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Levy Fidelix chama apoiadores de Alckmin de saqueadores

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Ainda não houve anúncio oficial, mas alguns partidos que cogitavam apoiar Ciro Gomes (PDT) à Presidência resolveram aliar-se ao candidato tucano, Geraldo Alckmin, para quem essa adesão é vital para alavancar suas chances, pois até agora o ex-governador paulista vem patinando nas pesquisas. O apoio desses partidos a ele teria por objetivo reforçar uma alternativa de centro, para reduzir as chances de nomes extremistas de direita ou esquerda.

O grupo, formado pelo DEM, PP, PR, PRB e o Solidariedade, prefere denominar-se Blocão em vez de Centrão, pois esse título foi o do grupo que viabilizou a eleição de Eduardo Cunha (PMDB) para presidir a Câmara dos Deputados. Ele acabou sendo afastado judicialmente do mandato e está preso.

O grande trunfo dessa junção para Alckmin é a ampliação de seu tempo de exposição na TV, além, é claro, de evitar que esses partidos apoiem outro candidato.

Outro bloco

A página Congresso em Foco divulgou reportagem de Amanda Audi e Luísa Marini na sexta-feira (20), informando que outros oito partidos estão negociando aliança para formar um bloco e lançar candidatura única ao Planalto, em busca dos votos dos indecisos. O grupo é formado por Podemos, PSC, Patriota, PRTB, PTC, PSDC, Avante e Pros. No sábado, surgiu a informação de que o PRP também se somará ao bloco. Com a união, eles terão cerca de dois minutos de tempo de televisão e R$ 100 milhões de fundo eleitoral.

Os nomes no páreo para encabeçar a chapa são: Álvaro Dias (Podemos), Paulo Rabello de Castro (PSC) e general Mourão (PRTB). Pesquisas internas estão sendo feitas para definir qual deles será lançado a presidente e vice. Neste caso, os outros desistirão de suas candidaturas. Uma primeira posição deve ser divulgada ainda nesta semana.

O senador Álvaro Dias, pré-candidato pelo Podemos, confirmou que a legenda está negociando alianças com partidos menores e de cunho ideológico parecido, com o objetivo de combater os “cartéis” já existentes hoje. “Esse modelo de presidencialismo de coalizão estendido que quebrou o Brasil”, disse o senador ao Congresso em Foco. Segundo ele, os nomes dos candidatos ainda não foram definidos e serão lançados somente após encerradas as negociações entre as legendas. O grupo tem quatro possíveis candidatos à Presidência, além de Álvaro Dias: Rabello de Castro (PSC), general Mourão (PRTB), Cabo Daciolo (Patriota) e Eymael (PSDC).

Porém, o general já recusou há alguns dias ser vice de Jair Bolsonaro (PSL) e ensaia ser candidato ao Senado pelo Distrito Federal. A dobrada mais provável passaria a ser Álvaro Dias e Rabello de Castro. O pré-candidato do Podemos tem aparecido nas pesquisas com variações entre 3% e 5%, não muito distante de Alckmin, que não conseguiu decolar ainda, apesar de já ter sido candidato à Presidência em 2006.

Batizado de “Frente Patriota”, o bloco deve defender pautas conservadoras, ligadas à direita, mas assumindo tom moderado. A ideia é que a posição do grupo seja menos radical que a do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

Saqueadores

“O povo quer nível, não se resolve saúde e educação com metralhadora”, diz o presidente do PRTB, Levy Fidélix, um dos articuladores do bloco, sobre a resistência a Bolsonaro. “Se ele nos procurar, vamos conversar, mas nos nossos termos”, continuou Fidélix.

Os partidos que compõem o bloco avaliam que Bolsonaro está sendo desidratado e tende a perder força cada vez mais nas pesquisas de intenção de voto. No segundo turno, acreditam, teria pouquíssima chance de vitória.

Fidélix afirma que o grupo será o “verdadeiro centrão” – em alusão ao bloco que assim se autodenomina e que decidiu, na sexta-feira (20), apoiar o pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB). O presidente do PRTB referiu-se ao bloco de apoio ao tucano como “um conjunto de saqueadores”. “O povo já cansou dos envolvidos na Lava Jato”, destacou Levy Fidélix.

“O Alvaro Dias me ligou no domingo e falou ‘meu filho, me ajuda aqui. Vamos encontrar os caminhos mais viáveis para a terceira via do Brasil’, disse Levy Fidélix.

Cada partido será liberado para definir coligações diferentes nos estados, de acordo com os acordos das bases, mas deverá manter a união no plano nacional.

Divergências internas no bloco de Alckmin

Mal foi anunciado extraoficialmente o apoio do “Blocão” a Geraldo Alckmin e já surgiu a primeira divergência no grupo. Ainda na sexta-feira (20), o ex-governador de São Paulo postou no Twitter que não iria revogar “nenhum dos principais pontos da reforma trabalhista”. “Não há plano de trazer de volta a contribuição sindical”, escreveu, o que causou mal-estar com o Solidariedade, partido ligado a centrais sindicais. O deputado Paulinho da Força aventou a possibilidade de sair do acordo e passar a apoiar Ciro Gomes (PDT).

O problema só foi minimizado quando Alckmin ligou a Paulinho da Força e disse que o post na rede social havia sido uma “trapalhada” de sua equipe de comunicação. Segundo a página Congresso em Foco, o tucano assegurou que irá estudar medidas para manter a viabilidade econômica de sindicatos, sem passar pela volta do imposto sindical. Com isso, o deputado resolveu retomar o apoio.

Valdir Carleto

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