e quanto será guardado mensalmente. Caso contrário, não serão sonhos, e sim verdadeiros pesadelos”, ressalta.

É preciso reforçar que, mesmo tendo contas separadas, quando se opta pelo casamento, é preciso não discriminar quem ganha mais ou menos. Trata-se de uma família e, neste caso, a receita deve ser pensada e somada para todos que dela participam.

Oito conselhos

Reinaldo Domingos dá algumas dicas:

1.    Recomendo reuniões frequentes entre o casal para debater as finanças; porém, diferente do que ocorre frequentemente, esse não deve ser um momento de tensão, mas sim de projeção;
2.    Estabeleçam sempre sonhos de curto, médio e longo prazos, lembrando que se deve ter objetivos coletivos e individuais;
3.    Um ponto que geralmente é foco de divergências é o padrão de vida que o casal leva; assim, faça um diagnóstico financeiro e, com os números reais da vida financeira, ajuste o padrão dentro dessa lógica;
4.    Outro motivo de briga é o fato de um dos parceiros ser mais acomodado.
É importante entender que cada um tem um estilo; recomendo a busca de um meio termo, com regras bem estabelecidas e não ficar batendo sempre na mesma tecla;
5.    O ponto fundamental é que, quando só um dos parceiros trabalha externo, também deve-se ter a preocupação com a vida financeira em longo prazo, no caso a aposentadoria;
6.    Caso tenham filhos, é preciso inclui-los na conversa sobre dinheiro e, mais do que isso, também devem chegar a um acordo sobre como será a educação deles em relação às finanças;
7.    Se um dos parceiros fez alguma ação errada em relação ao dinheiro, lógico que haverá um nervosismo inicial; por isso, tente deixar o debate para um momento no qual já se conseguiu se acalmar um pouco e refletir sobre o ocorrido. Contudo, não finja que nada ocorreu: guardar pode causar “estouros” futuros;
8.    Lembrem-se: é nas dificuldades que vemos com quem realmente podemos contar. Em caso de crise financeira, em vez do distanciamento, o ideal é buscar estar mais perto de quem gostamos.